22 de julho de 2026

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12 por 8? Medicina muda avaliação de riscos em pressão arterial


Por Redação Diário dos Campos Publicado 15/05/2026 às 14h34
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Foto: divulgação

Silenciosa e muitas vezes sem sintomas, a hipertensão arterial segue entre os principais fatores de risco para infarto, AVC, insuficiência renal e doenças cardiovasculares. No Dia Mundial da Hipertensão, lembrado neste domingo, 17/5, especialistas alertam para o avanço da doença no Paraná e reforçam a importância do diagnóstico precoce.

A preocupação ganhou ainda mais atenção em 2026 após a publicação da 9ª Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial. A atualização reforça a atenção para níveis de pressão acima de 120 por 80 mmHg, considerados marcadores de maior risco cardiovascular e que demandam avaliação individualizada e medidas preventivas.

Historicamente tratado como referência ideal, o índice de 120/80 mmHg passou a ser observado com maior cautela diante de estudos que demonstram aumento progressivo do risco cardiovascular mesmo em níveis anteriormente considerados normais.

De acordo com a pesquisa Vigitel 2025, a prevalência da hipertensão entre adultos brasileiros se aproxima de 30%, acompanhando o avanço da obesidade, diabetes e sedentarismo. O maior desafio, porém, ainda está no controle da doença: segundo relatório global da Organização Mundial da Saúde citado pelo Ministério da Saúde, apenas 21% das pessoas hipertensas conseguem manter a pressão arterial controlada. Dados do Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde¹ apontam que os atendimentos relacionados à hipertensão no SUS passaram de 29,8 milhões em 2019 para 61,9 milhões em 2023 no Brasil.

Mais de 2,1 milhões de pessoas têm pressão alta no Paraná

De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), 2.186.861 pessoas convivem com hipertensão arterial no Paraná, com base em dados do início do primeiro trimestre de 2026. Entre janeiro e fevereiro, os atendimentos individuais na Atenção Primária à Saúde (APS) totalizaram 820.959 registros, número superior ao observado no mesmo período de 2025, quando foram contabilizados 804.846 atendimentos.

Além do crescimento no número de casos, especialistas observam mudanças nos critérios de atenção à pressão arterial. Embora o diagnóstico de hipertensão continue sendo estabelecido, na maior parte dos casos, a partir de 140 por 90 mmHg, níveis acima de 130 por 80 mmHg já são considerados associados a maior risco cardiovascular em diferentes diretrizes e contextos clínicos².

Outro dado que preocupa especialistas é a mortalidade associada à doença. Entre 2010 e 2023, cerca de 6% de todos os óbitos registrados no Brasil tiveram associação com hipertensão, segundo o Ministério da Saúde.

Entre os principais fatores associados ao desenvolvimento da doença estão obesidade, sedentarismo, tabagismo, consumo frequente de álcool, estresse e predisposição genética.

O médico do Laboratório Frischmann Aisengart, marca da Dasa, Jaime Kulak, explica que muitos pacientes descobrem a hipertensão apenas após complicações graves.

“A hipertensão costuma evoluir de forma silenciosa durante anos. Muitas vezes, o paciente só descobre a doença após complicações como AVC, infarto ou comprometimento renal. Por isso, acompanhamento preventivo, aferição periódica da pressão e avaliação laboratorial dos fatores de risco são fundamentais”, afirma.

Segundo o médico, além da aferição regular da pressão arterial, exames laboratoriais ajudam a identificar fatores de risco e possíveis causas secundárias da doença. Entre eles está a dosagem de renina, exame utilizado em casos selecionados, principalmente na investigação de hipertensão resistente — quando a pressão não reduz mesmo com o uso de medicamentos. O teste auxilia na identificação de alterações hormonais e problemas relacionados à circulação renal³.

O cardiologista Marcelo Bittencourt, da Dasa Genômica, reforça que o controle da hipertensão depende principalmente de acompanhamento contínuo e mudança de hábitos.

“A hipertensão é uma doença silenciosa, mas com impacto direto sobre coração, cérebro, rins e circulação. O diagnóstico precoce e o controle adequado reduzem significativamente o risco de complicações cardiovasculares graves”, ressalta.

Além dos exames específicos, especialistas recomendam monitoramento periódico com testes como colesterol, glicemia, creatinina, eletrocardiograma e MAPA — monitorização ambulatorial da pressão arterial. Para prevenção, médicos orientam redução do consumo de sal e alimentos ultraprocessados, prática regular de atividade física, controle do peso, abandono do cigarro, moderação no álcool e acompanhamento médico regular. A recomendação do Ministério da Saúde⁵ é que adultos façam aferição da pressão pelo menos uma vez ao ano, mesmo sem sintomas.

Apesar de silenciosa, a hipertensão pode ser identificada precocemente e controlada na maioria dos casos. Especialistas reforçam que diagnóstico precoce, acompanhamento regular e mudanças no estilo de vida continuam sendo as principais estratégias para reduzir mortes cardiovasculares. (Das assessorias)

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Redação Diário dos Campos
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A Redação do Diário dos Campos é composta por uma equipe de jornalistas e colaboradores, que produzem conteúdo de qualidade, com foco especial em Ponta Grossa (PR) e região dos Campos Gerais. O DC foi fundado em 1907 como jornal impresso, e atualmente publica notícias em diferentes plataformas.