09 de julho de 2026

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País forte e desenvolvido tem indústria forte


Por Fernando Valente Pimentel Publicado 30/05/2025 às 03h00 Atualizado 25/02/2026 às 18h02
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Em 25 de maio celebramos o Dia da Indústria, que homenageia Roberto Simonsen, patrono nacional da atividade, falecido nessa data em 1948. É uma oportunidade para refletirmos sobre o papel essencial desse setor secundário da economia, que transforma matérias-primas em bens e produtos que movem o País e tem participação relevante no desenvolvimento econômico e social.

Sua abrangência é ampla: vai desde os alimentos que chegam à nossa mesa até os tecidos e roupas que vestimos, passando por móveis, veículos, eletrodomésticos, maquinários e muito mais. É a área que impulsiona as cadeias produtivas, gera empregos qualificados, estimula a inovação tecnológica e contribui de modo significativo para a arrecadação de impostos.

O processo de industrialização brasileiro ganhou força com Getúlio Vargas e teve um salto importante com Juscelino Kubitschek, que promoveu a instalação de empresas estrangeiras no País. O resultado foi um ciclo de forte crescimento entre os anos de 1950 e 1980, que colocou o Brasil entre as economias que mais avançaram no Século XX.

No entanto, nas últimas três décadas, assistimos a uma preocupante desindustrialização, com queda na participação da indústria no PIB nacional e no comércio mundial do setor, decorrente de uma série de entraves: elevada carga tributária, juros altos, infraestrutura precária, insegurança jurídica, volatilidade cambial e custo elevado do capital. Soma-se a isso o impacto da globalização e da entrada da China na Organização Mundial do Comércio (OMC), com sua política agressiva de subsídios e uma participação de 33% na manufatura global, inundando o mercado de todos os continentes com excedentes produtivos que pressionam a competitividade das fábricas dos demais países.

Nesse cenário desafiador, o Brasil precisa reagir. Nenhuma economia do porte da nossa pode prescindir de uma indústria forte. É preciso retomar o protagonismo setorial com políticas que estimulem o investimento, a inovação e a produtividade. O projeto Nova Indústria Brasil (NIB), lançado recentemente pelo Governo Federal, representa um passo na direção certa. Ele reconhece que o fortalecimento da manufatura é essencial para a soberania econômica, a geração de empregos e o crescimento sustentável.

Dentre os setores industriais estratégicos, merece destaque a indústria têxtil e de confecção, um dos maiores empregadores do País, com forte capilaridade regional e papel determinante na inclusão social. Esse segmento, majoritariamente composto por micro, pequenas e médias empresas, tem capacidade de gerar empregos com rapidez, promover moda sustentável, agregar valor cultural e integrar a agenda de inovação por meio de novos materiais e tecnologias digitais. Com acesso a energias limpam, diversidade de fibras e criatividade reconhecida internacionalmente, o Brasil tem condições de liderar um novo ciclo de crescimento nessa atividade.

A reindustrialização nacional, no entanto, exigirá foco, consistência e cooperação entre governo, iniciativa privada e sociedade civil. Precisamos enfrentar com coragem os gargalos estruturais e implementar reformas que permitam ao setor recuperar seu dinamismo. País forte e desenvolvido tem, necessariamente, uma indústria forte. E a construção desse futuro começa agora, com decisões firmes e visão estratégica.

Neste Dia da Indústria, celebremos o legado de Simonsen e reafirmemos nosso compromisso com um Brasil mais industrializado, competitivo e justo.

O autor é diretor-superintendente e presidente emérito da
Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit).

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