
A jovem ponta-grossense Rayane Safer, de 27 anos, realizou o procedimento de laqueadura pelo SUS e contou com detalhes a experiência nas redes sociais. A cirurgia, realizada no dia 16 de maio, foi um sucesso. A jovem decidiu compartilhar sua experiência nas redes sociais, diz ela, para conscientizar mulheres que não sabiam da possibilidade de fazer a operação gratuitamente.
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“A intenção da minha publicação foi relatar para mais mulheres como funciona, porque eu mesma estava perdida e não tem em lugar nenhum informações dizendo como funciona. Eu mesmo só fui saber o método usado para a laqueadura quase no fim do processo”, comenta a mulher.
O que é a laqueadura
A laqueadura é um procedimento de esterilização feminina que previne a gravidez a partir do corte ou da obstrução das trompas de Falópio. Rayane, que é casada há cinco anos, busca desfazer os estigmas que ainda existem por trás desta cirurgia. Para fazer a laqueadura no SUS, a mulher precisa ser maior de 21 anos ou ter pelo menos dois filhos vivos, independentemente da idade.
É obrigatório também manifestar a vontade de fazer a cirurgia 60 dias antes do procedimento. O consentimento do cônjuge não é obrigatório para autorizar a mulher a fazer a esterilização.
O processo para realizar a cirurgia
A jovem não tem filhos e decidiu realizar o procedimento porque o método contraceptivo é definitivo e não é hormonal. Ela relatou que iniciou o processo pelo posto de saúde, na UBS mais próxima da casa dela. Neste caso, o processo teve início no dia 19 de dezembro de 2024.
Ela apresentou no posto os documentos pessoais como RG e CPF, além de Cartão SUS e comprovante de residência. É feito um cadastro e depois se inicia a contagem dos 60 dias até a liberação do procedimento. Segundo Rayane, o período serve para que a mulher reflita se realmente tem certeza de sua decisão.
Ainda no processo até a realização da cirurgia, relata, a mulher ainda passa por acompanhamentos com psicóloga e assistente social, na qual são feitas entrevistas e esclarecimentos sobre o procedimento. A paciente disse que passou pela assistente social no dia 3 de abril, que a consulta é tranquila e depois acontece a assinatura de alguns termos.
Procedimentos médicos
Rayane entrou para a fila dos procedimentos em sétima colocação. No dia 15 de abril ela recebeu o contato do posto convocando para a primeira consulta médica. Nesta oportunidade, a paciente realiza um eletrocardiograma. Todas as mulheres que fazem a laqueadura pelo SUS na região de PG realizam o procedimento no Instituto Moriah, responsável pelo Hospital Anna Fiorillo Menarim, em Castro. “Tinha mulheres de União da Vitória, Reserva, Palmeira. Todas são encaminhadas para Castro”, relata Rayane.
Internação e preparação
No dia 29 de abril, o Instituto Moriah entrou em contato com a jovem para confirmar a cirurgia e dar detalhes sobre a internação. Rayane relata que recebeu um documento com informações do que deveria levar, instruções sobre higiene e medicamentos que deveriam ser suspensos ou utilizados.
Skip to PDF contentNo dia 16 de maio, ela foi internada no Instituto. Segundo a paciente, as mulheres passam por uma coleta de sangue para teste de gravidez e outros três exames. Se os resultados estiverem bons, a mulher fica para a internação.
“Havia 20 mulheres nesse dia para realizar o procedimento. Todas passaram nos exames. Cheguei às 19h50 lá e fui para o quarto à 1h30”, relata. “No quarto, ficamos em duas pacientes e não é indicado levar acompanhantes, apenas em casos necessários”.
Às 2h as enfermeiras passaram o acesso, aferiram a temperatura corporal, batimentos cardíacos e pressão arterial. A programação previa banho às 5h30 da manhã e início das cirurgias às 8h. As pacientes precisam ficar em jejum desde a meia-noite.
A cirurgia
Rayane foi levada para a pré-sala da cirurgia por volta de 12h30, já com pijama cirúrgico, máscara e touca. As pacientes tomam anestesia raquidiana, que é a mesma utilizada nas cesáreas, e continuam conscientes durante o procedimento, mas sem sensibilidade da região da cintura para baixo. “Eu, particularmente, não senti absolutamente nada durante a aplicação, super tranquilo”, diz.
“Havia muita gente para lá e para cá. O cirurgião mesmo estava ajudando, se revezando em três ou quatro salas. Quem realmente estava fazendo o procedimento eram os residentes”, relatou a paciente. Segundo ela, o procedimento durou de 15 a 20 minutos. Ela disse que saiu sem dores ou fraquezas.
“Algumas meninas saíram super mal. A questão do nervosismo influencia em absolutamente tudo”, relata. Depois do procedimento, as mulheres passam cerca de 10 minutos em observação e retornam ao quarto. A incisão é feita na região pélvica e, no caso de Rayane, foram dados 10 pontos de sutura.
Pós-operatório
As pacientes precisam ficar 7h em repouso absoluto, deitadas e sem poder se mover. Rayane voltou ao quarto às 13h30, dormiu e pode sentar para comer por volta das 20h. Ela teve ajuda das enfermeiras para sentar. Durante a tarde, também houve horário de visitas entre às 16h e às 17h.
“O único momento que passei um pouco mal foi para sentar na cama, é bem ruim. Eu fiquei um tempo me recuperando antes de comer, para não ter perigo de vomitar, nem nada”, diz. Ela também elogiou a qualidade da comida do Instituto Moriah, mas disse ter sentido vontade de vomitar mesmo estando com fome.
Com a ajuda das enfermeiras, as pacientes podem caminhar um pouco pelo quarto e tomar banho. Rayane, no entanto, só conseguiu tomar banho na manhã do dia 18 de maio, pouco antes de receber alta, às 10h daquele dia.
Recuperação
A jovem recebeu um atestado médico de 14 dias, mas, segundo ela, a recuperação plena leva mais de 30 dias. Ela não pode fazer esforço ou levantar peso, também não deve ficar deitada por muito tempo para evitar risco de trombose. Ela afirmou estar fazendo uso apenas de ibuprofeno.
Para finalizar, a jovem ressaltou a boa qualidade do atendimento no SUS. “A equipe do hospital era maravilhosa, todas as enfermeiras super atenciosas, equipe médica atenciosa e focada, pessoal da limpeza e das refeições, maravilhosas. Fiquei muito feliz de ser atendida por uma equipe 99% feminina. Me senti completamente acolhida e orgulhosa”, conclui.
