Três poemas para homenagear as mães de Ponta Grossa… e do Mundo

Para encerrar este domingo de Dia das Mães, o Diário dos Campos pinçou três, ante centenas de milhares de poemas a elas dedicados, por gente do ramo e por filhos anônimos. Os poemas, em homenagem às mães de Ponta Grossa e do mundo, são de Carlos Drumond de Andrade, Mário Quintana e Alice Ruiz.
MÃE…
São três letras apenas,
As desse nome bendito:
Três letrinhas, nada mais…
E nelas cabe o infinito
E palavra tão pequena – confessam mesmo os ateus –
És do tamanho do céu
E apenas menor do que Deus!
Mario Quintana
– o – o – o –
Para Sempre
Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
– mistério profundo –
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.
Carlos Drummond de Andrade
– o – o – o –
Depois que um corpo
Comporta
Outro corpo
Nenhum coração
Suporta
O pouco
Alice Ruiz
