Ocupação de área particular foi ‘liberada’ pelos órgãos públicos

As famílias que ficaram desalojadas nesta semana após uma reintegração de posse no Jardim Atlanta, bairro Boa Vista, alegam que foram autorizadas a permanecer na área depois de uma autorização que receberam por parte da Prefeitura de Ponta Grossa. Segundo os moradores, no ano passado, representantes da Secretaria de Meio Ambiente realizaram visitas aos moradores, juntamente com ex-vereador Paulo Cenoura.
Cerca de 30 pessoas precisaram sair de suas casas na última terça-feira (11). As famílias estavam morando há cerca de 10 meses em uma área particular. O mandado foi expedido pela 2ª Vara Cível – comarca de Ponta Grossa.
“Vim morar aqui logo depois que eu me separei. No período eleitoral, o vereador Paulo Cenoura e a secretária de Meio Ambiente vieram aqui e garantiram que poderíamos ficar aqui. Além disso, nós temos um termo de autorização para ligação de água e luz. Lembro que o Cenoura ainda disse que se o prefeito fosse reeleito, nós poderíamos permanecer aqui”, alegou o morador Jailson Elvis da Silva.
Dalva Aparecida Pereira, também precisou deixar a sua casa e, segundo ela, o então vereador teria alegado que a família dela poderia continuar naquela área. “Ele me disse: ‘Pode entrar ai que nós damos um jeito’. Nós gastamos dinheiro na construção da casa. Fizemos um banheiro novo. E agora tivemos que quebrar tudo que fizemos com todo esforço. Só queremos um lugar para morar”, disse emocionada.
Ao todo, 14 casas foram desmontadas na manhã de terça. Os moradores carregaram seus móveis e demais pertences em caminhões que foram disponibilizados para que houvesse a mudança. Mesmo que a desocupação tenha ocorrido de forma pacífica, as famílias alegaram que não receberam nenhum ofício para saírem das casas.
As famílias permanecerão alojadas no Ginásio Oscar Pereira até esta quinta-feira (13) e depois serão realocadas pela Secretaria de Assistência Social.
Retorno
A reportagem do Diário dos Campos entrou em contato com o ex-vereador Paulo Cenoura para comentar sobre a permissão que o político teria aos moradores. Por telefone, ele informou que não sabia que a área era de propriedade particular.
“Não tinha conhecimento de que a área era de propriedade particular. Sabia que uma das regiões ali estava regularizada junto à Prefeitura. Além disso, no local não tinham uma placas indicando que havia um proprietário”, disse.
Cenoura disse ainda os moradores o procuraram no gabinete para permanecer na área. “Levei a situação para análise técnica na Secretaria de Meio Ambiente. Sempre agi da maneira correta e só queria ajudar para que estas pessoas não ficassem sem um lugar para morar”, garantiu.
‘Meio Ambiente’
O DC também procurou o secretário de Meio Ambiente, Paulo Barros, para tratar sobre o assunto. De acordo com ele, a primeira medida da pasta será suspender os atos de autorização para ligação de energia na área. “Nós estamos juntando os processos referente a esta situação. Após uma análise mais criteriosa vamos decidir provavelmente pelo cancelamento. A política atual da secretaria é respeitar a propriedade privada e nunca autorizar ligação de água ou energia em áreas de risco”, garantiu.
