15 de junho de 2026

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Advogado suspeito de envolvimento na morte de motorista será julgado em PG


Por Cícero Goytacaz Publicado 15/06/2026 às 16h54
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Foto: Arquivo DC/José Aldinan

O advogado investigado por envolvimento no homicídio de Everton Henrique dos Santos, motorista de ônibus morto por engano em Ponta Grossa, será julgado nesta quarta-feira (17). O réu é José Maurício Barros Junior, apontado em inquérito policial como informante dos executores. Ele é suspeito de passar informações erradas sobre o paradeiro de um desafeto de seus clientes, que seria o verdadeiro alvo.

Em nota, os advogados de defesa do advogado informaram ao Diário dos Campos que o Dr. José Maurício não possui qualquer vínculo com o crime e que a tentativa de apontá-lo como autor intelectual do homicídio é indevida e sem respaldo de provas competentes. Para a defesa, a análise técnica, imparcial e constitucionalmente orientada dos fatos demonstrará a total inconsistência da imputação.

A defesa é composta pelos advogados Luis Carlos Simionato, Piero Mocellin e João Tauille Filho. Leia a nota da defesa na íntegra:

O réu, Dr. José Maurício, advogado regularmente inscrito na Ordem dos Advogados do Brasil, não possui qualquer vínculo com o crime que lhe é atribuído, sendo absolutamente indevida a tentativa de apontá-lo como autor intelectual de homicídio sem respaldo probatório idôneo.

As declarações que vêm sendo amplamente divulgadas carecem de contextualização adequada e não refletem a realidade dos fatos constantes nos autos, construindo uma narrativa pública dissociada do conjunto probatório e antecipando juízos de culpa incompatíveis com o Estado Democrático de Direito.

A persecução penal deve observar, de forma intransigente, o princípio da presunção de inocência (art. 5º, LVII, da Constituição Federal), bem como o devido processo legal substancial, que impede imputações ampliadas, simbólicas ou baseadas em conjecturas, especialmente quando em jogo a honra, a liberdade e a própria dignidade profissional do réu.

A defesa confia que a análise técnica, imparcial e constitucionalmente orientada dos fatos demonstrará a total inconsistência da imputação, com o restabelecimento da verdade e o respeito às garantias fundamentais que regem o processo penal.

O caso

O assassinato do motorista de ônibus Everton Henrique dos Santos, de 35 anos, ocorreu na madrugada de 1º de setembro de 2024, no Jardim Royal, região do bairro Neves. A vítima estava dormindo em sua casa com a esposa e o filho, quando criminosos armados invadiram o imóvel e o atingiram com vários disparos. Everton morreu sem chance de defesa.

A Polícia Civil considerou a hipótese de que se tratava de um erro na execução do plano criminoso, confirmada no decorrer das investigações. Os executores buscavam um rival que morava nas proximidades. A motivação, segundo a polícia, estaria ligada a uma suposta cobrança de dívidas relacionadas ao tráfico de drogas.

Durante o inquérito, a Polícia Civil identificou o envolvimento de um advogado que, segundo a investigação, teria usado indevidamente seu acesso profissional a sistemas judiciais para levantar informações sobre um desafeto de seus clientes.

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Cícero Goytacaz
Cícero Goytacaz

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Ponta Grossa em 2022, repórter de Política do Diário dos Campos. Tem experiência com redação de jornal impresso, sites de notícias, rádio esportivo e transmissões de futebol. Atuou como repórter setorista do Operário Ferroviário Esporte Clube.