17 de julho de 2026

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Fora do grupo de risco, 899 bebês morreram pela covid no Brasil em 2020


Por Estadão Conteúdo Publicado 31/03/2021 às 16h15 Atualizado 21/02/2026 às 15h04
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Agência Brasil

Ao menos 899 bebês com menos de 1 ano de idade morreram ano passado no País vítimas de covid-19 – um dos maiores números do mundo nesta faixa etária. O dado consta do Painel de Excesso de Mortalidade no Brasil e foi divulgado pela organização de saúde Vital Strategies. Como bebês não são grupo de risco da doença, especialistas acreditam que a falta de protocolos de atendimento para grávidas e recém-nascidos e fragilidades do sistema de saúde explicam a elevada quantidade de óbitos.

“O número de mortes entre bebês é absurdo, um massacre”, diz a epidemiologista Fátima Marinho, consultora da Vital Strategies e responsável pelo levantamento. “Não houve nenhum protocolo para atendimento de gestantes e recém-nascidos, não houve alerta para obstetras, pediatras, não se separou hospitais de referência para gestantes com covid-19, não houve nada para organizar e orientar os atendimentos”, afirma. “Teve casos de parto em gestantes intubadas na UTI”. Assim como ocorre com a maior parte das vítimas adultas, o comprometimento dos pulmões causado pelo vírus leva os bebês à morte.

O número de bebês mortos no Brasil em decorrência do novo coronavírus é baixo quando comparado ao total de óbitos em outras faixas etárias. Já está estabelecido pela ciência que crianças são menos vulneráveis à covid, e os mais velhos estão entre os mais suscetíveis. O dado, porém, se destaca quando comparado aos da mesma faixa etária em outros países, revelando mortes que seriam evitáveis.

O número brasileiro é quase dez vezes o registrado, por exemplo, para o grupo de 0 a 18 anos nos Estados Unidos, país com mais mortes pela covid (com cerca de 544 mil vítimas, ante quase 318 mil no Brasil). Dados do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC, na sigla em inglês) registram só 103 mortes pela doença naquela faixa etária (incluídos bebês) em 2020. O Brasil também apresenta excesso de internações de bebês (até 1 ano) pela covid. No ano passado foram 11.996.

Estudo de julho da International Journal of Gynecology and Obstetrics já tinha mostrado que o total de grávidas mortas no Brasil por covid também era um dos mais altos do mundo. Das 160 mortes de gestantes em todo o mundo entre o início da pandemia e junho, 124 foram no Brasil. O 2.º lugar era dos EUA, com 16 óbitos.

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