Júri vai decidir se mulher morta em PG foi vítima de feminicídio ou homicídio

O Tribunal do Júri da Comarca de Ponta Grossa irá decidir se Maria Silmara Bonete, 40 anos, foi vítima de feminicídio ou de homicídio. Ela foi assassinada há pouco mais de um ano; o único réu pelo crime é um ex-namorado dela.
Feminicídio
Na denúncia apresentada pelo Ministério Público do Paraná, com base nas investigações realizadas pela Polícia Civil, Maria Bonete foi morta dentro das características do crime de feminicídio. “O MPPR […] buscará a condenação do denunciado por feminicídio duplamente qualificado por motivo torpe e emprego de asfixia”.
Homicídio
Já a defesa do réu – que aguarda pelo julgamento preso desde o dia da morte de Maria Bonete – tentará desqualificar a tese de feminicídio por motivo passional e alega que ele não agiu por ciúmes. Segundo seus advogados, a relação de ambos era estritamente de cliente e “prestadora de serviços”, o que não pode ser caracterizado como violência doméstica, e, portanto, feminicídio.
Relembre o caso
As investigações da Polícia Civil concluíram que o acusado agiu motivado por ciúmes, já que o casal teria terminado um relacionamento dois meses antes do assassinato.
Na noite do dia 24 de fevereiro de 2024, o réu encontrou Maria Bonete num bar onde ela trabalhava, na Vila Vendrami. Os dois saíram juntos e foram à residência do suspeito.
Imagens
Câmeras de segurança mostraram que as últimas imagens de Maria Bonete ainda com vida foram registradas por volta das 11h15 do dia 25 de fevereiro. Cerca de uma hora e meia depois, as imagens gravaram o acusado arrastando o corpo da vítima com ajuda de uma corda.
Com a chegada da Polícia Militar, por volta das 13 horas, o acusado apresentou sinais de agitação e visível estado de embriaguez. Após buscas no local, os policiais encontraram o corpo da mulher já sem vida, próximo a uma árvore nos fundos do terreno. O suspeito foi preso em flagrante.
Julgamento remarcado

O julgamento do caso através do Tribunal do Júri estava marcado para o dia 6 de maio, última terça-feira, mas foi adiado por uma decisão do Juízo. Todos os envolvidos já estavam no Fórum quando receberam a notícia.
O julgamento foi adiado para atender a um pedido da defesa, que alegou não ter tido tempo suficiente para analisar novas provas anexadas ao processo.
Segundo os advogados do réu, um laudo com 54 páginas teria sido acrescentado à documentação 48 horas antes do julgamento. O MP, porém, disse que o novo laudo foi anexado uma semana antes da data do júri.
A sessão do Tribunal do Júri foi remarcada para o dia 29 de julho, às 8h30.
