Buraco do Padre recebe noite de cultura tropeira durante Festival de Inverno

A imponência da furna, o silêncio da mata ao anoitecer e a revoada das aves já transformam a experiência noturna do Parque de Natureza Buraco do Padre, no Distrito de Itaiacoca, em Ponta Grossa, em um momento único. Neste sábado (25), no entanto, os visitantes serão convidados a fazer uma viagem que vai além da natureza: um encontro com a história, os costumes e a identidade cultural dos Campos Gerais.
Integrando a programação do 1º Festival de Inverno Buraco do Padre, a experiência terá a participação do artista e pesquisador Silvestre Alves, referência na valorização da cultura tropeira paranaense. A proposta vai além de apenas uma apresentação musical, ao proporcionar uma imersão na formação histórica da região por meio de músicas, histórias, sabores e tradições que ajudaram a construir a identidade do Paraná.
A programação terá início no fim da tarde, com uma caminhada até o topo da furna para acompanhar a tradicional revoada das aves ao entardecer. Em seguida, os participantes serão recepcionados no Geo Restaurante com um café campeiro, no qual o artista apresentará seu repertório, o Cancioneiro da Rota, com canções que enaltecem os valores humanos e da natureza. Ao redor da fogueira, Silvestre conduzirá um dos momentos mais aguardados da noite: o preparo do tradicional café tropeiro, feito ao vivo seguindo técnicas utilizadas pelos antigos tropeiros.
Preparado diretamente na brasa, com água aquecida no fogo e café passado de forma artesanal, o método preserva práticas históricas e confere à bebida características próprias, transformando seu preparo em uma experiência cultural e sensorial. Após o preparo, o café será servido aos participantes em um momento de degustação coletiva.
Enquanto o café é preparado, Silvestre apresentará canções autorais e tradicionais acompanhadas de violão, intercaladas por histórias e relatos sobre o tropeirismo e sua importância para a formação do Brasil. A proposta é mostrar como esses homens contribuíram para o desenvolvimento econômico, social e cultural do país, além de despertar um novo olhar para o patrimônio natural que faz parte dos antigos caminhos das tropas, muitos deles preservados até hoje nos Campos Gerais.
Segundo o produtor executivo do Festival de Inverno, Danilo Gabriel, a experiência foi concebida para aproximar os visitantes da identidade cultural da região.
“Quando pensamos essa experiência, queríamos que ela tivesse a cara dos Campos Gerais. Muita gente associa a cultura do Sul apenas à tradição gaúcha, mas o Paraná também tem uma história muito rica, construída pelo tropeirismo, pela erva-mate, pela música, pela poesia e por costumes que nasceram aqui. O Silvestre faz esse trabalho de resgatar e contar essa história de uma forma muito verdadeira. Foi por isso que ele fez tanto sentido para o Buraco do Padre. Queremos que o visitante saia daqui conhecendo não apenas a nossa natureza, mas também a identidade do lugar que está visitando”, diz.
Para Silvestre Alves, a proposta da noite vai além da música e da gastronomia, trata-se de uma oportunidade de reconectar as pessoas com a história e com a paisagem dos Campos Gerais.
“Vamos preparar um café tropeiro autêntico, feito na brasa, como era tradição entre os antigos tropeiros. É um modo de preparo que transforma o café em uma experiência. Enquanto isso, vamos cantar, contar histórias e falar sobre a ancestralidade tropeira, que foi decisiva na formação do Brasil. Fazer isso no Buraco do Padre, em meio à natureza, torna tudo ainda mais especial. Os tropeiros sempre estiveram ligados aos caminhos, às paisagens e aos campos que cruzavam, e nós temos o privilégio de preservar esse patrimônio natural nos Campos Gerais”, relata.
Para o gestor do Parque de Natureza Buraco do Padre, Alvaro Fernandes Dias Filho, iniciativas como essa reforçam o propósito do atrativo de integrar natureza, cultura e patrimônio.
“Quando alguém visita o Buraco do Padre, queremos que conheça não apenas uma das paisagens naturais mais bonitas do Paraná, mas também a história que existe ao redor dela. Os Campos Gerais possuem uma identidade cultural singular, construída por diferentes povos e tradições. Valorizar esse patrimônio é fortalecer o sentimento de pertencimento e oferecer aos visitantes uma experiência que vai muito além da contemplação da natureza”, reforça o gestor.
A noite será encerrada com a contemplação do céu no interior da furna, fechando uma programação que une natureza, memória, gastronomia e cultura em uma experiência que busca revelar aos visitantes uma das riquezas mais autênticas dos Campos Gerais. O ingresso pode ser adquirido no site do atrativo.
