
A Justiça converteu, no fim da tarde de quarta-feira (28), as prisões temporárias em prisões preventivas de três investigados pelo assassinato de Ricardo de Oliveira Osinski, de 40 anos. O corpo da vítima foi encontrado em 26 de março, com marcas de múltiplos golpes de arma branca, em uma área rural na Estrada do Alagado, em Ponta Grossa. Na manhã desta quinta-feira (29), o delegado Luiz Gustavo Timossi deu mais detalhes da investigação.
Entre os investigados estão os proprietários de uma clínica de reabilitação e um interno da instituição, de 25 anos, que confessou ter sido o executor do crime. A confissão ocorreu durante a Operação Cuidado Fatal, deflagrada pela Polícia Civil em abril.
Crime premeditado e tortura
As investigações apontam para um esquema criminoso de premeditação, violência e motivação financeira. De acordo com Timossi, Ricardo foi mantido em cárcere privado na residência do casal por diversos dias, sendo sistematicamente dopado com medicamentos para restringir seus movimentos. Nesse período, valores foram transferidos de sua conta bancária para os suspeitos, totalizando mais de R$ 143 mil.
Tortura com arma de choque
Antes do homicídio, a vítima teria sido agredida com uma arma de choque elétrico e mantida sob constante vigilância entre os dias 11 e 26 de março. O assassinato teria sido ordenado após Ricardo manifestar desconfiança do casal e, acompanhado do próprio executor, procurar apoio jurídico. A conversa com o advogado foi gravada pelo interno, que entregou o áudio à polícia.
Troca de mensagens
As investigações também revelaram mensagens entre os suspeitos orientando a limpeza do veículo da vítima, numa tentativa de eliminar provas. Em um dos áudios interceptados, a proprietária da clínica conta que receberia a visita de sua filha e instruiu o interno a dopar Ricardo:
“Dê um remédio para ele empacotar. Qualquer coisa, menos ele aparecer lá na casa”
Mesmo após o crime, os suspeitos coordenaram ações para dificultar as investigações, chegando a discutir a possibilidade de ‘plantar’ provas falsas no carro de Ricardo para confundir a perícia. Uma das ideias era colocar cocaína no veículo.
Conversas recuperadas mostram preocupação explícita com a investigação:
“Você limpou o carro?”
“Vão fazer perícia”
“Traga a chave aqui”
Histórico do caso
Ricardo de Oliveira Osinski era ex-paciente da clínica e, segundo a polícia, tornou-se alvo dos suspeitos após um acidente em uma pousada, em 11 de março. Na ocasião, o proprietário da clínica foi chamado como contato de emergência e teve acesso aos pertences da vítima, incluindo seu celular e dados bancários.
Timossi afirmou que os desvios começaram enquanto Ricardo ainda estava hospitalizado. “Enquanto a vítima ainda estava hospitalizada na UPA, foram desviados R$ 86,5 mil de sua conta bancária”, disse. Após sua alta, Ricardo não foi mais visto e os saques e transferências continuaram até mesmo após a morte, segundo o delegado.
Primeira fase da operação
Durante a primeira fase da operação, além das prisões, a Justiça determinou mandados de busca e apreensão em imóveis ligados ao casal, onde foram encontradas bicicletas compradas com o dinheiro da vítima. Os bens do casal e da clínica foram bloqueados até o valor total desviado.
“As evidências apontam para um crime premeditado com motivação financeira. Há fundada suspeita de que os suspeitos teriam se aproveitado da vulnerabilidade da vítima, que era dependente química, para obter acesso às suas contas bancárias”, concluiu o delegado Timossi.