15 de julho de 2026

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O que faz uma neuropsicopedagoga? O DC te conta


Por Matheus Dias Publicado 15/07/2026 às 09h18
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Neuropsicopedagogia em debate
Foto ilustrativa. Crédito: Ponce Photography/Pixabay.

Neuropsicopedagogia: 19 letras de uma área que reúne em si três setores fundamentais para o crescimento cognitivo infantil. Quando dificuldades começam a afetar o desempenho escolar ou o desenvolvimento, a neuropsicopedagoga pode ser uma aliada na identificação das causas e nas estratégias de aprendizagem. Em PG, uma pedagoga chegou a moldar sua carreira às necessidades do filho autista.

O que faz a neuropsicopedagoga

Segundo a neuropsicopedagoga Josiane Andrade, a área reúne conhecimentos da neurociência, da psicologia cognitiva e da pedagogia. “A neuropsicopedagogia é a junção de três áreas importantes: a neurociência cognitiva, que estuda como o sistema nervoso e o cérebro funcionam; a psicologia cognitiva, que analisa como adquirimos e processamos informações; e a pedagogia, que transforma esse conhecimento científico em metodologias de ensino e práticas que promovem uma educação inclusiva e eficaz”, explica.

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Josiane destaca que é importante diferenciar a neuropsicopedagogia clínica da institucional. “A neuropsicopedagogia clínica realiza avaliação e intervenção em consultórios e clínicas, enquanto a institucional é mais voltada para o trabalho nas escolas”, afirma.

Na avaliação clínica, o profissional utiliza testes específicos, observações, anamnese com a família, visitas à escola e outros instrumentos para compreender as dificuldades apresentadas pela criança. Ao final do processo, é elaborado um relatório com uma hipótese diagnóstica, que pode indicar sinais de condições como Transtorno do Espectro Autista (TEA), TDAH ou dislexia.

“O relatório apresenta uma hipótese diagnóstica, mas quem confirma o diagnóstico e emite o laudo é o neuropediatra. Só ele está apto a laudar a criança”, ressalta Josiane.

Ela lembra, porém, que nem toda dificuldade escolar está relacionada a um transtorno do neurodesenvolvimento. “Pode ser que a criança esteja tendo dificuldades porque não enxerga bem, porque apresenta ansiedade ou outra condição. Nesses casos, ela é encaminhada para especialistas como fonoaudiólogos, psicólogos ou oftalmologistas.”

Quando a criança já possui diagnóstico médico, inicia-se a intervenção terapêutica. “A profissional estuda o caso com base nos relatórios e no laudo médico e cria um plano de intervenção estruturado, com atividades lúdicas e de estimulação para que a criança consiga evoluir nas fragilidades apresentadas”, explica.

Além de favorecer a aprendizagem, a neuropsicopedagogia também fortalece a autonomia da criança e orienta as famílias. “A profissão consegue identificar dificuldades específicas e criar estímulos personalizados, garantindo que a criança aprenda no seu próprio ritmo. Também ajuda os pais a utilizarem técnicas de estimulação adequadas em casa”, destaca Josiane.

Ela orienta que os pais procurem avaliação quando perceberem dificuldades persistentes na aprendizagem, atraso na fala, desatenção excessiva, problemas de leitura, escrita ou matemática, dificuldades de memorização, isolamento social, desorganização extrema ou crises de ansiedade relacionadas ao ambiente escolar.

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Neuropsicopedagoga Josiane Andrade atende em Ponta Grossa. Foto: acervo pessoal.

Necessidade que virou profissão e paixão

A neuropsicopedagoga Maria Claudia Orlovski Ogawa chegou à profissão por uma experiência pessoal. Após o diagnóstico de autismo do filho, ela buscou as terapias recomendadas pelo médico, mas encontrou limitações no atendimento pelo plano de saúde.

“Quando tive o diagnóstico do meu filho, comecei a procurar as terapias que o médico prescreveu, porém o convênio não cobria neuropsicopedagoga. Como eu já era pedagoga, pensei em eu ser a terapeuta do meu filho”, conta.

O que começou como uma necessidade acabou se tornando uma nova profissão. “Foi muito mais que isso. Me apaixonei por tudo que a neuropsicopedagogia poderia fazer pela criança neurodivergente e por como ela abraça a pedagogia, a psicologia e a neurociência, principalmente a neurociência que trabalha com base em evidências”, afirma.

Hoje, Maria Claudia diz que a especialização transformou não apenas a vida de sua família, mas também sua atuação profissional. “Hoje, com a neuropsicopedagogia, consigo ajudar meus filhos e outras pessoas também”, conclui.

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Matheus Dias
Matheus Dias

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Ponta Grossa e Mestre em Comunicação pela Universidade Federal do Paraná. Ex-foca do jornal O Estado de S. Paulo e repórter do DC desde 2022. Tem experiência na comunicação corporativa e na assessoria de imprensa de setores público e privado. Apaixonado por histórias e esportes.