Medicamento à base de cannabis causa dependência?


Por Redação Diário dos Campos
Profissional com luvas roxas de látex manuseia muda de Cannabis sativa

Foto: Pfüderi / Pixabay

Profissional com luvas roxas de látex manuseia muda de Cannabis sativa
Foto: Pfüderi / Pixabay

O aumento do uso da Cannabis sativa para fins medicinais tem levantado preocupações sobre o risco de vício. No entanto, especialistas e órgãos de saúde esclarecem que o potencial de dependência está diretamente ligado à composição química do produto, especificamente à presença e concentração do Tetrahidrocanabinol (THC) em relação ao Canabidiol (CBD).

O Canabidiol (CBD): segurança e ausência de vício

O CBD é o componente mais abundante em muitas cepas de cannabis medicinal e não possui propriedades psicoativas. Segundo o Comitê de Especialistas em Dependência de Drogas da Organização Mundial da Saúde (OMS), o CBD puro não apresenta potencial de abuso ou danos à saúde pública semelhantes às substâncias controladas.

Diferentes estudos demonstram que o CBD não causa dependência, não produz efeitos de euforia e é bem tolerado pelo organismo humano, mesmo em doses elevadas e uso crônico. Pelo contrário, o CBD tem sido estudado por sua capacidade de reduzir a ansiedade e controlar convulsões em epilepsias graves sem o risco de vício.

O fator de risco: Tetrahidrocanabinol (THC)

A situação é diferente quando o medicamento possui altas concentrações de THC, que é a principal substância intoxicante da planta. De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde, o THC é o único canabinoide capaz de causar dependência química nos usuários.

O uso crônico e frequente de produtos ricos em THC pode levar a neuroadaptações no cérebro e ao desenvolvimento da síndrome de abstinência, caracterizada por irritabilidade, insônia, ansiedade e perda de apetite quando o consumo é interrompido.

Regulação da ANVISA e rotulagem de segurança

Para proteger os pacientes, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), através da Resolução 327/2019, estabeleceu normas rígidas de rotulagem baseadas no teor de THC:

Parecer histórico e científico

A segurança dos canabinoides, especialmente do CBD, é documentada desde os anos 1970 e 1980, com estudos do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópica. O grupo de pesquisa do professor Elisaldo Carlini, pioneiro no Brasil, já demonstrava que o CBD puro não apresentava toxicidade significativa nem efeitos psicotrópicos em pacientes com epilepsia.

Em conclusão, os especialistas afirmam que, enquanto os medicamentos isolados de CBD são considerados seguros e livres de potencial de vício, os produtos que contêm teores significativos de THC exigem monitoramento médico rigoroso devido ao risco de dependência e outros efeitos colaterais psicológicos.

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