16 de julho de 2026

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Saiba a diferença entre ‘acidente de trânsito X sinistro de trânsito’


Por Portal do Trânsito Publicado 06/05/2025 às 17h21 Atualizado 25/02/2026 às 18h43
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Foto: Portal do Trânsito

Apesar de estar em vigor desde 2021, a substituição do termo “acidente de trânsito” por “sinistro de trânsito” ainda causa estranhamento em muitas pessoas — inclusive entre profissionais da área. A mudança foi oficializada pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) na atualização da norma NBR 10697, e tem um objetivo claro: deixar para trás a ideia de que essas ocorrências são fruto do acaso.

Por que “acidente de trânsito” não é o termo mais adequado?

A palavra “acidente” carrega o sentido de algo imprevisível, inevitável — um acontecimento sem causa definida. Mas estudos mostram o contrário: mais de 90% dos sinistros têm origem em falhas humanas, como imprudência, uso de álcool, excesso de velocidade ou distrações ao volante.

“Ao tratarmos essas tragédias como acidentes, passamos a falsa impressão de que não é possível evitá-las. Mas sabemos que há, sim, responsabilidade e previsibilidade na maioria dos casos”, explicou Flavio Adura, diretor científico da Abramet (Associação Brasileira de Medicina do Tráfego) à época da atualização da NBR.

A mudança de terminologia é simbólica e essencial

A revisão da NBR 10697, publicada em 2021, elimina o entendimento de que o sinistro de trânsito seria “não premeditado” e alinha a linguagem técnica à abordagem moderna de segurança viária, centrada na prevenção de mortes e lesões graves.

A Abramet, que há anos defende essa atualização, considerou a mudança uma conquista. Desde 2017, a própria entidade já havia alterado o nome de seu congresso, deixando de usar o termo “acidente de trânsito” e adotando “Medicina de Tráfego” como expressão central.

“Continuar usando a palavra acidente é ignorar a essência da nossa especialidade médica. O que vemos nas ruas são sinistros evitáveis. A linguagem precisa refletir isso”, afirmou, à época, José Montal, diretor da Associação.

Por que isso ainda importa em 2025?

Mesmo passados quatro anos, boa parte da população ainda não assimilou plenamente a mudança. Relembrar os motivos por trás da alteração é fundamental para:

  • Fortalecer políticas de educação para o trânsito;
  • Incentivar o debate sobre responsabilidade e prevenção;
  • Estimular uma cobertura jornalística mais precisa e alinhada com a realidade;
  • Evitar que a linguagem contribua para a naturalização da violência no trânsito.

Um cenário que exige ação, não descaso

O trânsito brasileiro é um dos mais violentos do mundo. Somente entre 2009 e 2019, mais de 1,6 milhão de pessoas sofreram ferimentos graves em sinistros. Em 2023 (último dado disponível), houve o registro de 34.881 mortes, a maioria de motociclistas.

Diante desses números, não dá para continuar tratando como acaso aquilo que é, em geral, consequência direta de decisões humanas.

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