09 de julho de 2026

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Quem foi Germano Koch ? 


Por MARIA LOURDES OSTERNACH PEDROSO Publicado 15/02/2025 às 23h13 Atualizado 25/02/2026 às 20h30
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Ranchos dos imigrantes próximos de Irati, no início do século XX (acervo Carlos M. F. Neto).

1ª. Parte

Largo do Rosário, circa de 1910. Foto Weiss (acervo de Carlos M. Fontes Neto)

MARIA LOURDES OSTERNACH PEDROSO

      É interessante observar como qualquer uma das grandes nações têm um povo coeso e, parece-me, o liame que os une é o conhecimento do próprio passado, o respeito pelas mesmas tradições e por ser assim, também lutam pelos mesmos ideais. Infelizmente os brasileiros e em particular nós, os ponta-grossenses, quase nada conhecemos das nossas raízes, portanto é natural a falta deum sadio orgulho de nacionalidade.

      O que é que os princesinos sabem de sua gente antiga, dos construtores desta cidade que agora nos abriga? Quase nada! Porém, por aqui passaram homens de valor e entre eles estiveram alguns artistas admiráveis, estes deixaram muito encanto perdido aí pelos velhos sótãos e porões, trescalando a bolor, das velhas casas sempre fechadas.

       Para começar é bom lembrar o nome de um imigrante chegado de longe, veio e coloriu o mundo circunspecto da vida princesina do começo do século XX, chamava-se Germano Koch.

       Germano Koch nasceu em 15 de abril de 1976 na localidade de Peine, próximo a Hanover na Alemanha. Ao passar, certo dia, por um escritório de imigração do governo brasileiro, se encantou com as paisagens belíssimas do Brasil. Acreditou sinceramente que havia descoberto o paraíso. Voltou para casa animadíssimo e vendeu tudo o que não podia transportar e embarcou com a família para o Novo Mundo. Chegaram em 1909, e foram encaminhados para a Colônia Gonçalves Junior, próxima a Irati, numa região de mata inóspita. Cada família de imigrantes recebia um lote com um ranchinho coberto de tabuinhas.  Germano Koch Jr. ainda guardava, anos atrás, um quadro a óleo de seu pai no qual estava retratado o quinhão que lhe coubera na Colônia.

        Justamente naquele ano, o de chegada dos imigrantes, ocorreu a famosa praga cíclica dos ratos que, coincidindo com afloração da taquara, afligia de tempos em tempos toda a região. Nada que fosse comestível escapava da voracidade dos roedores.

       A destruição provocada pela praga dos ratos foi tão grande que a fome acabou por se tornar o estado comum de toda aquela gente estrangeira da Colônia. Os Koch chegaram ao ponto de desenterrar as sementes das batatinhas que eles mesmo tinham plantado para minimizar a fome implacável.

       Como não bastasse associar-se aos alimentos das pessoas, os ratos ainda emporcalhavam tudo que sobrava, e a consequência inevitável foi uma epidemia de febre alta que ceifou a vida de muita gente. Os Koch não foram exceção, perderam o caçulinha. Diante desta tragédia, Germano, transtornado, decidiu partir para algum centro maior, onde pudesse ganhar o suficiente para regressar a sua terra natal. Já não tinha quase mais dinheiro nenhum, deu um de seus poucos bens que ainda conservava, uma máquina de costura, em pagamento ao condutor do carroção que transportou a família até a estação ferroviária de Irati. Com os últimos trocados comprou passagens para Ponta Grossa.

        Desembarcaram em nossa cidade, na estação de Vila Oficinas, na terça feira de Carnaval de 1910.

        Num terreno da Avenida Visconde de Mauá, onde hoje se encontra a Escola Professor Collares, se erguia o barracão de madeira onde funcionava a Hospedaria do Imigrante. Neste local ficavam alojadas as levas de imigrantes que chegavam, enquanto aguardavam o destino definitivo que teriam.

        Na ocasião da chegada dos Koch o barracão estava desocupado, portanto se encontrava fechado. Germano precisando abrigar o que lhe restava da família, sem dinheiro e sem ter a quem recorrer, não teve dúvidas, meteu o ombro na porta e arrombou-a. No que se instalaram apareceu um guardião que quis discutir. Aliás, discutiram para valer, mas ninguém entendeu ninguém pois um não conhecia a língua do outro. Depois de muita gritaria o guardião desistiu e deixou a família ficar, com certeza condoído pela visível carência das mulheres e crianças.

        Neste mesmo dia, levando seu estojo de materiais de pintura (que era seu bem mais precioso), Koch seguiu pela linha do trem até o centro da cidade. Sempre perguntando, por meio de gestos, onde poderia encontrar um pintor, acabou chegando numa casa do Largo do Rosário, localizada mais ou menos em frente de onde atualmente se encontra a Concha Acústica. Ali viu, sobre um andaime, um homem pintando a fachada da casa. Sempre com gestos, tentou vender-lhe o estojo que levava. Para sua surpresa e alegria o homem respondeu-lhe em alemão. Era o Büchner, filho de imigrantes germanos (continua na próxima semana).

Maria Lourdes é professora e pesquisadora formada em História pela Faculdade de Filosofia de Ciências e Letras de Ponta Grossa e tem diversas obras editadas. É membro do Instituto Histórico, Geográfico e Etnográfico Paranaense, do Centro Cultural Prof. Faris Michaele e é fundadora da cadeira 37 da Academia de Letras dos Campos Gerais.

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Publicado 19/06/2026 às 00h00

Gosto de pensar nas coisas que já passaram por minha cidade tão querida. De algumas não sinto saudades, mas de…


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