PG terá roteiro de cultura e história na Semana Faris Michaele


Por Danilo Kossoski
Roteiro da Semana Faris Michaele deve incluir passagem diante de sua antiga moradia, no edifício Drº Gabriel Bacila, Centro de Ponta Grossa

Roteiro da Semana Faris Michaele deve incluir passagem diante de sua antiga moradia, no edifício Drº Gabriel Bacila, Centro de Ponta Grossa / Foto: Acervo Museu Cenas

Roteiro da Semana Faris Michaele deve incluir passagem diante de sua antiga moradia, no edifício Drº Gabriel Bacila, Centro de Ponta Grossa
Roteiro da Semana Faris Michaele deve incluir passagem diante de sua antiga moradia, no edifício Drº Gabriel Bacila, Centro de Ponta Grossa / Foto: Acervo Museu Cenas

Quem gosta de cultura e história local tem agenda obrigatória no próximo mês. De 1º a 6 de setembro, o Centro Cultural Professor Faris Michaele, em Ponta Grossa, realizará a “Semana Faris Michaele 2025 – Entre ruas e memórias”. Serão dias de uma programação dedicada a valorizar a vida e a obra do intelectual Faris Antônio Salomão Michaele.

Instituída por lei em 2011, a Semana tem como propósito enaltecer a figura desse personagem da história e da cultura ponta-grossense, preservando sua memória e ampliando o conhecimento sobre sua contribuição à comunidade.

Para o presidente do Centro Cultural, Douglas Passoni de Oliveira, “mesmo que reconheçamos a importância do legado de Faris Michaele, é necessário um trabalho contínuo de conscientização da comunidade acerca desse intelectual, que ainda permanece desconhecido e pouco valorizado.”

Programação

As atividades contam com o apoio da Academia de Letras dos Campos Gerais, por meio da Biblioteca Paranista Eno Teodoro Wanke, do Centro de Línguas Germânia, do Centro de Cultura Cidade de Ponta Grossa e da Biblioteca Pública Municipal Bruno Enei.

Professor Faris, e sua esposa Amélia Oberg Michaele / Imagem divulgação CCPFM

Faris Michaele

Nasceu em Mococa, São Paulo, em 3 de setembro de 1911. Era filho de Antônio Salomão Michaele e de Rosa Jorge Michaele, ele poliglota (falava português, espanhol, italiano, árabe, russo e grego antigo). O filho seguiu-lhe o exemplo, dominando vários idiomas. No Colégio Regente Feijó, em Ponta Grossa, cidade em que se criou, fundou o Grêmio Literário Visconde de Taunay, bem como a biblioteca e o jornal “O Fanal”.

Formação

Diplomou-se pela Faculdade de Direito da Universidade Federal do Paraná. Instalou ainda em Ponta Grossa o American Reading Room para o ensino de inglês, assim como o Centro Cultural Brasil-Estados Unidos. Aposentou-se como professor do Colégio Regente Feijó. Foi dos fundadores da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, onde lecionou antropologia, língua tupi, literatura hispano-americana, etnografia, além do português, francês e castelhano.

Tornou-se presidente perpétuo do Centro Cultural Euclides da Cunha e diretor da revista Tapejara. Encontrava-se também entre os fundadores da Faculdade de Direito de Ponta Grossa, na qual regeu a disciplina de Introdução à Ciência do Direito.

Literatura

Escritor de alto mérito, a sua obra “Ensaios Contemporâneos” mereceu elogios da crítica especializada. O seu livro “Titãs de Bronze” reuniu poesias em quatro línguas. Em “Breve introdução à Antropologia Física”, mostrou-se profundo conhecedor da matéria.

Suas obras revelam abrangência de temas complexos. O seu Manual de conversação da língua tupi oferece bem a ideia de suas qualidades de professor da disciplina, pela coordenação que soube imprimir às vinte lições em que divide a gramática.

Seu nome ultrapassou o âmbito provinciano e está ligado a grandes entidades culturais das Américas e do Velho Mundo, notadamente no campo da antropologia. Exerceu atividade cultural intensiva.

Últimas obras

Grande parte de sua vida dedicou-se, para elucidar a verdade científica a respeito do caboclo e em benefício da cultura brasileira. Estava com o livro pronto e tinha resolvido editá-lo, quando sua morte surpreendeu a todos. Sua esposa comprometeu-se a publicar “O Direito entre os Índios do Brasil”, em 1979 e “Cepa Esquecida: Brasileiros ilustres de sangue indígena”, em setembro de 2012. Faleceu em Ponta Grossa no dia 21 de maio de 1977. (As informações são da CCPFM e da ALCG, Academia na qual Michaele fundou a Cadeira 16)

Leia também:

Sair da versão mobile