14 de julho de 2026

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Cultura associativa deve ser a bandeira para a reconstrução


Por Gilmar Denck Publicado 08/02/2021 às 12h08 Atualizado 21/02/2026 às 16h30
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Foto: Divulgação

Se uma das hélices de um ventilador apresentar avaria, tais como perda de parte dela, ou um pequeno abalroamento, é o que basta para que haja uma pressão desbalanceada sobre o eixo, fazendo que a vibração aumente, o que pode comprometer a estrutura de tudo aquilo que estiver ligado fisicamente a este eixo, tamanha a vibração gerada pela simples falta de balanceamento.

Os homens de um modo geral entendem este princípio, pois basta que um pneu perca décimos de milímetros de borracha, ocasionando o desbalanceamento para que ele perceba a vibração no volante do carro, vibração que está presente em toda a estrutura. Perceba que estamos falando de décimos de milímetros de borracha perdidos, que causam a diferença de peso em diferente ponto da circunferência do pneu. Se o desgaste chegar a 1 milímetro, o pneu ou a roda deverá ser substituído, pois o desconforto será inevitável, podendo até mesmo corromper a estrutura do veículo. Pense nisto em uma hélice de avião, pois quanto maior a velocidade, maior a pressão e consequentemente maior será a vibração.

Pois bem, a física quântica nos mostra que tudo que existe no mundo nada mais é que interação de energias que convergem para um mesmo ponto. E quando algum elemento falta ou sobrepõe outro, o desequilíbrio é perigoso e fatal para a estrutura do todo que esteja envolvido.

Ora, a sociedade na forma que vivemos foi desenvolvida ao longo de mais de 40 mil anos de história e foi fundamentada em cima de três hélices que compõem o tripé sócia. A saber: empresas (que são encarregadas de produzir), o governo (que são encarregados de controlar) e as entidades (que são encarregadas de transformar as pessoas para servir as primeiras).

Desta forma, as hélices, empresas, governo e entidades giram em torno do eixo social. A velocidade que giram é determinada pelo dinamismo aplicado pelas lideranças que ocupam a gestão de cada uma das hélices.

Portanto, a qualquer desequilíbrio entre as hélices a energia aplicada pode se transformar em vibração excedente e fatal corrompimento da estrutura social. Assim, qual a nossa responsabilidade enquanto cidadão?

Ora, o todo nada mais é que a soma das partes, e não existe parte que não interfira no giro silencioso desta grande estrutura. Partes inoperantes agregam peso desproporcional na estrutura, como exemplo, desempregados, despropositados, descolocados etc.

Como cidadãos, todos, sem exceção, temos obrigações na construção do tecido sócia, cada uma na sua forma, mas cumprindo seus deveres antes de reclamar seus direitos (valor nitidamente invertido na sociedade atual, que gera sobrepeso na estrutura governamental).

O balanceamento pode ser atingido pela integração das hélices através de suas lideranças. Portanto, duas devem ser as nossas preocupações constantes: desenvolvimento da cultura associativa; e o desenvolvimento de lideranças.

Muito se fala na formação de líderes, mas a meu ver, se a cultura associativa estiver presente o surgimento das lideranças será apenas consequência. Fomos criados a imagem e semelhança do criador, o poder e as capacidades estão instaladas em cada um de nós, mas curiosamente elas só se manifestam quando trabalhamos associados.

Assim, vamos focar nossa conversa na cultura associativa, que ao contrário do que se pensa, não se trata de criação de entidades, mas sim de desenvolver o espirito solidário para fazer as entidades existentes funcionarem.

Uma associação comercial operante faz com que os governos atuem de forma muito próxima ao ideal e faz com as empresas funcionem para seu objetivo de gerar riquezas. É disto que estamos falando.

Vamos refletir sobre o associativismo. A cultura associativa é um fenômeno e está ligado às transformações sociais, políticas e econômicas que podem afetar sobremaneira as condições de vida da sociedade. Nascem naturalmente com o objetivo de resolver coletivamente determinado problema comum ao grupo, e através de estratégias ao amparo e auxílio mútuo de seus entes associados em momentos de privações (pandemia faz pensar). Dentro deste fim, por exemplo, uma associação comercial tem a causa imediata de associação partindo da necessidade econômica da empresa.

Contudo, estas circunstâncias extrapolam a dimensão da empresa, pois afeta uma série de pessoas e suas famílias ao mesmo tempo, o que os motivam a se reunirem em grupos organizados.

Sendo assim, a condição material dos indivíduos por si só já delimita um espaço de identidade comum a todos aqueles que pleiteiam mecanismos satisfatórios de encaminhamento à melhoria das suas condições de vida.

A partir do momento que se organizam em associações, novos códigos de pertencimento aparecem e as demandas sociais contemplam também perspectivas de representação política e status social.

Destinado a assegurar a sobrevivência das empresas e de todos que dela dependem o mutualismo e a solidariedade decorrentes das carências materiais percebidas num contexto de transformações econômicas e sociais sujeitadas a um sistema político orientado por uma ordem liberal, que ainda impera no ocidente, o mutualismo deve ser entendido como pertencente ao conjunto das experiências que se manifestaram concretamente em práticas de solidariedades horizontais, aglutinando empresas e gerando uma cultura emergente, diante das transformações econômicas, sociais, políticas e ideológicas que marcam um período.

As associações representam uma forma de corporação institucionalizada onde grupos de indivíduos comuns colocam seus conhecimentos, sua energia e sua rede de contatos para prover proteção contra riscos e benefícios econômicos para si mesmos, e para seus concorrentes em situações que são geralmente difíceis, inóspitas.

Estas organizações são claramente adaptáveis ao nível do grupo. No entanto, o desenvolvimento e manutenção destas organizações exige um investimento considerável de tempo e de recursos financeiros os quais podiam ser aplicados para fins mais específicos, mas que não poder ser realizados em detrimento das soluções coletiva. O sentido da ajuda mútua não reside na possibilidade de acúmulo de renda como no caso de cooperativas através de uma arrecadação individual mínima em tempo suficiente para a capitalização da sociedade, mas em associação o intuito é de prover as necessidades tecnológicas de seus associados e manter alternativas coletivas destinadas à perenidade das empresas, trazendo a elas meios de aumento de faturamento, redução de custos, formação para seus empregados, informação para seus gestores, interação e integração de toda rede econômica, representatividade política e inovação.

Histórias e cases de sucesso de cooperação mútua se multiplicam na Europa pós-guerra, como também nos EUA, onde associações, cooperativas e entidades educacionais transformaram a realidade econômica de seus países através da criação de redes de cooperação mútua, por vezes por meio de cooperativas onde o ativo é financeiro e por vezes por meio de associações onde o ativo é o conhecimento e a sinergia de estratégias convergentes.

Histórias de sucesso também são numerosas no Brasil através do sistema cooperativo, onde no Paraná temos as maiores cooperativas agrícolas e de pecuaristas da América Latina. Em Santa Catarina o sistema de associações comerciais experimentou nas últimas décadas um crescimento espantoso através do programa Empreender que posteriormente foi emprestado para todas as federações do Brasil para que possam desenvolver a cultura associativa. O resultado é apenas consequência. O caminho existe, vamos trilhar, talvez esta deva ser a nossa maior bandeira, este é o nosso negócio, o associativismo.

*O autor é empresário com 30 anos de experiência em associativismo. Formado em Filosofia e Administração

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