22 de junho de 2026

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Acusado da morte de professora deverá ter pena reduzida


Por Felipe Liedmann Publicado 14/06/2021 às 21h45 Atualizado 21/02/2026 às 12h12
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Foto: Arquivo Pessoal

Começa na manhã desta terça-feira (15), no Fórum de Ponta Grossa, o júri popular de Marcelo Ávila, acusado do feminicídio da própria esposa: Luciane Ávila. A sessão vai seguir protocolos da pandemia de covid-19. Marcelo, que está preso no Complexo Médico Penal, em Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba, não estará presente. Ele será visto e ouvido por vídeo.

O crime ocorreu no dia 4 de dezembro de 2019. Naquela data, o marido se armou com uma faca e surpreendeu Luciane na frente da escola em que ela trabalhava, no bairro Órfãs (esquina da Avenida Anita Garibaldi com a Rua Assis Brasil). Era início da tarde quando o ataque aconteceu.

A professora de 42 anos estava com um dos filhos do casal, de apenas oito anos de idade, ao lado. O menino era estudante do mesmo colégio. Marcelo esfaqueou a esposa mais de dez vezes enquanto ela atravessava a rua. Ele ainda feriu um homem que tentou ajudar a professora e fugiu. Luciane morreu no local. No dia anterior ao crime, ela havia solicitado medida protetiva contra o marido. O casal estava em processo de divórcio.

O réu responderá no Tribunal por homicídio com tripla qualificação (meio cruel, impossibilidade de defesa da vítima e feminicídio), corrupção de menor – visto que o crime foi cometido na presença da criança, e lesão corporal pelo ferimento causado na testemunha que tentou ajudar a vítima.

Durante o processo foram ouvidas oito testemunhas de acusação e duas de defesa. O advogado de Marcelo pediu a inimputabilidade do cliente à Justiça. A defesa alega que ele sofre de problemas psiquiátricos.

Uma pequena vitória foi obtida, pois Marcelo foi declarado parcialmente incapaz. Deste modo, a pena dele será diminuída de um terço a dois terços. No entanto, O advogado Gustavo Madureira ainda tenta mostrar que Marcelo não tinha qualquer capacidade.

“Existem provas e testemunhas que comprovam que o Marcelo sofria de depressão grave meses antes dos fatos. Queremos demonstrar que na época do crime o Marcelo estava totalmente incapaz de se controlar. O laudo [médico] foi realizado um ano depois dos fatos. Se fosse feito no dia do crime, mostraria que ele é incapaz”, argumenta.

Já a acusação pretende que a Justiça dê nesta terça-feira resposta pela brutalidade do homicídio. “É um crime que com toda a certeza abalou a cidade. Agora vamos ver se com esse julgamento o acusado vai receber a pena que merece. Então daremos uma satisfação a essa família como também à sociedade”, diz o assistente de acusação, Ângelo Pilatti.

Prisão

Apesar da fuga, Marcelo Ávila está preso desde o dia do crime. Poucas horas depois do ataque, no final da tarde, ele foi encontrado na PR-151, em Carambeí. A Polícia Militar o encaminhou até a 13ª Subdivisão Policial.

Após a defesa entrar com o pedido de inimputabilidade, o acusado foi transferido para o Complexo Médico Penal de Piraquara. Lá ele permanece em tratamento psiquiátrico.

Memória

A ‘Prof Lu’, como era conhecida pelos pequenos alunos e amigos, recebeu diversas homenagens após a precoce partida. Uma delas segue estampada na esquina onde ocorreu o crime. Lá há pintura em uma parede. A mensagem faz referência à professora e à luta de combate ao feminicídio.

A professora morreu deixando para trás três filhos. Todos garotos: o pequeno Danilo, Igor e Lucas.

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