
Se uma imagem fala mais que mil palavras, Melissa Garabeli encontrou sua voz. Ilustradora e quadrinista nascida e criada em Ponta Grossa, Melissa transforma sentimentos em aquarela e histórias em páginas que atravessam fronteiras. Com uma trajetória marcada pela fé, pela persistência e pelo desejo de tocar vidas por meio da arte, ela vem se consolidando como referência em seu seguimento.
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A fé como guia
Descendente de alemães e italianos, Melissa cresceu em um lar cristão, onde a espiritualidade sempre foi parte essencial da rotina. A fé, segundo ela, é o fio condutor de sua vida e também da sua arte. “Está presente em todos os momentos da minha trajetória”, afirma. Essa conexão com o divino se reflete não apenas em suas obras, mas também em seus projetos editoriais, como o selo Pequeninho, voltado à literatura infantil cristã.
Entre casa e igreja
Melissa vive no bairro Órfãs, onde mora atualmente com o marido e parceiro criativo, Phellip Willian. Estudou nas escolas Bom Pastor, Júlio Teodorico e Santana, e formou-se em Artes Visuais pela UEPG entre 2011 e 2014. Hoje, trabalha em home office e frequenta a Igreja Presbiteriana Independente nos fins de semana, mantendo viva a conexão com suas raízes espirituais.
A arte silenciosa
Desde criança, Melissa encontrou no desenho uma forma de expressão mais confortável do que a fala. “Nunca gostei de falar em público ou de me expressar por meio das palavras”, conta. A arte, para ela, é uma ponte entre o mundo interno e o externo, uma maneira de refletir sobre a vida e compartilhar beleza. Quando percebeu que poderia transformar essa expressão em livros que chegassem a muitas pessoas, entendeu que havia encontrado seu propósito.
Técnica e sensibilidade
Melissa trabalha principalmente com aquarela, complementada por lápis de cor. A escolha por técnicas tradicionais revela não apenas uma preferência estética, mas também um compromisso com o desafio e a evolução constante. “Gosto do desafio de sempre me aprimorar mais no próximo desenho”, diz, reconhecendo que o limite de correção nas técnicas manuais exige precisão e entrega emocional.
Apoio aos sonhos
A trajetória de Melissa não seria possível sem o apoio incondicional de sua família. Desde a infância até o término da faculdade, seus pais investiram em materiais e incentivaram sua criatividade. Mais tarde, foi Phellip quem sustentou o casal enquanto ela batalhava para viver da arte. “Por muitos anos eu não consegui ganhar dinheiro com o meu trabalho, mesmo produzindo bastante”, relembra. Hoje, o casal vive dos livros que criam juntos, celebrando uma parceria que é tanto afetiva quanto artística.
Reconhecimento
A virada na carreira veio em 2018, com o lançamento da graphic novel “Saudade”, criada em parceria com Phellip. A obra conquistou o público e a crítica, vencendo o prêmio Ângelo Agostini de melhor publicação independente e o HQ Mix de novo talento desenhista. Foi finalista do Prêmio Jabuti e do prestigiado Eisner Awards, nos Estados Unidos. Saudade também ganhou edições na França, Espanha e EUA, sendo hoje publicado pela Harper Collins.
Em 2021, o casal lançou “Calmaria”, outra graphic novel que também chegou ao mercado francês. No ano seguinte, criaram o selo Pequeninho, voltado à literatura infantil cristã, em parceria com a editora Thomas Nelson Brasil. Desde então, têm publicado com sucesso livros que unem fé e arte para crianças.
Novos projetos
Atualmente, Melissa acaba de finalizar um livro infantil que será lançado em 2026. Paralelamente, trabalha na produção de uma nova graphic novel ao lado de Phellip, ainda sem título, com previsão de lançamento para o mesmo ano. O futuro, para ela, continua sendo desenhado com delicadeza, fé e persistência.
Princesa em Festa
Este texto é o terceiro que integra a participação do Diário dos Campos na Gincana Princesa em Festa 2025. O DC está inscrito no item 144, categoria PG Cult e Criativa: “Escrever e ilustrar a história de 5 importantes ponta-grossenses”.