Justiça Restaurativa ajudou a reduzir casos de agressão em escola

As práticas também têm sido realizadas em algumas escolas estaduais de Ponta Grossa. Professores e demais profissionais foram capacitados para trabalhar os círculos com os alunos tanto para resolver situações de conflitos, mas também para atuar como forma de prevenção. Um dos colégios pioneiros na cidade a aplicar as técnicas das Práticas Restaurativas é o colégio Borel Du Vernay. De acordo com a juíza Laryssa Muniz, a instituição é conhecida por ter um histórico de brigas frequentes entre os alunos.
“A ferramenta começou a ser aplicada no colégio no ano de 2016. Fizemos uma comparação com as atas de indisciplina da escola e percebemos que o colégio deixou de ser violento e está conseguindo tratar os casos que acontecem”, explica a juíza.
A diretora da escola Claudete Campos Albuquerque e a diretora auxiliar, Adriana Ribeiro Ferreira, passaram pelo curso e destacam as mudanças significativas dentro do ambiente escolar. “Já fui para a delegacia por conta de arrastões dos alunos na escola e por diversas vezes a Patrulha Escolar foi acionada. Depois que realizamos os círculos, os alunos formaram o clube da literatura, clube de meninas, entre outros, para ajudar na solução de conflitos”, diz a diretora.
O estudante de Técnico em Alimentos do Borel, Mateus Henrique da Silva, 16 anos, lembra de como era o colégio antes da aplicação da ferramenta. “O colégio nunca teve uma ‘fama’ muito boa. Se eu saísse com o uniforme na rua, as pessoas nos olhavam de forma diferente por saber que os alunos do colégio eram ‘violentos’. Depois que realizamos o círculo, pude ver que muitos dos meus colegas, que geralmente eu não conversava, tinham os mesmos problemas que os meus. Dessa forma nós nos conhecemos melhor e pudemos entender as diferenças para nos ajudar”, disse o aluno.
