
Quem gosta de cultura e história local tem agenda obrigatória no próximo mês. De 1º a 6 de setembro, o Centro Cultural Professor Faris Michaele, em Ponta Grossa, realizará a “Semana Faris Michaele 2025 – Entre ruas e memórias”. Serão dias de uma programação dedicada a valorizar a vida e a obra do intelectual Faris Antônio Salomão Michaele.
Instituída por lei em 2011, a Semana tem como propósito enaltecer a figura desse personagem da história e da cultura ponta-grossense, preservando sua memória e ampliando o conhecimento sobre sua contribuição à comunidade.
Para o presidente do Centro Cultural, Douglas Passoni de Oliveira, “mesmo que reconheçamos a importância do legado de Faris Michaele, é necessário um trabalho contínuo de conscientização da comunidade acerca desse intelectual, que ainda permanece desconhecido e pouco valorizado.”
Programação
- 1º de setembro: a programação terá início às 16h, com o lançamento do vídeo “Perfil Biográfico – Faris Michaele” (versão em alemão legendada em português), realizado em parceria com o Centro de Línguas Germânia, com roteiro e execução de Newton Schner Jr.
- 3 de setembro: às 15h, acontece o roteiro guiado “Nos passos de Faris Michaele”. Um grupo percorrerá ruas e lugares marcados pela presença do homenageado. A concentração será na Biblioteca Paranista Eno Teodoro Wanke, localizada no Boulevard Center (Rua XV de Novembro, 512 – Sala 2). Às 17h, será realizado o descerramento da placa revitalizada do Centenário na Praça Faris Michaele, anexa ao Centro de Cultura Cidade de Ponta Grossa.
- 6 de setembro: encerrando a programação, às 10h, ocorre o Sarau Literário no auditório da Biblioteca Pública Municipal Prof. Bruno Enei, com leituras de poesias de Faris Michaele.
As atividades contam com o apoio da Academia de Letras dos Campos Gerais, por meio da Biblioteca Paranista Eno Teodoro Wanke, do Centro de Línguas Germânia, do Centro de Cultura Cidade de Ponta Grossa e da Biblioteca Pública Municipal Bruno Enei.
Faris Michaele
Nasceu em Mococa, São Paulo, em 3 de setembro de 1911. Era filho de Antônio Salomão Michaele e de Rosa Jorge Michaele, ele poliglota (falava português, espanhol, italiano, árabe, russo e grego antigo). O filho seguiu-lhe o exemplo, dominando vários idiomas. No Colégio Regente Feijó, em Ponta Grossa, cidade em que se criou, fundou o Grêmio Literário Visconde de Taunay, bem como a biblioteca e o jornal “O Fanal”.
Formação
Diplomou-se pela Faculdade de Direito da Universidade Federal do Paraná. Instalou ainda em Ponta Grossa o American Reading Room para o ensino de inglês, assim como o Centro Cultural Brasil-Estados Unidos. Aposentou-se como professor do Colégio Regente Feijó. Foi dos fundadores da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, onde lecionou antropologia, língua tupi, literatura hispano-americana, etnografia, além do português, francês e castelhano.
Tornou-se presidente perpétuo do Centro Cultural Euclides da Cunha e diretor da revista Tapejara. Encontrava-se também entre os fundadores da Faculdade de Direito de Ponta Grossa, na qual regeu a disciplina de Introdução à Ciência do Direito.
Literatura
Escritor de alto mérito, a sua obra “Ensaios Contemporâneos” mereceu elogios da crítica especializada. O seu livro “Titãs de Bronze” reuniu poesias em quatro línguas. Em “Breve introdução à Antropologia Física”, mostrou-se profundo conhecedor da matéria.
Suas obras revelam abrangência de temas complexos. O seu Manual de conversação da língua tupi oferece bem a ideia de suas qualidades de professor da disciplina, pela coordenação que soube imprimir às vinte lições em que divide a gramática.
Seu nome ultrapassou o âmbito provinciano e está ligado a grandes entidades culturais das Américas e do Velho Mundo, notadamente no campo da antropologia. Exerceu atividade cultural intensiva.
Últimas obras
Grande parte de sua vida dedicou-se, para elucidar a verdade científica a respeito do caboclo e em benefício da cultura brasileira. Estava com o livro pronto e tinha resolvido editá-lo, quando sua morte surpreendeu a todos. Sua esposa comprometeu-se a publicar “O Direito entre os Índios do Brasil”, em 1979 e “Cepa Esquecida: Brasileiros ilustres de sangue indígena”, em setembro de 2012. Faleceu em Ponta Grossa no dia 21 de maio de 1977. (As informações são da CCPFM e da ALCG, Academia na qual Michaele fundou a Cadeira 16)