Polícia de PG desmantela comércio pela internet de remédios de uso restrito

Uma investigação conjunta entre as polícias civis do Paraná e de Santa Catarina desmantelou, nesta quinta (23), uma estrutura criminosa voltada para o comércio ilegal de medicamentos de uso restrito hospitalar. A rede, operada por três irmãs de 25, 27 e 28 anos em Ponta Grossa, utilizava perfis em redes sociais para captar clientes e negociar substâncias controladas sem qualquer fiscalização sanitária.
As informações foram confirmadas ao Diário dos Campos pela Polícia Civil do Paraná (PCPR), que atuou em coordenação com a Diretoria Estadual de Investigações Criminais (DEIC/DCAC) da Polícia Civil de Santa Catarina. As três irmãs foram alvo de busca e apreensão da polícia na quinta-feira (23) e serão indiciadas.
Como funcionava o esquema criminoso
O caso começou a partir de uma denúncia técnica do Conselho Regional de Medicina de Santa Catarina (CRM-SC). O órgão alertou sobre um perfil no Instagram que anunciava a venda ilícita de pílulas abortivas (Cytotec/misoprostol) com um número de telefone com DDD de Santa Catarina.
No entanto, o cruzamento de dados de inteligência cibernética revelou que, apesar de simularem estar em solo catarinense, as investigadas residiam e operavam o esquema a partir de Ponta Grossa.

Durante a operação, os agentes cumpriram mandados de busca e apreensão na residência da família. A análise forense realizada nos celulares apreendidos pela Polícia Científica comprovou a existência de um grupo corporativo virtual estruturado. No ambiente digital, as suspeitas dividiam tarefas como:
- Controle e tabelamento de preços dos medicamentos;
- Prospecção de clientes em larga escala;
- Gestão operacional das vendas.
Entre as indiciadas está uma enfermeira obstetra, o que amplia a gravidade do caso dado o acesso e conhecimento técnico da profissional sobre os fármacos.
Riscos à saúde pública
Apesar de nenhum estoque físico de remédios ter sido encontrado no local durante as buscas, o farto material digital foi suficiente para embasar o indiciamento. As substâncias negociadas têm venda e uso restritos ao ambiente hospitalar por determinação expressa da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), oferecendo graves riscos à saúde pública quando consumidas sem acompanhamento médico.
As três irmãs foram indiciadas formalmente pelo crime de falsificação, corrupção, adulteração ou alteração de produto destinado a fins terapêuticos ou medicinais. Elas respondem ao procedimento em liberdade, e o caso já foi remetido ao Ministério Público e ao Poder Judiciário para as providências cabíveis. (Com informações da PCPR)

