16 de julho de 2026

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Abrasel vê proposta de jornada por horas como alternativa à proibição da escala 6×1


Por Redação Diário dos Campos Publicado 29/05/2026 às 09h59
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Foto: Ilustração

A Abrasel avalia como uma alternativa positiva a proposta apresentada no Senado que permite ao trabalhador optar por um regime de jornada baseado em horas trabalhadas. A medida surge como uma forma de viabilizar o debate sobre a organização da jornada, ao abrir espaço para atender, ao mesmo tempo, às necessidades dos trabalhadores e às características de setores com funcionamento contínuo ou com forte variação de demanda. A proposta já foi apresentada e acolhida pela casa com o apoio de 36 senadores, número que deve ser ampliado com a coleta de novas assinaturas.

Na avaliação da entidade, o texto de iniciativa do senador Rogério Marinho introduz um elemento novo ao permitir que o próprio trabalhador escolha entre o regime tradicional da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e uma jornada flexível, com remuneração proporcional às horas efetivamente trabalhadas e preservação dos direitos trabalhistas.

Para o presidente da Abrasel, Paulo Solmucci, a proposta responde a uma demanda crescente por maior flexibilidade na relação de trabalho. Segundo ele, a possibilidade de definir a jornada conforme as necessidades individuais pode beneficiar tanto quem busca mais tempo disponível quanto quem deseja ampliar a renda. “A proposta permite que o trabalhador participe da escolha e ajuste sua jornada de acordo com seus objetivos, seja priorizar a família, organizar melhor a rotina ou ampliar a renda, sem abrir mão de direitos”, afirma.

O texto em discussão no Senado estabelece que o valor da hora trabalhada deve respeitar um piso vinculado ao salário mínimo ou à remuneração da categoria, além de prever que benefícios como férias, décimo terceiro salário e FGTS sejam calculados de forma proporcional à carga horária.

Outro ponto destacado pela Abrasel é a possibilidade de formalizar arranjos de jornada mais flexíveis por meio de contrato, inclusive com previsão de acordos individuais, o que, na visão da entidade, já reflete práticas existentes no setor, mas que nem sempre encontram segurança jurídica suficiente.

A entidade faz fortes ressalvas ao modelo aprovado na Câmara, que, segundo sua avaliação, ao proibir de forma ampla a escala 6×1 e limitar as possibilidades de organização da jornada, reduz a capacidade de adaptação das empresas e desconsidera a diversidade de preferências dos próprios trabalhadores. Para a Abrasel, essa abordagem pode acabar restringindo oportunidades para quem deseja jornadas mais flexíveis ou maior volume de horas, além de dificultar a organização de serviços essenciais e atividades com picos de demanda, com impacto potencial sobre a geração de empregos formais.

Solmucci afirma que o debate precisa considerar os efeitos práticos sobre o mercado de trabalho. “Quando a legislação não acompanha a realidade da operação, o resultado costuma ser menos contratação formal. Tanto que nenhum país do mundo adota em lei a proibição da escala 6×1. O desafio é garantir proteção sem engessar”, diz. (Das assessorias)

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Redação Diário dos Campos
Redação Diário dos Campos

A Redação do Diário dos Campos é composta por uma equipe de jornalistas e colaboradores, que produzem conteúdo de qualidade, com foco especial em Ponta Grossa (PR) e região dos Campos Gerais. O DC foi fundado em 1907 como jornal impresso, e atualmente publica notícias em diferentes plataformas.