
O governo dos Estados Unidos reagiu com forte preocupação à decisão do presidente Lula de autorizar a expulsão do cidadão russo Sergei Vladimirovitch Tcherkasov do território brasileiro. Apontado em investigações conjuntas da Polícia Federal (PF) e do FBI como oficial de alta patente do serviço de inteligência militar da Rússia, Tcherkasov operava internacionalmente há anos utilizando uma identidade falsa: ele “era” o brasileiro Victor Muller Ferreira.
No documento divulgado na quarta-feira (8), o governo comandado por Donald Trump sinalizou que a repatriação imediata do espião representa um duro revés para os esforços globais de contrainteligência e para a cooperação jurídica internacional.
Crítica ao presidente
A diplomacia americana foi enfática ao criticar a medida adotada pelo Palácio do Planalto. Em posicionamento oficial, as autoridades de Washington demonstraram o receio de que a liberação do agente comprometa investigações internacionais em andamento sobre as redes de espionagem do Kremlin.
“Os Estados Unidos estão profundamente preocupados com a decisão do Brasil de permitir que um indivíduo com vínculos conhecidos com a inteligência russa deixe o país”, afirmou o Departamento de Estado dos EUA.
Relembre o caso de Sergei Tcherkasov
O espião Sergey Vladimirovich Cherkasov está preso no Brasil desde 2022, ano em que sua farsa foi descoberta pelas autoridades locais. Ele mantinha uma vida dupla sofisticada na América do Sul e em outros continentes, utilizando certidões e documentos falsificados para se passar por um cidadão nascido no Brasil.
Recentemente, o Ministério Público Federal (MPF) arquivou o inquérito de espionagem que tramitava no país e não viu impedimentos ao pedido de extradição feito formalmente pela Rússia.
Como o russo usava identidade falsa no Brasil quando foi preso, o processo passou por diversas instâncias jurídicas, mas a decisão final sobre a extradição coube exclusivamente ao presidente Lula, que optou por dar o aval para a sua saída.
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