Delegada de PG orienta pais sobre abuso sexual infantil pela internet

Um vídeo que está repercutindo em todo o país acende o alerta para a exposição de crianças e adolescentes na internet. A publicação é do youtuber paranaense Felipe Bressanim Pereira, conhecido como Felca. Durante 50 minutos, ele mostra e comenta conteúdos sobre adultização e sexualização de menores de idade nas redes sociais. O vídeo teve tanta repercussão que o Congresso deverá elaborar projetos de lei para tentar frear essa onda.
Entre os casos citado por Felca, estão vídeos feitos e divulgados por pessoas que deveriam proteger os menores de 18 anos, como pais e mães. A delegada Ana Paula Cunha Carvalho, do Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente Vítimas de Crimes (Nucria), diz que nenhum caso desse foi denunciado ao órgão em Ponta Grossa, mas afirma que os crimes de exploração sexual infantil pela internet estão “aumentando e muito”.
Jogos online: principal porta de entrada
A autoridade policial alerta que os jogos online são a principal porta de entrada usada para os pedófilos para abusar dos menores no mundo virtual. “As crianças têm acesso fácil ao celular e aos jogos. O pedófilo entra nesses jogos com perfil falso, se passando por criança, e começa a conversar”, disse. Depois de um tempo, o criminoso pede para conversar com a vítima por aplicativo de mensagem e pedir dados como endereço, com quem mora, que horas fica sozinha em casa. Pensando se tratar de um “amiguinho”, a criança ou adolescente compartilha dados, fotos e vídeos. De posse desses materiais, explica Ana Paula, o criminoso passa a ameaçar a vítima.
Com medo, a criança ou adolescente esconde da família a situação. “Tem medo de contar que estava conversando com uma pessoa estranha, que passou seus dados”, explica a delegada. “A vítima só vai contar para os pais depois de já ter passado as fotos e vídeos”.
Orientação aos pais
Ana Paula orienta pais e responsáveis a acompanhar de perto o que os filhos estão fazendo na internet e também a conversar com eles sobre os riscos do mundo virtual. “São perigos que existem e são reais”, afirma.
Caso uma situação dessa ocorra, a delegada aconselha os pais a não brigarem com a criança. “Elas não são culpadas dessa situação”, diz. O primeiro a se fazer é denunciar imediatamente o caso às autoridades, para que se tente localizar o perfil do pedófilo o mais rápido possível. Assim, aumentam as chances para que ele seja responsabilizado.
Para preservar crianças e adolescentes, segundo a delegada, os pais podem baixar aplicativos para acompanhar tudo o que os filhos acessam na internet. “Pega o celular do filho no fim do dia e olha o WhatsApp, abra os jogos para ver com quem está conversando”, finaliza Ana Paula.

