
Ponta Grossa apareceu como a cidade que possui a maior capacidade de armazenagem agrícola instalada no Estado do Paraná. Suas instalações armazenam 2,6 milhões de toneladas. Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), referentes à Pesquisa de Estoques divulgada nesta quinta-feira (11), também colocam o PR como a terceira maior capacidade de armazenagem agrícola do Brasil.
O volume coloca o Paraná atrás apenas do Mato Grosso, líder nacional com capacidade para 64,2 milhões de toneladas, e do Rio Grande do Sul, com 38,9 milhões. Em número de estabelecimentos, o Estado também ocupa a terceira posição nacional.
Estruturas
Os silos são a principal estrutura de armazenagem do Estado, respondendo por 20,7 milhões de toneladas de capacidade, ou cerca de 58% do total. Outros 10,5 milhões de toneladas estão distribuídos em armazéns graneleiros e granelizados, enquanto os armazéns convencionais, estruturais e infláveis somam 4,5 milhões de toneladas.
Outros municípios e comparativos
Além de PG, também se destacam Paranaguá, com capacidade para 1,49 milhão de toneladas, Guarapuava, com 1,38 milhão, e Toledo, com 1,25 milhão de toneladas.
Sozinho, o Paraná possui capacidade de armazenagem mais de duas vezes superior à disponível em todos os estados do Nordeste juntos, que somam cerca de 14,7 milhões de toneladas. O resultado reforça a posição do Estado como um dos principais polos produtores e exportadores do agronegócio brasileiro.
Logística e competitividade
A armazenagem é considerada uma das etapas mais estratégicas da cadeia do agronegócio. A disponibilidade de espaço para guardar a produção após a colheita reduz gargalos logísticos, evita a concentração do transporte em curtos períodos, permite melhor planejamento da comercialização e contribui para reduzir custos operacionais.
A estrutura também favorece o escoamento da produção para indústrias, mercados consumidores e terminais portuários. Com uma das maiores produções agrícolas do País e acesso a importantes corredores logísticos de exportação, o Paraná consegue distribuir o fluxo de grãos ao longo do ano, aumentando a eficiência da cadeia produtiva.
O levantamento do IBGE também evidencia a força do cooperativismo paranaense. Das 35,7 milhões de toneladas de capacidade de armazenagem do Estado, cerca de 18,5 milhões estão vinculadas às cooperativas, que mantêm 594 estabelecimentos armazenadores. A iniciativa privada responde por outros 769 empreendimentos e aproximadamente 12 milhões de toneladas de capacidade.
Safra em expansão
O avanço da capacidade de armazenagem acompanha o crescimento da produção agrícola estadual. Segundo estimativa divulgada pelo IBGE neste mês, o Paraná deve colher 45,7 milhões de toneladas de cereais, leguminosas e oleaginosas em 2026, volume 20% superior ao registrado no ano anterior.
O Estado aparece entre os principais responsáveis pelo crescimento da safra nacional, impulsionado especialmente pela recuperação da produção de milho e pelo bom desempenho de outras culturas. A estrutura de armazenagem é considerada fundamental para dar suporte a esse aumento da produção, garantindo condições adequadas para conservação e comercialização dos grãos.
Incentivos
Além dos investimentos das cooperativas, empresas e produtores, o Governo do Estado também tem adotado medidas para fortalecer a infraestrutura de armazenagem e ampliar a competitividade do agronegócio estadual.
Uma dessas iniciativas foi o encaminhamento de um projeto de lei à Assembleia Legislativa do Paraná para autorizar a concessão das unidades armazenadoras do IDR-Paraná à iniciativa privada. A proposta prevê atrair investimentos para modernização e ampliação da eficiência operacional dessas estruturas.
As unidades funcionam como pontos de apoio para produtores e cooperativas, recebendo excedentes de produção e contribuindo para a integração entre o campo, a indústria e os canais de comercialização e exportação.
Outra ação é o Fundo de Investimento em Direitos Creditórios nas Cadeias Produtivas do Agro (FIDC Agro Paraná), estruturado pelo Governo do Estado para ampliar o acesso ao crédito no campo. O mecanismo prevê até R$ 2 bilhões em financiamentos para projetos de modernização do agronegócio, incluindo investimentos em armazenagem, infraestrutura produtiva e logística rural. (Com informações: Agência Estadual de Notícias)
