03 de julho de 2026

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A adultez infantil


Por Lilian Gomes Publicado 28/04/2024 às 21h41 Atualizado 26/02/2026 às 03h04
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Tenho me deparado com o “estilo adulto” em crianças. Essas que antecipam preocupações que não são próprias da idade cronológica em que se encontram. Crianças que chegam na terapia com queixas referentes a pré-ocupações relativas ao relacionamento de seus pais, de colegas que as incomodam, de avós e familiares muito exigentes e também nelas próprias, uma alta exigência ou baixa autoestima, carências, birras e exibicionismo.

Esse é um “processo de aceleração da infância” e tem muito adulto que estimula, incentiva e exibe as experiências e situações não adequadas para uma criança.

Criança é criança. Precisa brincar, se relacionar com pessoas da sua idade, ter amigos, ter tempo livre.

A maioria tem agenda lotada: escola, curso de línguas, reforço escolar, ballet, natação, judô, excesso de tela, salão de beleza, roupas da moda que se não supervisionadas podem acelerar a infância e antecipar a adolescência e a adultez.

Isso pode causar responsabilidades antecipadas e afastar as oportunidades importantes para o crescimento emocional, pois a infância “é uma etapa essencial para que os pequenos adquiram concepções psicológicas e morais que serão básicas em toda a vida”, o que nos faz ter esse alerta pois o “amadurecimento precoce e consequentemente o antecipar de responsabilidades, poderão ter efeitos nocivos à sua formação e desenvolvimento”.

Segundo a psicóloga Monique Luz, “trazer o universo adulto para a criança, sem que haja a maturidade emocional para entender o que está acontecendo, faz com que ela fique vulnerável a qualquer tipo de informação recebida”.

Portanto, pais, familiares, educadores cuidemo-nos com o que dizemos perto de nossas crianças! E se dissermos o façamos com cuidado para que a criança não leve para ela “a culpa” pela separação, pelo desrespeito, pelas dívidas, pela intolerância…

As crianças que antecipam etapas de desenvolvimento e de maturidade, podem desencadear a propensão a gastos desenfreados como uma forma compensatória ao “vazio existencial”, serem mais agressivas, ter intolerância à frustração e até tendências de se envolver com parceiros abusivos, na idade adulta.

É na infância que as marcas ficam profundas. Sofrimentos como abuso sexual, psicológico ou físico, rejeição, abandono, humilhação e situações de vulnerabilidade poderão deixar cicatrizes profundas. A personalidade está se formando, as relações sociais são fundamentais para se tornar um adulto equilibrado, capaz de realizar os enfrentamentos ao longo da vida.

Traumas, sofrimentos são inerentes à existência, porém uma infância vivida de forma saudável, sem antecipação de informações e/ou responsabilidades, poderão ajudar os futuros adultos a saber lidar e elaborar as lembranças negativas, pois “entendendo que somos a soma de todas as nossas experiências”, poderemos dar um sentido mais saudável no nosso dia a dia, construindo, desconstruindo e ressignificando. E vivendo cada etapa no seu devido tempo!

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