19 de junho de 2026

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Formação de linguagem: a habilidade que prepara para a universidade e para a vida


Por Sérgio Gouveia Publicado 19/06/2026 às 00h00
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O Exame Nacional do Ensino Médio, o Enem, é a principal porta de acesso a universidades públicas e privadas brasileiras, bem como a algumas universidades internacionais e ao financiamento estudantil subsidiado pelo governo federal. Para milhares de alunos, a etapa marca um importante passo nessa jornada estudantil, com a intensificação da preparação até novembro, quando as provas serão aplicadas.

Entretanto, nesse trajeto, grande parte simplesmente ignora um item que faz toda a diferença para o exame: a formação em linguagem, uma habilidade fundamental não apenas para o sucesso rumo ao ingresso universitário, mas também para a vida toda.

A formação estruturada de competências linguísticas exigida no Enem, infelizmente, nem sempre recebe o nível de atenção desejado nas escolas. Além de não destinar o tempo suficiente para essa área na grade, a maioria das instituições de ensino ignora o fato de a prova objetiva trabalhar com competências que passam longe de conteúdos presentes nas aulas de Português – a prova não cobra classificação sintática, função morfológica, formação de palavras e afins. O que o Enem cobra são habilidades que “parecem grego” para alunos e até para professores: “necessidades cinestésicas”, presente na Habilidade 10 da grade publicada pelo Ministério da Educação, é um exemplo.

Conhecer o que se cobra na grade é decisivo para o desempenho global na prova; não basta repetir chavões como “tem que saber interpretar”.  Na prova objetiva, a exigência vai além do domínio da norma culta; é fundamental, por exemplo, reconhecer as inter-relações de diversos grupos sociais e étnicos em manifestações artísticas, conhecer valores humanos atualizáveis e permanentes na produção literária brasileira, identificar as características de diferentes gêneros textuais e lidar com textos multimodais.

Ao desenvolver as habilidades pedidas pelo MEC, o estudante ganha maior confiança na leitura de textos complexos, melhora a organização de suas ideias, aprimora a estruturação de seus textos e adquire maior fluidez na transição entre diferentes formatos textuais. Essas qualidades trazem impactos positivos não apenas na prova, como também no desempenho acadêmico e profissional, pois todas as instituições querem em seu quadro pessoas com boa capacidade de sintetizar e interpretar informações, de construir e sustentar argumentos com evidências e de criar e comunicar ideias com clareza. Essas são habilidades cada vez mais valorizadas no mercado de trabalho.

A formação em linguagens deveria receber maior atenção na grade curricular das escolas, por todo o diferencial que representa. Habilidades linguísticas desenvolvidas conforme pede o MEC ajudam na absorção de conteúdos em diversas áreas, promovendo um aprendizado mais eficiente e autônomo. Estudantes que estão nessa jornada do Enem devem estar atentos ao preparo nesse quesito. Ele pode ser o ponto decisivo para a conquista do sonho universitário.

O autor é especialista na prova de linguagens do Enem, criador e diretor do Àgora, mestre pela Unesp e graduado pela USP.

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