
O Ministério Público do Paraná, por meio do Núcleo de Ponta Grossa do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), deflagrou nesta terça e quarta-feira (4 e 5) as operações A Rede, Muralha de Areia e Vértice, com apoio da Polícia Científica e dos Ministérios Públicos dos estados do Rio de Janeiro e do Ceará.
As ações investigam uma organização criminosa de alcance nacional, envolvida em crimes de furto mediante fraude, estelionato eletrônico, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, além de tráfico de drogas. Segundo o MPPR, o grupo operava a partir de uma falsa central telefônica instalada em Ponta Grossa.
Foram cumpridos 63 mandados de busca e apreensão, 38 ordens de sequestro de valores e ativos financeiros, além do bloqueio de 11 veículos e do sequestro judicial de seis imóveis. As medidas, autorizadas pela 3ª Vara Criminal de Ponta Grossa, foram executadas em cidades do Paraná (Ponta Grossa, Curitiba e Foz do Iguaçu), Ceará (Fortaleza e Itaitinga), Rio de Janeiro (Mesquita, Nova Iguaçu, Nilópolis, Mangaratiba e Rio de Janeiro) e São Paulo. As investigações tiveram início em fevereiro, a partir de uma denúncia anônima.
Operação A Rede
A primeira fase, denominada A Rede, apura a atuação de um grupo que mantinha uma falsa central telefônica para aplicar golpes financeiros por meio de engenharia social. De acordo com o promotor do Gaeco, Antônio Albanez, o call center funcionava numa chácara, em Ponta Grossa. O imóvel, inclusive, está entre um dos seis sequestrados durante a operação.
O delegado Fernando Jasinski explicou que os criminosos se passavam por funcionários de centrais de segurança bancária e induziam as vítimas a fornecerem dados pessoais e códigos de segurança, permitindo a invasão de contas bancárias.
Em um dos casos identificados, uma empresa de São Paulo teve R$ 564.874,55 furtados. Em outro episódio, uma tentativa de golpe contra um cliente com R$ 5 milhões em conta só não foi consumada porque o gerente do banco percebeu a fraude e alertou a vítima.
Os valores obtidos eram lavados por meio de uma complexa rede de contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas em diferentes estados. O grupo utilizava empresas de fachada, incluindo uma registrada como comércio de artigos de pesca, para disfarçar a origem ilícita do dinheiro.
Ligadores
Jasisnki destacou a existência de uma chefe da central telefônica e de um hacker na cidade que atuava assim que os dados eram repassados. Pelo menos seis pessoas foram identificadas como ligadoras do call center e eram treinadas para isso. “E trabalhavam como expediente, das 8, 9 horas até às 17 horas, com intervalo para almoço”. Ao todo, 35 laranjas eram usados para fazer as transferências.
A partir da investigação da central telefônica – que teve início em fevereiro após uma denúncia anônima – o Gaeco descobriu uma outros crimes que culminaram em mais duas operações deflagradas nesta semana e em mais três frentes de investigação, que serão realizadas a partir de agora.
