Ponta Grossa recicla 2,11% de seu lixo; saiba fazer a separação

A reciclagem em Ponta Grossa ainda é um desafio. Segundo dados da Prefeitura e da concessionária Ponta Grossa Ambiental (PGA), apenas 2,11% dos resíduos gerados no município são separados para reciclagem. Um levantamento realizado pelo Diário dos Campos aponta que o percentual coloca a cidade entre as que menos reaproveitam seus resíduos entre os cinco municípios mais populosos do Paraná.
Nesta reportagem você vai saber:
- Quais programas de reciclagem existem em Ponta Grossa;
- Qual é o índice de reciclagem em PG e outras cidades do PR;
- Como é feita a coleta de recicláveis nas principais cidades do PR;
- Por que PG é exemplo na reciclagem de isopor no Estado;
- Qual programa é referência em educação ambiental em escolas;
- Onde, quando e como reciclar da forma correta.
Reciclagem em Ponta Grossa e no Paraná
Curitiba lidera a reciclagem no estado, com 24,31% do lixo destinado corretamente, enquanto Londrina (7,41%), Maringá (5,25%) e Cascavel (3,85%) também apresentam índices superiores aos de Ponta Grossa. Os dados foram fornecidos pelas prefeituras dos municípios à reportagem do DC.
A taxa de reciclagem chama atenção quando comparada ao volume de resíduos orgânicos gerados diariamente. De acordo com a PGA, Ponta Grossa produz, em média, 315 toneladas de resíduos sólidos por dia. Desse total, 300 toneladas são consideradas como rejeito, e encaminhadas ao Centro de Tratamento de Resíduos Furnas, enquanto 15 toneladas são separadas como orgânicos, e seguem para a Usina Termoelétrica a Biogás. Ou seja, em um único dia, a cidade gera mais rejeitos do que recolhe materiais recicláveis em um mês inteiro. Isso reforça a necessidade de ampliação da coleta seletiva e de políticas mais efetivas de conscientização.
Coleta porta-a-porta
Outro ponto que diferencia Ponta Grossa dos demais municípios analisados é a cobertura da coleta seletiva porta-a-porta. Curitiba, Londrina, Maringá e Cascavel declaram ter 100% da área urbana atendida pelo serviço. Em Ponta Grossa apenas 50% do município tem coleta seletiva doméstica nas residências. A separação é complementeada com mais de 120 Pontos de Entrega Voluntária (PEVs) espalhados pela cidade. Mas a menor abrangência da coleta pode impactar diretamente os índices de reciclagem em Ponta Grossa.
Programas de reciclagem
Em Ponta Grossa
Possui programas como Recicla PG: em parceria com o Governo do Estado e as empresas SO+MA e Heineken, pelo qual a população pode entregar seus materiais recicláveis e ganhar pontos em aplicativo de trocas. O Feira Verde promove a troca de resíduos recicláveis por alimentos para famílias, garantindo descarte correto para os resíduos e segurança alimentar (clique aqui e sabia mais sobre o programa).
Em Curitiba
Tem projetos como o Câmbio Verde, que possibilita a troca de recicláveis por hortifrúti, além dos Ecopontos de Coleta Especial para resíduos tóxicos. Tem campanhas de recolhimento de lixo eletrônico promovidas pelo Departamento de Educação Ambiental da Secretaria Municipal do Meio Ambiente e um Programa Municipal de Compostagem.
Em Londrina
Organiza cooperativas de reciclagem desde 2009 com o Programa Londrina Recicla, com a formação de catadores e expansão da coleta seletiva.
Em Maringá
Realiza coleta seletiva porta-a-porta em toda a área urbana e nos distritos de Floriano e Iguatemi. Tem mais de 270 pontos para descarte de diversos materiais, como óleo de cozinha usado, sucata eletrônica, esponjas, pilhas, medicamentos, escova de dente usada e outros. Há programas de educação ambiental nas escolas realizados pelo Instituto Ambiental de Maringá.
Em Cascavel
Conta com o Programa Sustentar, que busca ampliar a coleta seletiva e estimular a geração de renda para os catadores. O município não possui um Programa Municipal de Educação Ambiental para a Gestão de Resíduos Sólidos Urbanos. Mas possui Ações de Educação Ambiental da Secretaria de Meio Ambiente com outras secretarias e departamentos. O principal espaço físico de atuação da Educação Ambiental é o Centro Municipal de Educação Ambiental Professor Ivo José Triches, que recebe e oferece palestras, oficinas, formações, reuniões e encontros, com foco na Educação Ambiental.
O Município realiza ações específicas no âmbito da gestão de resíduos sólidos urbanos conforme plano de Ação junto às escolas públicas e privadas, tematizando currículos das instituições. Também há campanhas de conscientização ambiental quanto ao descarte correto de resíduos perigosos (eletroeletrônicos, lâmpadas).
Lixo reciclável recolhido por município
| Município | População | Lixo reciclável recolhido (toneladas/mês) |
|---|---|---|
| Curitiba | 1.773.718 | 2.537 |
| Londrina | 555.965 | 811 |
| Maringá | 409.657 | 529 |
| Ponta Grossa | 358.371 | 204 |
| Cascavel | 348.051 | 350 |
Coleta porta-a-porta nos municípios
| Município | Atendimento |
|---|---|
| Curitiba | 100% |
| Londrina | 100% |
| Maringá | 100% |
| Ponta Grossa | 50% |
| Cascavel | 100% (urbano) / 80% (rural) |
Percentual de lixo reciclado nos municípios
| Município | Parcela de lixo reciclado |
|---|---|
| Curitiba | 24,31% |
| Londrina | 7,41% |
| Maringá | 5,25% |
| Ponta Grossa | 2,11% |
| Cascavel | 3,85% |
*Fonte: Assessorias de Imprensa das Prefeituras consultadas
Educação ambiental
O professor e educador ambiental Ivam Michaltchuk vem trabalhando em escolas particulares de Ponta Grossa o conceito de “economia circular”. Ele aposta na educação das crianças para mudar o futuro da coleta de resíduos.

