
Essa pergunta é a que mais preocupa Paulo César Galvão, 55 anos, morador do Bairro Uvaranas, em Ponta Grossa. Uma pequena caminhada entre o sofá da sala e a cadeira basta para que fique ofegante. Hipertenso, diabético, cardíaco, e pesando cerca de 110 quilos, sua saúde ficou ainda mais frágil nos últimos dois meses. Em novembro, sofreu um AVC e ficou internado por cerca de cinco dias no Hospital Universitário Regional dos Campos. Quando saiu, estava com a fala e o equilíbrio comprometidos.
Do SAMU para a UPA
Poucos dias se passaram até que ele sofresse uma queda, no dia 21 de dezembro. O SAMU foi acionado e constatou que a diabetes havia ficado descontrolada, a ponto de ele precisar ser transportado de maca para a UPA Uvaranas. Lá, a equipe médica viu que a situação era grave. Os níveis de glicemia não podiam ser normalizados.
UTI em Guarapuava
Em caráter de urgência, Paulo César foi transferido de helicóptero para o Hospital Regional de Guarapuava, para onde a Central de Regulação o destinou. Permaneceu na UTI por dois dias, ficou em observação e foi enviado novamente para casa dia 27 de dezembro.
Insuficiência renal aguda
Paulo César retornou com um laudo assinado pelo médico que o atendeu na UTI. O documento pedia prioridade no encaminhamento a nefrologista. Isso porque foi constatado que ele teve “insuficiência renal aguda” e a demora em um atendimento especializado poderia significar ter que fazer hemodiálise. Na sua condição de saúde, esse procedimento poderia ser fatal.
Começa a espera
Os familiares de Paulo César deram entrada no pedido por especialista dia 29/12 na UBS Abrahão Federmann, entregando o laudo. Como o caso dele era prioritário, foram orientados pela servidora da Unidade a acompanharem a lista de espera mediante consulta pelo CPF do paciente, e que ele seria chamado por telefone.
O destino do laudo
O chamado não ocorreu e, uma semana depois, o CPF dele ainda não aparecia incluído na lista. A família retornou à UBS, onde a funcionária que fez o primeiro atendimento já não estava, pois havia entrado em férias. Ninguém encontrou o laudo que havia sido entregue. Uma semana havia se passado após o pedido de especialista, e a responsável pela UBS declarou que o documento estava “no limbo”.
Sem exames, sem inclusão na lista
Uma médica da UBS foi chamada e disse que não havia sido solicitado nefrologista para ele, porque precisa fazer exame de sangue, sem o qual não era possível fazer o pedido. Ou seja, o laudo do médico de Guarapuava não bastava para ter prioridade no atendimento. O exame foi agendado para o dia seguinte, e realizado, mas a família decidiu entrar em contato com a Ouvidoria da Saúde. O objetivo era garantir a prioridade exigida no laudo enviado de Guarapuava nove dias antes, e apontar falhas na inclusão da fila de espera.
Ouvidoria da Saúde pede 12 dias úteis
Ouvidoria informou que o pedido por nefrologista só foi registrado no dia 5, quando a família foi até a UBS buscar saber mais sobre o andamento do processo. Acrescentou que ele estava como “eletivo”, na posição 31. A Ouvidoria informou que daria retorno dentro do prazo de 12 dias úteis.
Desde então, Paulo César aguarda encaminhamento para nefrologista. Já são 12 dias de espera, para alguém que deveria ter prioridade no diagnóstico.
As filas de espera
Mas ele não é o único. A verificação na lista da Secretaria Municipal de Saúde mostra que, antes mesmo de Paulo César Galvão ser incluído oficialmente na fila, já são 39 pacientes esperando por consulta com nefrologista. O pedido mais recente é de 07/01/2026, mas tem paciente esperando desde junho de 2025.
Quando Paulo César for incluído oficialmente na lista, sua espera por nefrologista vai se somar a outras três na Saúde do Município. Ele está na posição 139 da fila de espera por Cardiologia Geral (desde 10 de novembro de 2025); está na posição 208 da fila de espera para fazer ecocardiograma torácico (desde 7 de novembro de 2025); e na posição 202 da triagem para atividade física (desde 17 de julho de 2025).
Quais são as maiores filas de espera em PG?
Confira algumas das maiores filas de espera no Município de Ponta Grossa:
- Neurologia Geral – Adulto: 5.318 pacientes
- Ortopedia Geral: 1.549 pacientes
- Cardiologia Geral – Adulto: 1.017 pacientes
- Urologia Geral – Adulto: 923 pacientes
- Oftalmologia Geral: 836 pacientes
Todas as listas podem ser acessadas neste LINK.
O que diz a Prefeitura?
Questionada pelo Diário dos Campos, a Secretaria Municipal de Saúde informou que Paulo César está inserido no Sistema de Regulação do Município (Sisreg) para o agendamento da consulta na especialidade solicitada. Mas informou que “o nome ainda não consta na lista de consulta pública pois o pedido médico, assim como o quadro clínico do paciente, estão em análise pela equipe reguladora do Sisreg e da Unidade de Saúde de referência para mensuração do grau de prioridade”.
Sem prazos
O Município não dá prazo. Diz apenas que, “assim que a análise seja finalizada, o prazo para que o paciente possa visualizar seu nome na lista de consulta pública é de cinco dias úteis”. Quanto ao tempo de 12 dias úteis para que a Ouvidoria de Saúde dê o retorno, a Secretaria de Saúde informa que esse prazo está conforme o previsto na legislação.
Resumo da notícia:
- O paciente Paulo César Galvão aguarda há 12 dias por uma consulta com nefrologista, desde que entregou laudo médico assinado ao Município.
- Uma semana depois, funcionários da UBS não souberam informar o destino do laudo, nem por que o nome dele não aparecia na lista.
- O pedido de inclusão na lista ocorreu pela primeira vez em 29/12/2025 mas, segundo a Ouvidoria de Saúde, só foi efetivado no dia 05/01/2026. O nome de Paulo César, entretanto, só aparecerá na lista após nova análise e aprovação da equipe da Secretaria de Saúde.
- Se a Secretaria aprovar o pedido, ele tem prazo de cinco dias úteis para aparecer na lista de espera.
- A Ouvidoria de Saúde, tem prazo de até 12 dias úteis para responder a demanda do cidadão. Não há sistema público para acompanhar o andamento do processo.
