DNIT exonera três servidores um dia após ação policial

O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) comunicou a exoneração de três servidores um dia após ser alvo da Operação Rolo Compressor, comandada em conjunto pela Controladoria-Geral da União, Polícia Federal e Receita Federal. A ação apura irregularidades na aplicação de recursos públicos no Paraná, além de atos de corrupção e lavagem de dinheiro.
Em portaria datada de 11 de fevereiro (sexta-feira), o diretor-geral do DNIT, general Antônio Leite dos Santos Filho, assinou as dispensas de Max Alberto Cancian, Adriano Moreira Odilon e Alexandre Caron Karas.
Cancian e Odilon atuavam como Analistas em Infraestrutura de Transportes na Superintendência do Paraná. Já Karas ocupava o cargo de Engenheiro na Superintendência paranaense.
Em nota de esclarecimento no dia da operação policial, o DNIT informou que colabora com a investigação “visando à completa elucidação dos fatos. Trata-se de inquérito instaurado em 2015 e se refere a práticas ocorridas antes desse período. O Departamento está em permanente contato com os órgãos de controle e reafirma que pauta sua atuação dentro da legalidade e lisura, respeitando todos os princípios éticos da administração pública”, garante.
Investigação
A Controladoria-Geral da União recebeu denúncias de pagamento de vantagens indevidas a servidores da Superintendência Regional do DNIT no Paraná por empresas contratadas pelo órgão. Até o momento, as investigações já evidenciaram elementos consistentes que indicam o recebimento de vantagens indevidas, consubstanciadas em movimentação de dinheiro em espécie sem lastro nos saldos bancários declarados e ocultação de patrimônio em nome de terceiros.
O caso se refere à obra de duplicação de 74 km da BR-163, entre Cascavel e Marmelândia, distrito de Realeza, na região Oeste do Paraná. As vantagens financeiras indevidas superam R$ 120 milhões, conforme auditoria.
Ex-superintendente preso
A Operação Rolo Compressor ocorreu em seis estados brasileiros. As buscas envolveram 125 policiais em 26 locais. Na ação, a Polícia Federal prendeu temporariamente em Brasília o ex-diretor José da Silva Tiago. Ele foi superintendente do DNIT no Paraná por oito anos. Em 2018 foi nomeado diretor-geral pelo ex-presidente Michel Temer.
De acordo com a Polícia Federal (PF), há indícios de que o esquema criminoso no DNIT funcionava há mais de uma década.
Na segunda-feira (14), José da Silva Tiago prestou depoimento à Polícia Federal de Curitiba. O interrogatório ocorreu por videoconferência.
