20 de julho de 2026

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Ferrovias do Paraná: processo que definirá 30 anos deve avançar em agosto


Por Matheus Dias Publicado 20/07/2026 às 10h19
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Malha Sul está em jogo
Foto: reprodução/ANTT.

A nova concessão da Malha Sul ferroviária, atualmente operada pela concessionária Rumo Malha Sul, avança para uma etapa decisiva com o encerramento da fase de participação social promovida pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) no mês de agosto. O projeto prevê uma concessão de 30 anos para uma rede de 4.250 quilômetros, abrangendo Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, e deve mobilizar investimentos superiores a R$ 14 bilhões apenas em obras de infraestrutura ferroviária.

O cronograma divulgado pela ANTT indica que os estudos técnicos já foram concluídos e que a audiência pública está em andamento, etapa que antecede a análise pelo Tribunal de Contas da União (TCU), a publicação do edital, o leilão e a assinatura do novo contrato. A representação gráfica do processo mostra que o período de recebimento de contribuições da sociedade está aberto até 10 de agosto de 2026. As etapas seguintes ainda não tem prazo definido.

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Para Ponta Grossa, principal entroncamento ferroviário do Paraná e um dos mais importantes do Sul do Brasil, a discussão sobre a nova licitação tem impactos diretos na logística, na competitividade industrial e na geração de empregos. A cidade ocupa posição estratégica na conexão entre o interior produtor de grãos, os portos de Paranaguá e São Francisco do Sul e os corredores ferroviários que ligam a região Sul ao restante do país.

Corredor Paraná-Santa Catarina concentra os maiores investimentos

Os estudos encaminhados pelo Ministério dos Transportes dividem a futura concessão em três grandes corredores: Paraná-Santa Catarina, Rio Grande e Mercosul (Interestadual). Entre eles, o corredor Paraná-Santa Catarina receberá a maior parcela dos investimentos previstos.

O projeto estima R$ 6,9 bilhões em investimentos de capital (Capex) para esse trecho, além de R$ 27,3 bilhões em custos operacionais (Opex) ao longo da concessão. Trata-se do principal eixo de movimentação de cargas da atual Malha Sul, com predominância do transporte de soja, milho, farelo de soja, fertilizantes, combustíveis, contêineres e produtos da construção civil destinados principalmente aos portos de Paranaguá e São Francisco do Sul. 

Para especialistas do setor, o volume de recursos previsto demonstra que a modernização da infraestrutura ferroviária paranaense será um dos focos da nova concessão. Como principal nó logístico da região, Ponta Grossa tende a ser diretamente beneficiada por eventuais ampliações de capacidade, melhorias operacionais e redução de gargalos ferroviários.

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Crescimento do agronegócio aumenta importância da região

Os estudos de viabilidade apontam que o corredor Paraná-Santa Catarina possui potencial de crescimento relevante em razão da expansão da produção agrícola do Centro-Oeste brasileiro e do oeste paranaense. O aumento da demanda por transporte ferroviário de grãos poderá ampliar o fluxo de cargas que passa pelos Campos Gerais rumo aos terminais portuários.

A expectativa é que a ferrovia assuma papel ainda mais importante no escoamento da safra nacional, contribuindo para reduzir custos logísticos e aumentar a competitividade das exportações brasileiras. Para Ponta Grossa, isso pode significar maior movimentação de cargas, atração de investimentos privados e fortalecimento das atividades ligadas aos setores de armazenagem, transporte e indústria.

Mercosul e integração regional

Outro aspecto debatido na nova concessão é o chamado Corredor Mercosul, que conectará São Paulo ao Rio Grande do Sul e à Argentina. O trecho contará com previsão de R$ 4,5 bilhões em investimentos e tem como objetivo ampliar a integração ferroviária entre diferentes malhas nacionais e internacionais.

A proposta reforça a vocação de Ponta Grossa como ponto de conexão logística entre os mercados do Sul do Brasil e os países vizinhos. A ampliação da integração ferroviária pode criar novas oportunidades para o transporte de produtos industrializados, insumos agrícolas e cargas conteinerizadas.

Audiência pública abre espaço para reivindicações locais

O recebimento de contribuições pela ANTT começou no dia 15 de junho e vai até 10 de agosto de 2026 e representa a principal oportunidade para que municípios, entidades empresariais, universidades e lideranças regionais apresentem sugestões ao projeto. 

Em Ponta Grossa, o debate pode envolver temas como:

  • ampliação da capacidade operacional dos pátios ferroviários;
  • eliminação ou modernização de passagens em nível urbanas;
  • redução de conflitos entre tráfego ferroviário e mobilidade urbana;
  • melhoria dos acessos a terminais logísticos;
  • fortalecimento da integração entre ferrovia e Distrito Industrial;
  • garantia de investimentos efetivos nos trechos estratégicos do Paraná.

Uma decisão com efeitos para as próximas décadas

A atual concessão teve origem em 1997, após a privatização da antiga Rede Ferroviária Federal. Desde então, a malha passou pelas operações da Ferrovia Sul Atlântico, da ALL – América Latina Logística e, posteriormente, da Rumo, que assumiu o controle da concessão após a fusão ocorrida em 2015.

Agora, a nova licitação definirá os rumos da principal ferrovia do Sul do país pelos próximos 30 anos. Para Ponta Grossa, município historicamente ligado ao transporte ferroviário e considerado um dos principais centros logísticos do Paraná, o debate vai além da infraestrutura: trata-se de uma discussão estratégica sobre desenvolvimento econômico, competitividade regional e capacidade de atrair novos investimentos.

A participação da sociedade civil e das instituições locais nesta fase de consultas poderá influenciar diretamente o desenho final de um projeto que deverá moldar a logística dos Campos Gerais nas próximas décadas.

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Matheus Dias
Matheus Dias

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Ponta Grossa e Mestre em Comunicação pela Universidade Federal do Paraná. Ex-foca do jornal O Estado de S. Paulo e repórter do DC desde 2022. Tem experiência na comunicação corporativa e na assessoria de imprensa de setores público e privado. Apaixonado por histórias e esportes.