10 de julho de 2026

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Especialistas analisam cenário do café: quando o preço deve diminuir para o consumidor?


Por Cícero Goytacaz Publicado 13/07/2025 às 11h00 Atualizado 25/02/2026 às 16h43
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Foto: Reprodução/Pixabay

Quando o preço do café vai diminuir? Essa é uma das principais perguntas do consumidor brasileiro. Nuances do mercado internacional e condições climáticas são fatores que contribuem com o cenário atual da cultura do café. Durante a 51ª Expoleite, realizada no início deste mês em Arapoti, o Encontro de Cafeicultores debateu esse cenário, dentro e fora do Brasil. O debate apresentou perspectivas, considerando a volatilidade em que a cafeicultura se insere no mercado interno e externo.

Encontro de Cafeicultores na 51ª Expoleite. Foto: Cícero Goytacaz/DC

O evento contou com palestra de Guilherme Cioccari, consultor em gerenciamento de risco da StoneX, e com uma conversa entre os responsáveis pelo café na Capal Cooperativa, como o coordenador Newton Openheimer e os cafeicultores da região presentes no evento, como Marcelo Teixeira, que conversou com a reportagem do Diário dos Campos.

“Eu fico honrado de ter feito novamente um bate-papo aqui na Expoleite, já estou no quinto ano fazendo esse bate-papo aqui e eu acho que isso é enriquecedor. É o contato que o agricultor pode ter com esses fundamentos. Eu acho que é uma troca de informação. A gente tem a oportunidade de conversar com o produtor ali, após a palestra, é muito oportuno”, comentou Cioccari.

O palestrante sintetizou o conteúdo apresentado e discutido com os cafeicultores, e destacou o ponto principal para entender o cenário do café. “O que fica de destaque para o público e para o cafeicultor é que a gente vive em um mercado volátil. Então, conhecer seu custo e ir defendendo suas margens, eu acho que é o principal ponto diante de tantas questões complicadas, como geopolítica, clima e logística”, completou.

Por que o mercado do café é volátil?

Diversos fatores contribuem para esse mercado volátil, muitas vezes instável e imprevisível, conforme o que foi apresentado no evento. O coordenador de negócios do café da Capal, Newton Openheimer, comentou sobre o impacto disso no consumidor final. “Realmente o café está em alta nesse momento, então a gente percebe que a cadeia de valor do café como um todo ficou levemente enfraquecida. (…) Torradores, trading houses (empresas que atuam em escala global na compra, venda e distribuição) e dealers (intermediários em negociações) lá fora tiveram um custo financeiro bem mais alto do que o normal, isso enfraqueceu um pouco a liquidez das operações e o mercado interno”, detalhou.

Segundo Openheimer, essa alta já está sendo corrigida. “Como somos um país em desenvolvimento, como a commodity teve um aumento superior a 60% na prateleira, pensando no consumidor final, isso obviamente tem trazido uma redução no consumo e consequentemente diminui a demanda, dando uma arrefecida nessa alta de preço”, explicou.

Quando o preço do café deve diminuir?

Para o especialista, como o cenário atual já é de correção da alta do café, os próximos meses serão determinantes. “A cadeia de valor, como um todo, leva a ter um delay para que isso seja ajustado na prateleira, no consumidor final. Então, é evidente que agora existe uma correção, um ajuste um pouco para baixo desses preços, mas isso deve levar pelo menos um semestre para vir a ser repassado para o consumidor final”, analisou.

Produtores atentos à comercialização do café

Marcelo Teixeira dedica sua vida à produção de café e vem de família de cafeicultores. Ele acompanhou o Encontro na Expoleite e destacou ao DC a necessidade do produtor se proteger no mercado. “(A palestra) abre os olhos do produtor para a comercialização, com o mercado volátil ele tem que saber ter o custo, poder travar um pouquinho, como nos foi mostrado na palestra, como a cooperativa mostra, isso é um caminho, você tem que se proteger”, comentou.

“Nós aprendemos a trabalhar com o clima, a gente está no Trópico de Capricórnio, não conseguimos ter um clima controlado e a gente aprendeu a trabalhar com isso. Entendendo isso, de repente muita chuva, muita umidade, acaba até nos ajudando”, acrescentou, com destaque à capacidade do cafeicultor se adaptar ao clima, e também ao mercado.

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Cícero Goytacaz
Cícero Goytacaz

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Ponta Grossa em 2022, repórter de Política do Diário dos Campos. Tem experiência com redação de jornal impresso, sites de notícias, rádio esportivo e transmissões de futebol. Atuou como repórter setorista do Operário Ferroviário Esporte Clube.