2025 em Foco:Memória, Pesquisa e Identidade Cultural

Em 2025 a coluna Sherlock Holmes Cultura observou nossa cena cultural como quem investiga pistas. A cada semana, todos os meses, procurou trazer para os leitores aspectos e histórias que destacaram a identidade e a memória da cidade e dos Campos Gerais. As manifestações e produções, de diversos autores que colaboraram, foram analisadas não apenas como entretenimento, mas como resgate da nossa memória.
Sempre procurando manter um olhar atento aos detalhes e incentivando uma escrita investigativa e analítica, reunimos colaboradores que formaram um mosaico cuja linha de condução foi a conexão com nossa identidade cultural.
Como não se surpreender com as descobertas que pudemos fazer ao recebermos a primeira contribuição do ano, da professora Maria Lourdes Osternach Pedroso, que nos indicou o local em que eram alojados os imigrantes que chegavam na cidade no século XIX:
“Num terreno da Avenida Visconde de Mauá, onde hoje se encontra a Escola Professor Collares, se erguia o barracão de madeira onde funcionava a Hospedaria do Imigrante. Neste local ficavam alojadas as levas de imigrantes que chegavam, enquanto aguardavam o destino definitivo que teriam” (Quem foi Germano Koch? – publicado em 14 de fevereiro).
Ou com a informação que José Tadeu Tesseroli de Siqueira nos deu sobre o ofício de barbeiro que acumulava a função de dentista:
“Na virada do século XX, a crônica de Ponta Grossa anota a presença de Chico Barbieri, barbeiro que vez por outra tirava dentes. Seu salão ficava na Praça da Matriz, atual Praça Mal. Floriano Peixoto” (O poste do barbeiro – publicado em 21 de março).
Ainda pudemos apreciar o resultado das pesquisas de André Moreira Rodrigues, que descreveu a chegada dos ingleses em Ponta Grossa, quando ainda se cogitava se a ferrovia teria seu traçado passando por aqui:
“Bigg-Wither chegava então a Ponta Grossa cerca de cinco décadas depois do povoamento se tornar uma freguesia. O grupo acomodou-se numa casa grande e vazia, pois não havia hotéis em Ponta Grossa” (Ponta Grossa, 1873 – publicado em 4 de abril).
E como não se surpreender com a descoberta da professora e pesquisadora Isolde Maria Waldmann sobre apresentações de peças teatrais em Ponta Grossa muito antes da cidade ter seu primeiro teatro:
“Tendo chegado ao dia 7 de julho (1858) na Vila de Ponta Grossa, ali soube que no dia seguinte (09) havia um espetáculo público no Theatro, para festejar o dia da aclamação de D. Pedro II” (Theatro da Vila de Ponta Grossa – publicado em 11 de abril).
E viajamos no tempo com a professora Aída Mansani Lavalle que trouxe reminiscências sobre a escola da professora Judith Silveira. Afinal ninguém conta uma história de maneira tão envolvente como ela:
“Os estudos no Liceu dos Campos eram feitos em 6 anos, eu já estava no nível 4, e iria fazer 11 anos no ano seguinte. As professoras me chamaram e me ofereceram 15 dias de aulas preparatórias para o Exame de Admissão no Regente, além de ganhar um exemplar do livro Meus Exames” (O fascínio da escola – publicado em 25 de maio).
Neste ano, em sua estreia, o professor e coreógrafo Marcelo Salzqueber nos resgatou a história de um grupo folclórico alemão pioneiro:
“Fundado em outubro de 1987, no Clube Princesa dos Campos, primeiramente com o nome de Grupo Mühlenblau, com a coordenação de Edi Lurdes Madalosso Ansbach e coreografias do professor Marcelo Salzqueber Gomes” (Deutsche Volkstanzgruppe Lustiges Dorf – publicado em 21 de junho).
Eu mesmo pude contribuir para construção desse painel histórico trazendo a importância da imigração alemã para compor nossa formação:
“Alguns registros dão a data de 8 de outubro de 1914 como de fundação do Moto Club Ponta Grossa, o primeiro do Paraná e segundo do Brasil” (Alemães que fizeram história no Paraná: Moto Club Ponta Grossa – publicado em 13 de julho)
Em mais uma colaboração valiosa, de um fato bastante curioso e que nunca tínhamos imaginado a explicação, o Dr. José Luiz Pinto Pereira narrou a criação de um conhecido Santuário dos Campos Gerais:
“O Santuário de Bom Jesus do Monte de Vieiras é inspirado no homólogo do mesmo nome, em Braga, que Bento Costa visitou com sua mãe, pouco antes de embarcar para o Brasil” (Imigrantes Portugueses e o Santuário de Vieiras – publicado em 19 de setembro).
O professor Dr. Renato van Wilpe Bach devolveu, em várias colunas, o protagonismo de Jacobus van Wilpe na arte paranista, resgatando sua relação com o reconhecido grupo de artistas paranaenses que compunham o movimento:
“Os amigos Freyesleben, Boiger, Traple e Arthur Nísio frequentavam sua Chácara Pitangui, em Ponta Grossa, por décadas, onde se reuniam para pintar, prosear e pescar” (Lange de Morretes e seu discípulo ponta-grossesnse – publicado em 24 de outubro).
Por fim, Douglas Passoni de Oliveira, com suas importantes pesquisas sobre autores e músicos ponta-grossenses, aproveitou para registrar a recuperação de um instrumento extraordinário para a nossa história musical:
“Em Ponta Grossa, trata-se do único órgão de tubos em plenas condições de uso. Outro exemplar pertence à Igreja Luterana Bom Pastor, mas não chegou a ser integralmente montado, faltando-lhe diversos tubos devido a complicações durante a sua instalação” (O Som do Renascimento – publicado em 7 de novembro).
Em 2025, aprendemos muito e resolvemos alguns enigmas culturais, a coluna mostrou que cada obra é uma pista e cada leitor, um investigador. Em 2026, novos mistérios, histórias e curiosidades aguardam análise, e a lupa segue em mãos.
