“Onde eu perdi é que vou começar”, declara prefeita reeleita de Ponta Grossa

Reeleita com 53,72% dos votos no domingo (27), a prefeita Elizabeth Schmidt (União) concedeu, na tarde desta segunda-feira (28), entrevista ao portal DCmais e jornal Diário dos Campos. Ela falou sobre relações políticas e desafios do segundo mandato.
Confira os principais trechos da entrevista:
DC – Qual o recado que essa eleição deixa para o cenário político da cidade?
Elizabeth Schmidt – Vou continuar sendo a prefeita e quero convidar a todos para caminharem conosco. Nossa cidade tem que ser pensada para frente, para o futuro. A eleição acabou e quero que todos os deputados federais, estaduais e senadores estejam conosco, trazendo suas emendas.
DC – A partir dos dados do TSE, é possível identificar as regiões da cidade na qual a prefeita foi mais ou foi menos votada. Isso pode ser usado como critério na elaboração de prioridades em seu governo?
E.S. – Na eleição de 2020, existiam regiões que não estavam no mapa da cidade. Regiões que ninguém nunca olhou como San Martin, depois do túnel; vila DER do lado da rodovia, vila Romana, Santa Edwiges, Borato. Não tivemos, por exemplo, a liberação de R$ 21 milhões para fazer a pavimentação. O governador [Ratinho Jr. (PSD)] ainda não liberou e já assinamos o convênio. Falta autorização para fazermos a licitação. Eu sei exatamente onde preciso agir, não preciso nem olhar o mapa das eleições. Vamos colocar todos os bairros no mapa.
DC – No 1º turno, o governador Ratinho Jr. apoiou outro candidato e não manifestou apoio a nenhuma das candidatas no 2° turno. Como será sua relação com ele a partir de agora?
E.S. – Acredito que é normal. Eu ainda estou esperando a ligação do governador. Nem ele e nenhum secretário de estado ligou para mim ainda. E eu sou prefeita da quarta maior cidade do Paraná. Eu sei que Ponta Grossa é importante para ele. E vou lá. Vou pedir liberação dos R$ 21 milhões para o Borato. Vou levar R$ 170 milhões em projetos, pedir várias ações com relação ao hospital Amadeu Puppi para liberar logo a verba para transformá-lo em Hospital Dia. Pedir aumento de efetivo da Polícia Militar, pedir para ele liberar a construção – que sei que está no orçamento do Estado – da Delegacia Cidadã, já demos o terreno atrás da Arena Multiuso, pedir mais uma vez que a Delegacia de Homicídios aconteça de verdade. Ele é governador de Ponta Grossa também, cidade que o ajudou a se reeleger, e não vai virar as costas para nós. Não brigamos; era só um período político.
DC – E como a senhora espera ser recebida?
E.S. – Muito bem, de braços abertos; ele é um gentleman. Eu adoro o governador. Hoje conversei com os prefeitos eleitos nas outras cidades e eu disse para eles: ‘saí do PSD, mas o PSD não saiu de mim’. O União [Brasil] me recebeu como uma fortaleza e, se não fosse o MDB, não teria nem condições de ser candidata. E saio fortalecida com o apoio de 15 vereadores.
DC – A senhora falou do PSD que não sai da senhora. Vai ter espaço para o PSD no seu governo?
E.S. – Olha, nem pensei ainda nesse espaço porque tenho uma equipe que realmente é guerreira, forte, que trabalhou muito, que entregou muito e quando chegar a hora certa, vou falar. A deputada Marcia Huçulak veio espontaneamente me dar apoio e me ajudar, e ela é do PSD. Então a gente já está junto.

DC – A campanha colocou como prioridade a saúde, o que deixa claro que é preciso avançar nesse item. Quais são os seus próximos passos no Executivo nessa área?
E.S. – A LDO [Lei de Diretrizes Orçamentárias] exige que se faça consulta pública das prioridades para o próximo orçamento, e a saúde ficou em primeiro lugar. Nem precisava consultar, a gente já sabe. Já foi nossa prioridade e vai continuar sendo. A lei exige 15% e nós sempre destinamos de 22 a 25% do orçamento para a saúde. Pagamos R$ 400 milhões em dívidas. Em dezembro, vamos entregar a UPA Uvaranas, funcionando já: uma das maiores conquistas da população porque foi feita com nosso dinheiro. Vamos aumentar para cinco as unidades com horário estendido. Isso vai aliviar as UPAs. Temos uma fila de consultas que se agravou com a pandemia e epidemia de dengue e estamos fazendo mutirões em algumas unidades para atender a essa fila, para ir acabando com ela. Todas as ações que vamos tomar tem que estar integradas. Uma das medidas fundamentais a gente já fez. Entregamos a média e alta complexidade para o Estado. A gente quer fazer a gestão plena. Vai ser muito analisado e discutido com os hospitais e médicos.
DC – Qual mensagem a senhora quer passar aos eleitores, tanto aqueles que votaram na senhora quanto aqueles que não votaram?
E.S. – Agradeço aos meus eleitores, os abraços que recebi. Para quem não votou em nós, a página está sendo virada hoje. Vou ser a prefeita de todos os ponta-grossenses. Onde eu perdi é que vou começar. É lá que vocês precisam mais de mim. Não quero o poder pelo poder. Queremos o poder para poder fazer mais pela cidade.
