Mais de um século de Carnaval em Ponta Grossa; conheça a história

"Na loja Âncora de Ouro estrugiam buzinas, Rufos de Zé Pereira, animando a folia, Vendendo Rodo e Vlan1, e muita fantasia”. Reinaldo Ribas Silveira, 1963


Por Redação Diário dos Campos
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Preparativos para o corso de 1926 na rua XV (Foto Weiss).

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Preparativos para o corso de 1926 na rua XV (Foto Weiss).

As primeiras referências ao carnaval em Ponta Grossa surgem relacionadas ao antigo Teatro Sant’Ana, localizado na Rua das Tropas, na segunda metade do século XIX. Tratava-se de uma festividade restrita, frequentada pela elite da cidade, e não era considerada uma celebração propriamente familiar, conforme relata a historiadora Aída Mansani Lavalle.

Com a virada do século, o que surgiu nos salões e camarotes do teatro ganhou as ruas com blocos fantasiados, sob o nome de entrudo. O entrudo era considerado uma manifestação mais grosseira e popular, marcada pelo costume de promover batalhas com “laranjinhas” feitas de cera e cheias de água perfumada.

Bloco com carro ornamentado para o corso de 1926 na rua XV (Foto Weiss).

Foi por volta dos anos 1910 que o costume de promover corsos na Rua XV tomou corpo. O corso representava um Carnaval mais organizado, com desfiles de carros alegóricos ao som de marchinhas carnavalescas.

Na década de 1920, surgiram os grandes bailes de Carnaval nos clubes Campos Gerais, Germânia, Verde, Democrata, 13 de Maio e 28 de Setembro.

Carnaval de 1935 (Fonte: Álbum de Ponta Grossa, 1936).

A ornamentação dos salões era primorosa, denotando luxo e criatividade, com destaque para Alois Weiss, responsável pela decoração do Clube Verde. Já o corso ficava sob a responsabilidade de Emílio Barbieri, que ornamentava os carros alegóricos.

Carol Ferreira conquistou o primeiro lugar no concurso de fantasias do Clube Pontagrossense, no carnaval de 1941, com a fantasia “Princesa Russa”. (Fonte: Um Clube na Colina – O Clube Ponta Lagoa, de Aída Mansani Lavalle).

Emília Voigt (rainha do Carnaval de 1938) consagrou-se como a primeira rainha do carnaval representando um clube mais popular. Pela primeira vez, uma candidata de um clube dessa natureza era eleita, o que levou os clubes Germânia, Thalia e Sírio-Libanês a boicotarem o desfile do corso em protesto. Até então, eram os clubes considerados de elite que costumavam reinar absolutos.

Bloco carnavalesco, início dos anos 1940. Álbum de fotografias de Didi Doná (Acervo da Academia de Letras dos Campos Gerais).

O concurso de Rainha do Carnaval era promovido pelo jornal Diário dos Campos. A eleição era realizada por meio de um cupom impresso no próprio jornal: quem o adquiria preenchia-o com o nome da candidata e o depositava em uma urna instalada na sede do periódico.

A apuração tornava-se um verdadeiro acontecimento, sendo realizada no prédio do jornal, com a presença das torcidas.

Emilia Voigt, rainha do Carnaval Ponta-grossense de 1938, pelo Clube Verde ( Fonte: Clube Princesa dos Campos – 100 anos, de  Maristela Iurk Batista)

O Carnaval de rua surgia na Rua XV e seguia até a Praça da Catedral, onde as bandas animavam a população. Ao final, todos se dirigiam às noites de baile em seus respectivos clubes. Nas décadas seguintes, ainda, os concursos de fantasias iriam consagrar personalidades da cena cultural da cidade, como por exemplo a professora Carol Ferreira.

A Rua XV estava esplendida. Uma enorme multidão se comprimia ávida de goso, e extensa fila de carros e automóveis, repletos de moças e rapazes fantasiados, percorria a rua sob um chuveiro multicor de serpentinas”. Diário dos Campos de 14/02/1923. Nos últimos anos, o carnaval foi devolvido à Rua XV, com blocos animados que se reúnem no local onde nasceu o Carnaval Ponta-grossense

Notas: agradecimentos à professora Aída Mansani Lavalle pelo esplendido material bibliográfico que possibilitou montar um painel da evolução do nosso carnaval.
¹ Rodo e Vlan eram marcas de lança perfumes, que eram vendidos na loja Âncora de Ouro.

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