
A Santa Casa de Ponta Grossa recebeu, nesta sexta-feira (29), uma comitiva para visita técnica às obras do novo serviço de Radioterapia da instituição. A intervenção ocorreu no prédio do antigo Hospital Evangélico, que permaneceu desativado por anos na região central, e agora passa por transformação para ampliar o atendimento em saúde na região.
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Integraram a comitiva a deputada federal Gleisi Hoffmann, Adriano Massuda, representando o Ministério da Saúde, além do diretor-geral brasileiro da Itaipu Binacional, Enio Verri. Também participaram da entrevista coletiva a prefeita Elizabeth Schmidt, o vereador Guilherme Mazer e o provedor da Santa Casa, Juarez Carvalho.
Estrutura do bunker
As autoridades conheceram o bunker que abrigará o acelerador linear, equipamento de alta tecnologia considerado um avanço para a oncologia e para o atendimento da população dos Campos Gerais.
Parceria com Itaipu
Referência do SUS em oncologia para mais de 1 milhão de habitantes da região, a Santa Casa de Ponta Grossa vive um momento considerado decisivo para a saúde pública regional e nacional. Em parceria com a Itaipu Binacional — por meio do diretor-geral brasileiro Enio Verri e do deputado federal Aliel Machado — a instituição implanta um novo serviço de radioterapia, com a proposta de posicionar o município entre os centros oncológicos mais avançados da América Latina.
Acelerador linear
Em fase final de construção, o complexo contará com o acelerador linear Elekta Versa HD, tecnologia de última geração desenvolvida na Suécia, equipada com recursos de inteligência artificial e alta precisão para tratamentos oncológicos. A plataforma é considerada inovadora e representará um marco para a medicina no país.
Massuda destacou que o principal benefício da tecnologia é a precisão. “O tratamento do câncer é muito sofrido para os pacientes. Com esta tecnologia, a radioterapia pode ser muito mais efetiva”, diz, complementando que PG terá um grande ganho de capacidade de tratamento oncológico pelo SUS com a iniciativa.
Obra de alta complexidade
O bunker destinado ao equipamento possui engenharia de elevada complexidade, projetado para garantir segurança radiológica. As paredes chegam a 2,20 metros de espessura, demandando quase 800 metros cúbicos de concreto e mais de 95 viagens de caminhão durante a execução.
Para assegurar a estabilidade da estrutura e evitar retrações térmicas, cerca de 30 toneladas de gelo foram utilizadas na obra — procedimento técnico pouco comum, necessário em construções desse porte.
“A obra está em fase final, com previsão para acabar em junho, em breve passaremos aos trâmites junto à agência de segurança nuclear”, afirma Juarez sobre o andamento dos processos. “A Itaipu tem investido muito em Ponta Grossa e na região dos Campos Gerais. Há pouco, saímos da Conab, para inaugurar outra obra com recursos da Itaipu e do Governo Federal”, relatou Verri.
Transformação do antigo hospital
O projeto integra a requalificação do antigo Hospital Evangélico, desativado desde 2016, em um novo centro de referência em oncologia. A obra conta com investimento de R$ 8,4 milhões da Itaipu Binacional, iniciou em abril de 2025 e tem previsão de conclusão em agosto de 2026.
Com a nova estrutura, a expectativa é que a capacidade de atendimento oncológico seja ampliada, alcançando mais de sete mil consultas e dois mil procedimentos por mês.
Tecnologia de ponta
O novo equipamento possibilita avanços significativos na radioterapia. Entre os recursos, está um sistema integrado de imagem capaz de realizar tomografia 4D antes das sessões, permitindo visualizar o tumor em tempo real, inclusive considerando movimentos corporais, como a respiração.
A tecnologia proporciona maior precisão clínica, proteção de tecidos saudáveis e tratamentos mais seguros e personalizados. O sistema também realiza verificações contínuas durante a aplicação, garantindo o correto posicionamento do alvo terapêutico ao longo de toda a sessão.
Outro diferencial é o sistema robótico de posicionamento do paciente, que permite ajustes submilimétricos em diferentes direções e rotações, assegurando maior precisão entre as sessões.
Polo de ciência e pesquisa
Além da modernização estrutural, a Santa Casa deve se tornar pioneira na adoção de um sistema de planejamento oncológico com inteligência artificial, capaz de automatizar processos, reduzir retrabalho e agilizar o início dos tratamentos.
A inovação tende a aumentar a eficiência clínica e reforçar a segurança dos fluxos assistenciais. Como reconhecimento, a empresa Elekta firmou contrato de 10 anos com a instituição, com o objetivo de transformar o centro em um polo nacional de pesquisa e desenvolvimento em oncologia.
“Independentemente da visão político-partidária, a nossa missão é realizar entregas para a população e fortalecer o SUS. O sistema já é bom, mas ele pode ser ainda melhor. Por isso é bom estar aqui com a prefeita e com as demais lideranças”, disse Gleisi na coletiva.
A prefeita Elizabeth congratulou a Santa Casa. “Parabéns à Santa Casa que, junto à Prefeitura, luta para melhorar sempre a saúde de Ponta Grossa. A população pode ter a certeza de que nós estamos sempre articulando, junto ao governo federal e ao estado, para trazer cada vez mais recursos para a nossa saúde” pontua.
Cronograma
O processo de implantação do equipamento ocorre em duas etapas: aceite e comissionamento.
- 05/06/2026: aceite da máquina no hospital;
- 15/06/2026: conclusão da extração de dados clínicos;
- 22/06/2026: início da capacitação dos profissionais pela Elekta;
- 30/06/2026: término da obra civil do Centro de Radioterapia;
- 01/07/2026: envio da documentação à Agência Nacional de Segurança Nuclear.
Após o recebimento dos documentos, a agência terá prazo de até 60 dias para análise e agendamento da vistoria.
- 01/09/2026: previsão de vistoria e autorização para início da operação do equipamento.
