Giorgia Bochenek aponta avanços de 2023 e demandas para 2024

A Associação Comercial, Industrial e Empresarial de Ponta Grossa (ACIPG) tem com missão a representatividade de diversos setores econômicos da cidade. Neste ano foram muitas notícias de indústrias se instalando ou confirmando instalação na cidade, e também houve investimentos no Distrito Industrial. Ainda foram apontadas demandas do comércio e dos empresários. A reportagem dos Diário dos Campos e portal DCmais conversou com a presidente da ACIPG, Giorgia Bin Bochenek, a respeito de como foi os avanços no ano de 2023 e as demandas para 2024.
DCmais: O Município vem destacando a pavimentação asfáltica em execução no Distrito Industrial. O que isso muda, na prática, para os empresários?
Giorgia Bochenek: Trata-se de uma importante conquista para a nossa cidade, que reforça a infraestrutura de um setor que é essencial em nossa cidade. Ponta Grossa a cada ano vem se tornando um município cada vez mais pujante, e a indústria tem um papel decisivo nesse desenvolvimento. Com o porte que nossa indústria possui, é necessário que se tenha um Distrito Industrial com infraestrutura e condições cada vez melhores e a altura do setor.
Estima-se que 12 mil pessoas transitam diariamente pelo Distrito Industrial Cyro Martins, além de trafegar o equivalente a 20 mil toneladas de mercadorias nas ruas e vias marginais à BR-376 e PR-151, por isso a necessidade de uma estrutura adequada.
DCmais: O Distrito Industrial Norte, às margens da PR-151, vem se consolidando com a instalação da Maltaria Campos Gerais e, em breve, da Nissin. Qual foi o papel da ACIPG nessas negociações ou de que forma a entidade deve atuar a partir do momento em que ambas entrarem em operação?
Giorgia: A ACIPG atua como parceria do poder público para que novas conquistas sejam obtidas pelo município, seja oferecendo todo o tipo de apoio, com o know-how de sua diretoria, ou mediante sua atuação política junto aos governos estadual e federal.
Estamos prestes a passar por uma quarta ampliação de nosso parque fabril, com a instalação da Owens-Illinois, Nissin, Maltaria, e com pequenas e médias empresas projetando suas instalações em diversas áreas naquela região, portanto, é mais que necessário que se ofereça uma estrutura adequada. É necessário que haja novos pontos de ônibus, melhoria na iluminação, reativação do posto do corpo de bombeiros, doação ou regularização dos lotes baldios que acumulam mato, ampliação da rede de gás natural, melhorias na qualidade da energia elétrica, e uma presença maior de equipes de segurança pública.
A ACIPG conta com uma diretoria industrial e o núcleo setorial denominado NDI – Núcleo das Indústrias, que faz reuniões periódicas para ouvir demandas e levar ao poder público as demandas da indústria.
DCmais: Como a ACIPG vem se envolvendo nos debates sobre reforço da segurança pública no Município?
Giorgia: Somente este ano a ACIPG teve participação ativa em pelo menos dois temas muito relevantes na segurança pública do município. Com o crescimento de Ponta Grossa nos últimos anos, a necessidade de reforço na segurança pública ficou mais evidente e a ACIPG fez uma reivindicação junto ao Governo do Estado pela contratação de mais policiais civis e militares para o município. Em uma ação em conjunto com o Ministério Público, expusemos ao Governo do Estado a necessidade de se ter um efetivo policial maior em nossa cidade, já que há um déficit no número de policiais civis e militares nos últimos anos. De acordo com o MP, o Governo do Estado não promoveu um aumento no efetivo policial nas últimas décadas, em contrapartida com o crescimento da cidade. Enviamos um ofício ao Governo do Estado solicitando o aumento policial na cidade, além de pedir um encontro com o Governador para tratar do tema. Trata-se de um assunto importantíssimo, sobretudo porque verificamos que cidades que outras cidades do Estado, de porte semelhante ao nosso, tiveram aumento de efetivo policial, enquanto nós não éramos atendidos.
