Advogado suspeito de envolvimento na morte de motorista será julgado em PG

O advogado investigado por envolvimento no homicídio de Everton Henrique dos Santos, motorista de ônibus morto por engano em Ponta Grossa, será julgado nesta quarta-feira (17). O réu é José Maurício Barros Junior, apontado em inquérito policial como informante dos executores. Ele é suspeito de passar informações erradas sobre o paradeiro de um desafeto de seus clientes, que seria o verdadeiro alvo.
Em nota, os advogados de defesa do advogado informaram ao Diário dos Campos que o Dr. José Maurício não possui qualquer vínculo com o crime e que a tentativa de apontá-lo como autor intelectual do homicídio é indevida e sem respaldo de provas competentes. Para a defesa, a análise técnica, imparcial e constitucionalmente orientada dos fatos demonstrará a total inconsistência da imputação.
A defesa é composta pelos advogados Luis Carlos Simionato, Piero Mocellin e João Tauille Filho. Leia a nota da defesa na íntegra:
O réu, Dr. José Maurício, advogado regularmente inscrito na Ordem dos Advogados do Brasil, não possui qualquer vínculo com o crime que lhe é atribuído, sendo absolutamente indevida a tentativa de apontá-lo como autor intelectual de homicídio sem respaldo probatório idôneo.
As declarações que vêm sendo amplamente divulgadas carecem de contextualização adequada e não refletem a realidade dos fatos constantes nos autos, construindo uma narrativa pública dissociada do conjunto probatório e antecipando juízos de culpa incompatíveis com o Estado Democrático de Direito.
A persecução penal deve observar, de forma intransigente, o princípio da presunção de inocência (art. 5º, LVII, da Constituição Federal), bem como o devido processo legal substancial, que impede imputações ampliadas, simbólicas ou baseadas em conjecturas, especialmente quando em jogo a honra, a liberdade e a própria dignidade profissional do réu.
A defesa confia que a análise técnica, imparcial e constitucionalmente orientada dos fatos demonstrará a total inconsistência da imputação, com o restabelecimento da verdade e o respeito às garantias fundamentais que regem o processo penal.
O caso
O assassinato do motorista de ônibus Everton Henrique dos Santos, de 35 anos, ocorreu na madrugada de 1º de setembro de 2024, no Jardim Royal, região do bairro Neves. A vítima estava dormindo em sua casa com a esposa e o filho, quando criminosos armados invadiram o imóvel e o atingiram com vários disparos. Everton morreu sem chance de defesa.
A Polícia Civil considerou a hipótese de que se tratava de um erro na execução do plano criminoso, confirmada no decorrer das investigações. Os executores buscavam um rival que morava nas proximidades. A motivação, segundo a polícia, estaria ligada a uma suposta cobrança de dívidas relacionadas ao tráfico de drogas.
Durante o inquérito, a Polícia Civil identificou o envolvimento de um advogado que, segundo a investigação, teria usado indevidamente seu acesso profissional a sistemas judiciais para levantar informações sobre um desafeto de seus clientes.

