
A historiadora e pesquisadora Kamile Almeida lançou, na última sexta-feira (12), o livro Parecia que não tinha dia: vozes e silêncio da prisão, em evento realizado na Biblioteca da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), no campus Uvaranas. A atividade reuniu a autora, professores, convidados, amigos e apoiadores em torno de uma obra construída a partir da escuta, da pesquisa e da reflexão sobre o sistema prisional.
Publicado pela Texto e Contexto Editora, o livro apresenta narrativas de pessoas que passaram pelo cárcere em Ponta Grossa e discute as marcas deixadas pela prisão para além dos muros da penitenciária. A proposta da autora é dar visibilidade a histórias que, muitas vezes, permanecem em silêncio, abordando temas como memória, estigma, vulnerabilidade social, relações familiares, trabalho e liberdade vigiada.
A obra nasce do encontro entre a pesquisa acadêmica e a trajetória de vida de Kamile, que cresceu na periferia de Uvaranas, em Ponta Grossa, e acompanhou de perto realidades ligadas à vulnerabilidade social. Ao longo da pesquisa, a autora ouviu histórias de dor, resistência e esperança, compreendendo que os efeitos da prisão ultrapassam a pessoa encarcerada.
“A prisão não atinge apenas quem está atrás das grades. Ela atravessa famílias, agentes penitenciários, policiais, assistentes sociais e todo o sistema de justiça. Por isso, este não é um livro sobre crimes. É um livro sobre pessoas”, destaca Kamile Almeida.
O título da obra vem da fala de um dos colaboradores entrevistados durante a pesquisa: “parecia que não tinha dia, todo dia era noite”. Segundo a autora, a expressão traduz a experiência do cárcere como um tempo suspenso, em que os dias perdem o sentido e a vida parece interrompida dentro dos muros.
Dividido em três capítulos, o livro acompanha diferentes momentos da experiência prisional: a entrada no sistema, a vida entre muros e os estigmas que permanecem após a liberdade. Com base na história oral, os relatos foram construídos a partir de entrevistas com pessoas que vivenciaram a reclusão, sempre com nomes fictícios e atenção aos princípios éticos da pesquisa.
Kamile Aparecida Lemes de Lima de Almeida é bacharela em História e mestra em História, Cultura e Identidades pela UEPG. Também possui formação em História, Pedagogia, Educação Especial Inclusiva e Neuropsicopedagogia. Para a autora, a publicação também representa uma forma de devolução à sociedade. “Acredito profundamente na educação pública. Foi ela que transformou a minha vida, e este trabalho também é uma forma de devolução”, afirma.
O acesso à obra está disponível pelo site da Texto e Contexto Editora: clique aqui para acessar o livro. (Das assessorias)
