18 de julho de 2026

Nós usamos cookies e outras tecnologias semelhantes para melhorar a sua experiência no portal e personalizar a publicidade exibida. Ao continuar navegando, você concorda com este monitoramento. Leia mais na nossa Política de privacidade.

IMC deixará de ser parâmetro para tratamento da obesidade


Por Das assessorias Publicado 20/01/2025 às 17h49 Atualizado 25/02/2026 às 21h12
Ouvir: 00:00
Nova avaliação de obesidade não considera somente a relação peso x altura dada pelo IMC. Agora, outras questões de saúde são analisadas. (Foto: Divulgação / André Vianna)

Por décadas, o Índice de Massa Corporal (IMC) foi usado como principal ferramenta de diagnóstico da obesidade e determinar tratamentos. Criado em 1970 pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o cálculo simples – peso dividido pela altura ao quadrado – foi amplamente adotado em consultórios médicos e políticas públicas. No entanto, ele sempre gerou questionamentos por parte de especialistas.

O problema? O IMC não diferencia a composição corporal. Uma pessoa com IMC acima de 30, considerado obesidade, pode ter excesso de gordura (seja ela distribuída pelo corpo ou concentrada no abdômen, esta sim muito perigosa à saúde), enquanto outra pessoa, com o mesmo índice, pode ser um atleta com alta massa muscular (massa magra). Também não distingue um idoso, com baixa massa muscular, ou as etnias, como as populações asiáticas, mais propensas a problemas metabólicos mesmo com IMC baixo.

Agora, uma comissão formada por médicos e pacientes, com apoio da revista científica The Lancetpropôs novas diretrizes para diagnosticar a obesidade, reconhecendo-a como uma doença crônica e contínua, e não apenas como um fator de risco.

“O novo modelo avalia a obesidade como uma doença que pode impactar múltiplos órgãos, independentemente da saúde metabólica. É um avanço importante para personalizar tratamentos e encarar o problema com mais precisão”, afirma o endocrinologista André Vianna, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes.

O que muda no diagnóstico da obesidade?

De acordo com as novas diretrizes, o diagnóstico da obesidade clínica não se baseará exclusivamente no IMC. A avaliação passa a considerar múltiplos critérios que incluem:

  • Excesso de adiposidade confirmado por medidas como circunferência da cintura ou porcentagem de gordura corporal e como essa gordura está distribuída no corpo.
  • Impacto funcional nos órgãos: sinais de disfunções em sistemas como o cardiovascular, respiratório, musculoesquelético, reprodutivo, urinário e metabólico.
  • Limitações nas atividades diárias: dificuldade para realizar tarefas básicas, como andar, tomar banho, ou vestir-se, ajustadas à idade do paciente.

A partir de agora, o médico deve considerar no diagnóstico sintomas como: apneia do sono; insuficiência cardíaca; bem como batimentos irregulares do coração e palpitações; dores de cabeça frequentes; falta de ar; perda de visão; pernas inchadas, bem como coágulos nas veias das pernas (trombose venosa); cansaço; hipertensão; colesterol ou triglicerídeos altos; gordura no fígado (esteatose hepática); diabetes tipo 2; dislipidemia; excesso de albumina na urina e escapes de urina frequentes; linfedema; dores articulares, especialmente nos joelhos e na bacia; problemas reprodutivos em homens e mulheres; menstruação irregular ou ovário policístico; além de problemas de locomoção.

Quando são detectados alguns ou vários destes problemas, deve-se avaliar que eles podem ter sido gerados pelo excesso de gordura. E assim, chega-se ao diagnóstico de obesidade clínica. Esses critérios tornam a abordagem mais abrangente, permitindo diagnosticar casos em que o IMC é enganoso.

Há pessoas que vivem bem com excesso de adiposidade até o fim da vida, pois a gordura corporal não trouxe prejuízos ao organismo. Bem como crianças e adolescentes podem manifestar problemas logo cedo.

Novos estágios da obesidade

As diretrizes também introduzem termos como obesidade pré-clínica e pré-obesidade, que ajudam a categorizar melhor o problema:

  • Pré-obesidade: estágios iniciais de aumento de peso e adiposidade, mas sem comprometimento significativo da saúde.
  • Obesidade pré-clínica: excesso de gordura já presente, mas sem sinais evidentes de disfunção nos órgãos.
  • Obesidade clínica: definida pela combinação de excesso de gordura e sinais claros de prejuízo à saúde, como dores articulares, apnéia do sono ou problemas cardiovasculares.

Essa nova abordagem ajuda a separar obesidade de outras condições, permitindo tratamentos mais direcionados e eficazes. “O diagnóstico da obesidade precisa ir além de números. Devemos olhar para o paciente de forma integral, considerando sua composição corporal, sintomas e qualidade de vida”, reforça o endocrinologista André Vianna.

Participe do grupo e receba as principais notícias da sua região na palma da sua mão.

Entre no grupo Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do WhatsApp.