Segundo ele, em todo o Brasil estima-se que 43,5% do lixo é orgânico. Portanto, mais da metade poderia ser reciclado. Mas, menos de 10% dos municípios do País possui coleta seletiva. “Precisamos de mais vontade do poder público para que tenhamos coleta seletiva decente, e de mais conscientização de todos. É uma responsabilidade compartilhada, que inclui empresas, governo e população”, aponta.
Ele considera que a Política Nacional de Resíduos Sólidos, regida pela Lei 12.305/2010 não é devidamente cumprida até hoje. E que nem mesmo a separação básica entre orgânico e reciclável ocorre de forma minimamente satisfatória.
PG é capital de reciclagem do isopor
Mas Michaltchuk acredita que projetos bem trabalhados e mantidos através de diferentes gestões geram resultados práticos. “Ponta Grossa é a capital paranaense da reciclagem de EPS, ou poliestireno expandido – o nome técnico para o isopor. (…) Em 2015 colocamos na Acamaro, em Oficinas, uma máquina que reduz 95% do isopor tradicionalmente conhecido, facilitando comércio e reciclagem com a empresa Santa Luzia, de Santa Catarina”, dz.

Em 10 anos, foi possível reciclar mais de 150 toneladas de isopor. Isso equivaleria, segundo ele, a cerca de R$ 250 mil revertidos para as três cooperativas de reciclagem da cidade: Acamaro, Acamaru e Acamaruva. “Isso gera trabalho e renda para os ‘agentes ambientais’, como gosto de chamar os trabalhadores das cooperativas”, diz o professor.
Lei municipal exemplar de reciclagem em Ponta Grossa
Ele destaca, ainda, que Ponta Grossa é um dos poucos municípios do Brasil a ter lei municipal (sancionada, regulamentada e em vigor) que proíbe destinar isopor a aterros sanitários, lixões e ambientes públicos. “Antes, lojas de eletrodomésticos costumavam queimar o isopor nos fundos do estabelecimento. A lei permitiu dobrarmos o volume de EPS reciclável em Ponta Grossa. Por isso, tenho muito orgulho da cidade, já que outros municípios da região seguiram o exemplo, e em 2026 queremos ampliar isso”, comenta Ivam Michaltchuk.
Saiba mais sobre o trabalho de Ivam Michaltchuk:
Confira o mapa da reciclagem em Ponta Grossa:
Aqui você confere:
- Dias e locais com coleta porta-a-porta de recicláveis
- Locais onde se encontram os Pontos de Entrega Voluntária
Saiba o que pode ser reciclado e como fazer separação em PG:

Orientações para reciclagem correta
- Numa caixa ou saco plástico, coloque os materiais recicláveis conforme a orientação contida na imagem desta página. Lembre-se de lavar garrafas, frascos e embalagens antes de separá-los para a reciclagem.
- Num outro saco plástico coloque o resíduo orgânico (restos de alimentos) e em outro o rejeito: papel higiênico, fraldas descartáveis entre outros.
- O material reciclável separado pode ser coletado nos setores abrangidos pela coleta seletiva, entregues em um dos PEVs (Ponto de Coleta Seletiva) dispostos por toda a cidade ou ainda trocados por produtos do programa Feira Verde.
Reciclagem em Ponta Grossa e Plano de Metas
A reportagem do DC também questionou a Prefeitura de Ponta Grossa sobre quais melhorias estão previstas no sistema de coleta e destinação de resíduos, para ampliar a reciclagem. A assessoria de imprensa não respondeu até a publicação desta reportagem. No entanto, algumas mudanças estão previstas no Plano de Metas da Prefeitura para serem executadas até 2028:
- Implantação de uma usina de compostagem para reduzir resíduos enviados ao aterro sanitário.
- Criação de uma Central de Segregação e Valorização de Resíduos Recicláveis, com estudos para a formação de novas associações de catadores nos bairros Contorno, Boa Vista e Vila Borato.
- Promover atividades de educação ambiental para 900 alunos do ensino médio e ensino técnico.
- Implementação de programas educativos nas escolas, incluindo capacitação de professores para abordar temas como sustentabilidade.

