Ato contra ataques as mulheres é marcado por emoção em PG


Por dmais

Emoção e revolta tomaram conta da manifestação contra os ataques às mulheres registrados nas últimas semanas em Ponta Grossa. O ato público realizado pelo projeto fotográfico ‘Nós, por Nós’, que une a arte da fotografia e o feminismo, aconteceu no Parque Ambiental no último domingo (30) e contou com a presença de mais de 50 participantes.

 

Fábio Matavelli
Ato público contou com a confecção de cartazes e depoimentos

 

De acordo com a organizadora do manifesto, Ester Camargo Custódio, o objetivo foi chamar a atenção da sociedade sobre os ataques brutais que têm acontecido na cidade, entre eles, o assassinato de Juliana Silveira Nunes, 33 anos, que foi espancada até a morte, na última semana, pelo ex-companheiro, Anderson Barboza de Paula.

Outros crimes, como a tentativa de um estupro coletivo de uma moradora de rua, no dia 25 de julho, também foram lembrados durante o evento. “Estamos lutando para tirar a cultura machista presente em nossa cidade. Queremos mostrar que nós não vamos nos calar diante dos acontecimentos das últimas semanas”, disse Ester. O ato contou com a confecção de cartazes e depoimentos dos participantes.

A manifestação também teve a presença da mãe de Juliana Silveira, Célia Gomes da Silveira Nunes, amparada de Thiago, irmão da vítima. O depoimento de Célia emocionou a todos os presentes. “Ele (Anderson) não só matou a minha filha, como ele também a barbarizou. Nós não pudemos nem nos despedir dela, pois o seu caixão estava lacrado. Ele tirou o nosso direito de dar o último beijo nela”, disse a mãe emocionada.

 

Fábio Matavelli
Depoimento da mãe de Juliana emocionou os participantes

 

Célia também ressaltou a violência contra as mulheres e os relacionamentos abusivos. “Se um homem belisca uma mulher, ele é capaz de matá-la e foi o aconteceu com a minha filha, que já tinha sido vítima de agressão. Se um relacionamento não dá mais certo, cada um precisa seguir a sua vida. Não é preciso matar”, ressaltou.

Por fim, a mãe de Juliana pediu por orações para que a família possa se recuperar da dor da perda. “Eu quero que ele (Anderson) viva a cada dia para viver a dor que eu estou vivendo. Ele tirou a vida da Juliana sem dar a ela a chance de se defender. Peço a todos para que enviem orações para a minha filha e para mim, para que eu possa seguir a minha vida. Eu vou continuar pela minha neta e pelo meu outro filho”, finalizou.

Relembre

Juliana foi encontrada morta e com sinais de espancamento na cabeça, causados por um taco de baseball, dentro de um bar no bairro da Nova Rússia, na última quinta-feira (27). O corpo estava caído no chão, ao lado da mesa de sinuca, e coberto. Próximo da vítima estavam três bilhetes escritos pelo companheiro.

O autor do crime, companheiro da vítima, identificado como Anderson Barboza de Paula, foi preso no mesmo dia enquanto tentava entrar no Paraguai. Ele confessou o assassinato e alegou que o motivou por ciúmes. O rapaz segue preso em Foz do Iguaçu e será transferido para Ponta Grossa.

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