2025 em Foco:Memória, Pesquisa e Identidade Cultural


Por Redação Diário dos Campos

Maria Lourdes Osternach Pedroso, José Tadeu T. de Siqueira, André Moreira Rodrigues, Isolde Maria Waldmann, Aída Mansani Lavalle, Marcelo Salzqueber, José Luiz Pinto Pereira, Renato van Wilpe Bach e Douglas Passoni de Oliveira

Maria Lourdes Osternach Pedroso, José Tadeu T. de Siqueira, André Moreira Rodrigues, Isolde Maria Waldmann, Aída Mansani Lavalle, Marcelo Salzqueber, José Luiz Pinto Pereira, Renato van Wilpe Bach e Douglas Passoni de Oliveira

Em 2025 a coluna Sherlock Holmes Cultura observou nossa cena cultural como quem investiga pistas. A cada semana, todos os meses, procurou trazer para os leitores aspectos e histórias que destacaram a identidade e a memória da cidade e dos Campos Gerais. As manifestações e produções, de diversos autores que colaboraram, foram analisadas não apenas como entretenimento, mas como resgate da nossa memória.

Sempre procurando manter um olhar atento aos detalhes e incentivando uma escrita investigativa e analítica, reunimos colaboradores que formaram um mosaico cuja linha de condução foi a conexão com nossa identidade cultural.

Como não se surpreender com as descobertas que pudemos fazer ao recebermos a primeira contribuição do ano, da professora Maria Lourdes Osternach Pedroso, que nos indicou o local em que eram alojados os imigrantes que chegavam na cidade no século XIX:

“Num terreno da Avenida Visconde de Mauá, onde hoje se encontra a Escola Professor Collares, se erguia o barracão de madeira onde funcionava a Hospedaria do Imigrante. Neste local ficavam alojadas as levas de imigrantes que chegavam, enquanto aguardavam o destino definitivo que teriam” (Quem foi Germano Koch? – publicado em 14 de fevereiro).

Ou com a informação que José Tadeu Tesseroli de Siqueira nos deu sobre o ofício de barbeiro que acumulava a função de dentista:

“Na virada do século XX, a crônica de Ponta Grossa anota a presença de Chico Barbieri, barbeiro que vez por outra tirava dentes. Seu salão ficava na Praça da Matriz, atual Praça Mal. Floriano Peixoto” (O poste do barbeiro – publicado em 21 de março).

Ainda pudemos apreciar o resultado das pesquisas de André Moreira Rodrigues, que descreveu a chegada dos ingleses em Ponta Grossa, quando ainda se cogitava se a ferrovia teria seu traçado passando por aqui:

“Bigg-Wither chegava então a Ponta Grossa cerca de cinco décadas depois do povoamento se tornar uma freguesia. O grupo acomodou-se numa casa grande e vazia, pois não havia hotéis em Ponta Grossa” (Ponta Grossa, 1873 – publicado em 4 de abril).

E como não se surpreender com a descoberta da professora e pesquisadora Isolde Maria Waldmann sobre apresentações de peças teatrais em Ponta Grossa muito antes da cidade ter seu primeiro teatro:

“Tendo chegado ao dia 7 de julho (1858) na Vila de Ponta Grossa, ali soube que no dia seguinte (09) havia um espetáculo público no Theatro, para festejar o dia da aclamação de D. Pedro II” (Theatro da Vila de Ponta Grossa – publicado em 11 de abril).

E viajamos no tempo com a professora Aída Mansani Lavalle que trouxe reminiscências sobre a escola da professora Judith Silveira. Afinal ninguém conta uma história de maneira tão envolvente como ela:

“Os estudos no Liceu dos Campos eram feitos em 6 anos, eu já estava no nível 4, e iria fazer 11 anos no ano seguinte. As professoras me chamaram e me ofereceram 15 dias de aulas preparatórias para o Exame de Admissão no Regente, além de ganhar um exemplar do livro Meus Exames” (O fascínio da escola – publicado em 25 de maio).

Neste ano, em sua estreia, o professor e coreógrafo Marcelo Salzqueber nos resgatou a história de um grupo folclórico alemão pioneiro:

“Fundado em outubro de 1987, no Clube Princesa dos Campos, primeiramente com o nome de Grupo Mühlenblau, com a coordenação de Edi Lurdes Madalosso Ansbach e coreografias do professor Marcelo Salzqueber Gomes” (Deutsche Volkstanzgruppe Lustiges Dorf – publicado em 21 de junho).

Eu mesmo pude contribuir para construção desse painel histórico trazendo a importância da imigração alemã para compor nossa formação:

“Alguns registros dão a data de 8 de outubro de 1914 como de fundação do Moto Club Ponta Grossa, o primeiro do Paraná e segundo do Brasil” (Alemães que fizeram história no Paraná: Moto Club Ponta Grossa – publicado em 13 de julho)

Em mais uma colaboração valiosa, de um fato bastante curioso e que nunca tínhamos imaginado a explicação, o Dr. José Luiz Pinto Pereira narrou a criação de um conhecido Santuário dos Campos Gerais:

“O Santuário de Bom Jesus do Monte de Vieiras é inspirado no homólogo do mesmo nome, em Braga, que Bento Costa visitou com sua mãe, pouco antes de embarcar para o Brasil” (Imigrantes Portugueses e o Santuário de Vieiras – publicado em 19 de setembro).

O professor Dr. Renato van Wilpe Bach devolveu, em várias colunas, o protagonismo de Jacobus van Wilpe na arte paranista, resgatando sua relação com o reconhecido grupo de artistas paranaenses que compunham o movimento:

“Os amigos Freyesleben, Boiger, Traple e Arthur Nísio frequentavam sua Chácara Pitangui, em Ponta Grossa, por décadas, onde se reuniam para pintar, prosear e pescar” (Lange de Morretes e seu discípulo ponta-grossesnse – publicado em 24 de outubro).

Por fim, Douglas Passoni de Oliveira, com suas importantes pesquisas sobre autores e músicos ponta-grossenses, aproveitou para registrar a recuperação de um instrumento extraordinário para a nossa história musical:

“Em Ponta Grossa, trata-se do único órgão de tubos em plenas condições de uso. Outro exemplar pertence à Igreja Luterana Bom Pastor, mas não chegou a ser integralmente montado, faltando-lhe diversos tubos devido a complicações durante a sua instalação” (O Som do Renascimento – publicado em 7 de novembro).

Em 2025, aprendemos muito e resolvemos alguns enigmas culturais, a coluna mostrou que cada obra é uma pista e cada leitor, um investigador. Em 2026, novos mistérios, histórias e curiosidades aguardam análise, e a lupa segue em mãos.

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