
As primeiras referências ao carnaval em Ponta Grossa surgem relacionadas ao antigo Teatro Sant’Ana, localizado na Rua das Tropas, na segunda metade do século XIX. Tratava-se de uma festividade restrita, frequentada pela elite da cidade, e não era considerada uma celebração propriamente familiar, conforme relata a historiadora Aída Mansani Lavalle.
Com a virada do século, o que surgiu nos salões e camarotes do teatro ganhou as ruas com blocos fantasiados, sob o nome de entrudo. O entrudo era considerado uma manifestação mais grosseira e popular, marcada pelo costume de promover batalhas com “laranjinhas” feitas de cera e cheias de água perfumada.
Foi por volta dos anos 1910 que o costume de promover corsos na Rua XV tomou corpo. O corso representava um Carnaval mais organizado, com desfiles de carros alegóricos ao som de marchinhas carnavalescas.
Na década de 1920, surgiram os grandes bailes de Carnaval nos clubes Campos Gerais, Germânia, Verde, Democrata, 13 de Maio e 28 de Setembro.
A ornamentação dos salões era primorosa, denotando luxo e criatividade, com destaque para Alois Weiss, responsável pela decoração do Clube Verde. Já o corso ficava sob a responsabilidade de Emílio Barbieri, que ornamentava os carros alegóricos.
Emília Voigt (rainha do Carnaval de 1938) consagrou-se como a primeira rainha do carnaval representando um clube mais popular. Pela primeira vez, uma candidata de um clube dessa natureza era eleita, o que levou os clubes Germânia, Thalia e Sírio-Libanês a boicotarem o desfile do corso em protesto. Até então, eram os clubes considerados de elite que costumavam reinar absolutos.
O concurso de Rainha do Carnaval era promovido pelo jornal Diário dos Campos. A eleição era realizada por meio de um cupom impresso no próprio jornal: quem o adquiria preenchia-o com o nome da candidata e o depositava em uma urna instalada na sede do periódico.
A apuração tornava-se um verdadeiro acontecimento, sendo realizada no prédio do jornal, com a presença das torcidas.
O Carnaval de rua surgia na Rua XV e seguia até a Praça da Catedral, onde as bandas animavam a população. Ao final, todos se dirigiam às noites de baile em seus respectivos clubes. Nas décadas seguintes, ainda, os concursos de fantasias iriam consagrar personalidades da cena cultural da cidade, como por exemplo a professora Carol Ferreira.
“A Rua XV estava esplendida. Uma enorme multidão se comprimia ávida de goso, e extensa fila de carros e automóveis, repletos de moças e rapazes fantasiados, percorria a rua sob um chuveiro multicor de serpentinas”. Diário dos Campos de 14/02/1923. Nos últimos anos, o carnaval foi devolvido à Rua XV, com blocos animados que se reúnem no local onde nasceu o Carnaval Ponta-grossense
Notas: agradecimentos à professora Aída Mansani Lavalle pelo esplendido material bibliográfico que possibilitou montar um painel da evolução do nosso carnaval.
¹ Rodo e Vlan eram marcas de lança perfumes, que eram vendidos na loja Âncora de Ouro.
