Legado: Robert Salgueiro mantém viva arte circense iniciada há quatro gerações


Por Redação Diário dos Campos

Foto: Duo Festta Fotografias

Foto: Duo Festta Fotografias

Com uma vida inteiramente dedicada à arte que respira desde o nascimento, Robert Salgueiro é o artista por trás do nariz vermelho e do sorriso contagiante do Palhaço Picolé. Representando a quarta geração de uma tradicional família circense, ele assumiu para si a missão de perpetuar a magia do picadeiro, combinando a herança artística com uma visão empreendedora e moderna.

Arte desde os três anos

Nascido em Paranaguá, literalmente durante a passagem do circo de seu avô pela cidade, a infância de Robert foi tudo menos comum. Desde os três anos de idade, ele já se apresentava como “palhacinho” ao lado do pai e dos irmãos, vivendo e brincando com a arte que o rodeava. “Nasci praticamente dentro do picadeiro”, relembra Robert, destacando a onipresença da inspiração em seu ambiente familiar. Enquanto outras crianças idolatravam super-heróis como Superman e Batman, seu grande herói era o próprio pai, com suas performances como palhaço e trapezista. Essa imersão total na cultura circense moldou seu destino e sua paixão.

Pizza e circo

A ligação de Robert com Ponta Grossa começou aos oito anos, quando sua família foi contratada para se apresentar em uma famosa pizzaria da cidade, um lugar que marcou a infância de muitos moradores locais. A cidade o acolheu, e foi ali que ele decidiu construir suas raízes. “É uma cidade que amo demais, é uma cidade que me acolheu, acolheu minha família”, afirma ele. Hoje, casado com Giovana Salgueiro, com quem tem dois filhos e uma forte parceria profissional, Robert se sente feliz e enraizado em Ponta Grossa.

Profissionalismo

Após uma adolescência mais introvertida, nos últimos 12 anos ele deu uma nova direção ao seu trabalho, adotando uma abordagem profissional e empreendedora para levar a arte do circo a todos os públicos. Consciente das transformações no mundo do entretenimento, ele vê a modernização como uma aliada. “Hoje, com a chegada das redes sociais, o circo se transformou para atender à demanda”, explica, mencionando como os espetáculos evoluíram para incluir mais conforto, luzes e atrações que geram engajamento online. Robert também credita à internet a possibilidade de conhecer trabalhos circenses do exterior, o que ajuda na constante evolução de seus próprios projetos.

Além do picadeiro

O compromisso de Robert Salgueiro vai além do picadeiro tradicional. Ele lidera diversas iniciativas sociais para democratizar o acesso à arte circense. Um dos destaques é um projeto que leva, gratuitamente, espetáculos e oficinas com o Palhaço Picolé a mais de 70 APAEs por todo o Paraná, alcançando um público que, por diversas razões, tem acesso limitado à cultura. Outra iniciativa de grande impacto é o “Circo na Praça”, um projeto que oferece apresentações gratuitas e de alta qualidade em áreas periféricas, centrais e rurais, principalmente na região dos Campos Gerais. “É incrível ver como as pessoas amam o circo”, comenta sobre a recepção do público.

O elenco

A força de seu trabalho está também na equipe, que é um verdadeiro núcleo familiar e artístico. Ele trabalha com orgulho ao lado de sua esposa, Giovana, a quem descreve como “talentosíssima” e uma parceira fundamental como produtora artística, atriz, acróbata e bailarina. Ela também lidera o projeto “O Palhaço, a Bailarina e a alegria de estudar”, que leva às escolas uma apresentação com o tema do combate ao bullying. Além dela, Robert tem a “bênção” de trabalhar com seu pai, um mestre com mais de 60 anos de história circense, de quem aprendeu tudo o que sabe. A equipe se completa com o fotógrafo Daniel Festa, responsável por eternizar os momentos mágicos de suas apresentações. “Esse clima leve e feliz é transmitido para quem está assistindo”, reflete Robert sobre o ambiente de trabalho harmonioso.

Herança

Como herdeiro de um legado iniciado por sua bisavó, Robert Salgueiro, através do Palhaço Picolé, não apenas entretém, mas garante que a tradição da Família Salgueiro — que possui circos espalhados por todo o Brasil — continue viva, relevante e acessível para as próximas gerações. Seu trabalho é um tributo responsável e alegre à arte que o formou, garantindo que a magia do circo continue a encantar e a unir pessoas de todas as idades.

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