28 de julho de 2026

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Céu de giz


Por dmais Publicado 24/03/2016 às 14h20 Atualizado 23/02/2026 às 18h30
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Alberta acordava de madrugada, arrumava o almoço numa marmita e seguia até o ponto de ônibus. Uma hora depois descia no município vizinho, em frente à escola isolada. Uma única sala com alunos de idades, personalidades e interesses diferentes. Turmas que reuniam do primeiro ao quarto ano do antigo primário. O que passava na cabeça dos alunos? O que ia pela mente da professora? Sem dúvida, algo que perpassava as ideias, seguia pelas terminações nervosas dos braços e das mãos e culminava no giz. Um pedaço cilíndrico e uniforme de material processado que a tudo comportava. Por vezes coloridos em tonalidades tímidas, em outras, nas vibrantes e surpreendentes cores. Se uvas têm cor vinho, hão de serem tingidas, em sua representação, no mais profundo tom. Se o céu é azul, há que se desenhar no radiante celeste. Contas de matemática básica, regras gramaticais, verbos e suas conjugações. A pedra lisa, ardósia trabalhada e pintada, transformava-se na lousa. Temor de alguns, glória para outros, trunfo na mão, literalmente, dos professores mais hábeis. A letra cursiva não permitia ocultar a capacidade adquirida, quem trabalhava à frente do quadro-negro, fazia burilar de si uma grafia bela e harmoniosa, indisfarçável graciosidade. Alberta foi professora primária há 40 anos. Encanta descobrir hoje, em centros de treinamentos empresariais sofisticados e repletos de recursos tecnológicos, ele, o velho quadro-negro ocupando paredes de salas vastas, com seu inseparável giz, anunciando o recanto da oficina de criatividade. Na Pedagogia Waldorf, ramo educacional da Antroposofia, lousas inteiras são desenhadas com esmero artístico, representando temas como as grandes épocas culturais da humanidade. Um pedaço de giz, pequeno que seja, guarda um universo em potencial, não é nanotecnologia, é a magia da capacidade humana.

 

 

Ilustração: Andressa Ivan
Lousa e giz usados para ensinar, criar e aprimorar habilidades artísticas

 

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