Nova queijaria em Ponta Grossa impulsiona cadeia leiteira no Paraná

Em forma de manteiga, queijo, creme de leite ou whey, os investimentos em novas indústrias e na tecnologia no campo têm impulsionado a produção de leite e derivados no Paraná. Em meio a uma série de novos empreendimentos que verticalizam a cadeia leiteira e agregam valor aos produtos, o Estado aumentou em 18% o volume de leite industrializado nos últimos cinco anos.
O volume total de leite fornecido para a industrialização era de 3,09 bilhões de litros em 2018 e saltou para 3,65 bilhões de litros em 2023, o que faz do Paraná o segundo maior produtor de leite e derivados industrializados do País, de acordo com a Pesquisa Trimestral do Leite, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O crescimento no período foi suficiente para o Paraná ultrapassar o Rio Grande do Sul, que em 2023 produziu 3,15 bilhões de litros de leite inspecionado, e diminuir em 25%, de 2,98 bilhões de litros para 2,22 bilhões de litros anuais, a vantagem que Minas Gerais tem na liderança da produção nacional.
Queijaria em Ponta Grossa
Ao todo, os investimentos em andamento ou já realizados no Paraná pelas indústrias de leite e derivados desde 2019 ultrapassam a marca de R$ 1,2 bilhão.
A Unium investiu R$ 460 milhões em uma queijaria em Ponta Grossa está construindo uma nova planta de leite em pó em Castro, com investimentos de R$ 450 milhões. O grupo, que reúne as cooperativas Castrolanda, Frísia e Capal, é o segundo maior produtor de laticínios do Brasil.
A queijaria irá produzir 96 toneladas de produtos e subprodutos por dia: queijos tipo mussarela, prato, cheddar e massa de queijo, além de soro em pó e manteiga. Os produtos serão vendidos na modalidade B2B, ou seja, para outras empresas.
A nova marca ainda irá gerar 66 empregos diretos e cerca de 1.570 indiretos, com a construção da planta. A queijaria está localizada às margens da PR-151, entre Ponta Grossa e Carambeí, ao lado da nova Maltaria Campos Gerais. O local já iniciou os testes de produção e a expectativa é que a inauguração ocorra ainda este ano.
A Prefeitura de Ponta Grossa prevê que a queijaria terá um Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) de R$ 12 milhões anualmente, após o início efetivo da produção.
Mais indústrias
A Tirol escolheu Ipiranga, também nos Campos Gerais, para construir sua primeira unidade fora de Santa Catarina. Com um investimento de R$ 152 milhões, a planta começou a operar com uma capacidade diária de produção de 600 mil litros de leite longa vida, mas com possibilidade de dobrar de tamanho. Já em São Jorge D’Oeste, na região Sudoeste, a goiana Piracanjuba está construindo uma das maiores fábricas de queijos do Brasil, fruto de um investimento de R$ 80 milhões.
Uso da tecnologia
O avanço é fruto da inserção da tecnologia na cadeia leiteira, que promove aumento de produtividade aos produtores, e dos investimentos de grandes indústrias, que fomentam logísticas mais eficientes e garantem a comercialização do que é produzido.
Para dentro da porteira, os produtores melhoraram a adubação das pastagens, a produção de silagem, os sistemas intensivos e as técnicas reprodutivas dos animais. É o que diz um diagnóstico feito pelo Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná) sobre os estabelecimentos leiteiros do Paraná.
Empregos na cadeia leiteira
O avanço no processo de verticalização da cadeia do leite se reflete nos empregos na indústria. No acumulado do ano, entre janeiro e agosto, os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostram que 461 novas vagas de emprego foram geradas nas indústrias de laticínios do Paraná. O saldo positivo nas contratações representa um aumento de 3,49% no estoque de empregos ligados à indústria paranaense de laticínios ao longo do ano.
Leia mais: Aposta simples e bolão de PG levam R$ 11,6 mil na Mega Sena
