18 de julho de 2026

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Por que as crianças precisam de tempo sem fazer nada?


Por Das assessorias Publicado 17/01/2025 às 17h37 Atualizado 25/02/2026 às 21h16
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Foto ilustrativa pixabay

Quando uma criança tem tempo para ficar “sem fazer nada”, o que parece ser apenas um momento de tédio é, na verdade, uma oportunidade valiosa para o desenvolvimento do cérebro. 

De acordo com a pedagoga e fundadora da escola Interpares, Deyse Campos, quando o cérebro de uma criança não está ocupado com tarefas ou dispositivos eletrônicos, ele ativa a chamada rede neural padrão. 

Desenvolvimento do cérebro

“Essa rede cerebral entra em ação quando estamos em repouso mental, permitindo que as crianças reflitam sobre experiências passadas, imaginem cenários futuros e desenvolvam  autoconhecimento”, explica.

Momentos de inatividade também fomentam a criatividade. Sem estímulos externos constantes, as crianças precisam inventar formas de se entreter, o que as leva a criar histórias, jogos e até soluções para problemas cotidianos. “A ausência de atividades programadas desafia o desenvolvimento do cérebro a explorar novas possibilidades, fortalecendo conexões neurais relacionadas ao pensamento criativo”, completa a pedagoga.

Além disso, o tédio ajuda no desenvolvimento de habilidades emocionais e sociais. Ao lidar com a sensação de “não saber o que fazer”, a criança aprende a tolerar pequenos desconfortos e a buscar alternativas para preencher o tempo, tornando-se mais resiliente e autônoma. 

Fortalecimento emocional

“Esses momentos são fundamentais para o fortalecimento emocional, porque permitem que as crianças processem o que estão sentindo e aprendam a lidar com estes sentimentos”, afirma Deyse.

Os períodos de inatividade oferecem ao cérebro um tempo necessário para recuperação mental. Assim como o corpo precisa de descanso após atividades intensas, o cérebro infantil também se beneficia de pausas para evitar a fadiga cognitiva e melhorar o foco em tarefas futuras.

Dessa forma, ao contrário do que muitos imaginam, manter os pequenos constantemente envolvidos em atividades estruturadas e estimulantes pode limitar sua capacidade de explorar o mundo e criar soluções originais para desafios do dia a dia.

“Muitos pais se preocupam com a falta de atividades, mas é importante entender que o ócio também é uma forma de cuidado”, alerta. Pesquisas apontam que o excesso de atividades planejadas pode levar à fadiga mental e ao esgotamento emocional das crianças. Isso ocorre porque o espaço para momentos de calmaria e introspecção é frequentemente negligenciado. 

“Permitir que a criança experimente períodos livres não significa abandono ou descuido. Pelo contrário, é uma forma de oferecer espaço para ela exercer sua liberdade criativa e se conectar consigo mesma”, afirma a especialista.

Nas escolas, o ócio criativo pode ser promovido através da organização de espaços e momentos não dirigidos. Por exemplo, criar “cantos de imaginação” ou áreas abertas onde as crianças possam explorar materiais variados sem um objetivo predeterminado incentiva a colaboração entre os alunos e o desenvolvimento de soluções criativas em grupo. 

“No caso da Interpares, uma das estratégias que usamos é observar o tempo e a disposição de cada criança ao longo do dia, trazendo-as para atividades pedagógicas nos momentos de maior energia e interesse e dando espaço e liberdade para o ócio em tempos intercalados a esses”, explica Deyse.

Ela explica que esses contextos permitem que o aprendizado aconteça de maneira natural e interativa, promovendo uma educação ajuda no desenvolvimento do cérebro que valoriza a autonomia e o protagonismo infantil. “Dar espaço ao tédio é dar asas à imaginação”, finaliza a pedagoga.

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