01 de julho de 2026

Nós usamos cookies e outras tecnologias semelhantes para melhorar a sua experiência no portal e personalizar a publicidade exibida. Ao continuar navegando, você concorda com este monitoramento. Leia mais na nossa Política de privacidade.

Reforma tributária: a simplificaçãoque se perdeu em diversos artigos


Por Rubens Tavares Publicado 15/05/2026 às 00h00
Ouvir: 00:00

Sentei para ler a regulamentação da reforma tributária. Levantei três horas depois com a sensação incômoda de não ter entendido o que, em tese, deveria ser mais simples. Eu estava na página 200 da Resolução nº 6 do Comitê Gestor. Faltavam mais 400. Ao todo, são 617 artigos — apenas em uma norma.

Para um país que aprovou uma reforma sob a promessa de simplificação, o número não é um detalhe técnico. É um sintoma. A distância entre o discurso político e a operacionalização concreta nunca foi tão visível — nem tão mensurável.

Passei mais de três décadas estudando o sistema tributário brasileiro. Tempo suficiente para reconhecer padrões. Um deles é recorrente: a complexidade não desaparece, ela se reorganiza. Trocamos cinco tributos por dois, é verdade. Mas a engrenagem que sustenta essa nova arquitetura continua exigindo camadas sucessivas de interpretação, regulamentação e ajuste. O resultado, na prática, é um sistema que muda de nome antes de mudar de comportamento.

A conta não fecha. Não fecha para o empresário que precisa tomar decisão com previsibilidade. Não fecha para o contador que deve traduzir norma em operação. Não fecha para o advogado que tenta construir segurança jurídica. E tampouco fecha para o próprio Estado, que terá de fiscalizar um modelo cuja sofisticação pode se transformar em opacidade.

Há um equívoco estrutural na forma como se tem conduzido o debate público sobre a reforma. Simplificação não é uma diretriz abstrata — é uma experiência concreta do contribuinte. Se ela não se materializa na leitura da norma, na apuração do tributo e na previsibilidade do custo, então ela não existe. É apenas uma promessa.

Todo sistema que precisa de centenas de artigos para explicar que é simples não é simples. É um sistema complexo com nova narrativa. E narrativas, no campo tributário, não pagam imposto — quem paga são empresas e consumidores, lidando com as consequências operacionais do que foi desenhado.

A reforma ainda está em curso. Há espaço para ajustes, calibragens e, sobretudo, para um choque de realidade. Mas isso exige reconhecer o ponto de partida: a simplificação prometida não se sustenta, até aqui, naquilo que foi efetivamente entregue.

A pergunta que fica, portanto, não é retórica. É pragmática: estamos construindo um sistema mais simples — ou apenas mais um capítulo da complexidade brasileira?

O autor é CEO da BMS Consultoria Tributária

Participe do grupo e receba as principais notícias da sua região na palma da sua mão.

Entre no grupo Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do WhatsApp.
Artigos

O falso alerta da Defesa Civil e afragilidade da confiança digital

Publicado 30/06/2026 às 00h00

Na madrugada do último dia 20, um sábado, milhões de brasileiros foram surpreendidos por um alerta extremo da Defesa Civil…


Na madrugada do último dia 20, um sábado, milhões de brasileiros foram surpreendidos por um alerta extremo da Defesa Civil…

Artigos

A tecnologia avança. A liderança acompanha?

Publicado 26/06/2026 às 00h00

A tecnologia evoluiu em velocidade exponencial, mas o desenvolvimento humano nem sempre acompanhou esse ritmo. Enquanto empresas automatizam processos, aceleram…


A tecnologia evoluiu em velocidade exponencial, mas o desenvolvimento humano nem sempre acompanhou esse ritmo. Enquanto empresas automatizam processos, aceleram…