16 de julho de 2026

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Escola da vida em tempos de isolamento social


Por dmais Publicado 08/05/2020 às 00h18 Atualizado 23/02/2026 às 22h05
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Por Fernando Vargas

Estamos vivendo uma experiência única, algo que aconteceu sem planejamento e, em menos de um bimestre, de repente, tudo mudou. Ficou evidente que não tínhamos o controle de nada.

Sempre me senti privilegiado por ter nascido e me criado em ambiente escolar, pois é sabido que as escolas lidam diariamente com situações inesperadas. Sendo assim, sinto-me, de certa forma, preparado para dialogar com situações adversas, nas quais somos obrigados a nos reinventar, replanejar e dar respostas.

Acontece que, neste momento, a resposta mais comum para todas as questões é: não sei! E o não saber gera medo e ansiedade. Mas acredito que, talvez, seja a hora de deixarmos um pouco isso tudo de lado. O melhor é procurarmos aceitar e vivenciar aquilo que já sabíamos, colocando de fato, em prática.

Estamos vivendo todos no mesmo barco, no meio de uma tempestade e, para piorar, não temos a menor ideia de quando o mar irá se acalmar. Mas como disse anteriormente, o ambiente escolar nos ensina a lidar com situações inesperadas e nós, educadores, rapidamente nos tornarmos capitães junto a uma tripulação da Educação, buscando conhecimento para controlar a situação e equilibrar o barco. Afinal, a Educação e a Escola não param jamais!

De imediato, após identificada a situação, algumas escolas passaram a utilizar as tecnologias digitais para o ensino remoto, enquanto outras optaram por decretar “férias”, buscando ganhar tempo e se preparar com mais tranquilidade para o retorno, agora no início de maio, com isolamento social.

Afinal, não temos previsão de retorno. Muitos estados, como São Paulo, acreditam que a retomada gradual da atividade “normal” nas escolas será por volta de julho, mas isso é apenas “achismo” e “futurologia”.

Assim como muitos que aqui me leem, também sou pai de um adolescente de 17 anos do Ensino Médio e de uma criança de 3 anos. Tanto eu como minha esposa estamos trabalhamos em casa.

Você se identificou conosco? Então, concordam que estamos todos aprendendo a viver em isolamento físico, mas não totalmente social? Felizmente, temos ferramentas digitais que, mesmo distantes fisicamente, são capazes de nos aproximar virtualmente.

Foi isso que as escolas de Educação Básica fizeram. Buscaram, por meio dos recursos pedagógicos virtuais, possibilidades para que os alunos não parassem seus estudos, pois a escola é um espaço social de interpelação contínua, e foi necessário quebrar paradigmas para um novo “padrão normal” e, com a pandemia, esse processo se tornou necessário e urgente.

O medo de absorver mudanças não pode estar presente na estrutura da Educação. Aliás, o Conhecimento acaba com muitos medos. Não é mesmo? O tempo é algo muito precioso na sociedade contemporânea e, por isso, famílias sempre alegaram falta de tempo para estarem juntos. De repente, tudo mudou – e as crianças que, antes estavam nas escolas, passaram a conviver em suas casas, em isolamento social. Aí lhe pergunto: o que acontece com todo esse tempo que passamos a ter? Vocês acreditam em solução mágica? Não falo da realização das atividades escolares remotas enviadas pelas escolas, mas do estar junto praticando a afetividade.

Constatamos que, na quarentena, a paternidade e a maternidade compulsórias vieram cobrar seu preço mais alto. Uma excelente oportunidade, também, de rever essas relações, em vez de apenas reforçá-las com a ideia perversa de que criança atrapalha.

Entendo que não seja coerente exigir velocidade em tempos de pausa, afinal, o momento atual convida à exploração de novos cenários e de novas formas de pensar e agir. É tempo de se unir à escola de seus filhos e filhas, buscando o melhor, em uma valorização mútua. Os professores estão produzindo muito para o ensino remoto e sabem da importância dos pais neste processo. Que desafio, hein?!

Agora é o momento de parceria, união de forças, empatia e, acima de tudo, tentarmos viver este momento de cuidado com nós mesmos e com os outros. Cabe ressaltar que, antes de buscarmos respostas, é preciso considerar o legado que a pandemia deixará para o retorno à sala de aula. Mas, sobre isso, conversaremos posteriormente. Até a próxima!

* O autor é casado e pai de dois filhos. Pedagogo com mestrado em Educação, Arte e História da Cultura e MBA em Gestão Educacional. Atualmente é consultor pedagógico.

 

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