Outro tema com o qual a ACIPG se comprometeu foi o aumento de roubos, furtos e arrombamentos registrados na região central de Ponta Grossa, sobretudo na rua Bonifácio Vilela. Promovemos uma reunião com lojistas da reunião, que expuseram seus temores, com as forças de segurança do município, além de enviarmos ofícios à Polícia Militar solicitando a realização de policiamento ostensivo durante a madrugada na região central, de pedir à Secretaria de Segurança Pública do município um aumento das câmeras de vigilância na região.
Em ambos os casos os governos estadual e municipal se comprometeram em atender às nossas reivindicações, e a ACIPG estará sempre atenta a este tema que é fundamental para nossa cidade, atuando junto aos poderes responsáveis para atenuar esta situação. Unidos nós podemos fazer muito mais.
DCmais: Aumento do ICMS e ampliação no número de vereadores: qual é o papel da ACIPG na discussão dessas duas pautas, e qual é a avaliação que a entidade faz das discussões envolvendo os dois temas? O Governo aumentou a alíquota, mesmo sob protestos. Acha possível evitar o aumento de vereadores?
Giorgia: A ACIPG é o palco de grandes discussões que interessam de fato à nossa cidade. A ACIPG se posicionou contra o aumento do ICMS, alertando o Governo do Estado para o fato de que aumento de imposto não significa, necessariamente, aumento de arrecadação. Quanto maior a alíquota, menor é o poder de compra do consumidor e consequentemente menor o resultado das empresas. Da mesma forma, menor é a arrecadação do Estado. A economia desaquece e enfraquece. Quando se mantém a alíquota mais baixa, e estável, o consumidor aumenta seu poder de compra, o empresário tem maior poder de investimento em seus negócios e o Estado, como consequência, arrecada mais.
Da mesma forma somos contra o aumento de vereadores em nossa cidade. A nossa opinião é baseada na pesquisa que realizamos com os nossos associados, que mostrou que a maioria deles é contra a ampliação do número de cadeiras na Câmara Municipal. Entendemos que essa medida não trará benefícios para a população, mas sim mais custos para o erário público. Acreditamos que a representatividade se dá pela atuação efetiva e pelo entendimento do trabalho de um parlamentar, e não pelo aumento no número de representantes. Defendemos que os recursos que seriam gastos com mais vereadores sejam investidos em áreas prioritárias para a nossa cidade, como educação, saúde e segurança. E esperamos que o Legislativo respeite a vontade da maioria dos ponta-grossenses e rejeite esse projeto, que só favorece os interesses políticos de alguns grupos. Queremos uma Câmara Municipal mais enxuta, transparente e comprometida com o desenvolvimento de Ponta Grossa.
DCmais: A expansão do Aeroporto Sant’Ana foi uma das principais demandas deste ano defendidas pela ACIPG. Qual é o atual trâmite em relação ao assunto?
Giorgia: Recentemente as obras de ampliação do Aeroporto Sant’Ana foram incluídas no pacote de obras do PAC anunciado pelo Governo Federal, e aguardamos ansiosamente pelo início delas. Também temos constante contato com o Secretário de Infraestrutura e Logística do Estado, Sandro Alex, e procuramos saber o andamento destas melhorias. Sabemos que se trata de um processo muitas vezes demorado, por questões legais, governamentais, mas é fato que é uma obra que Ponta Grossa necessita, e muito.
Os números mais recentes do Censo comprovam que Ponta Grossa é um dos maiores centros urbanos do Paraná, e os dados econômicos divulgados ao longo dos últimos meses reforçam que o município tem uma das economias mais fortes da região Sul do país. Portanto, no entendimento da ACIPG, é inadmissível que somente uma linha aérea opere na cidade.
Atualmente só há a ocorrência de um voo partindo do Aeroporto Sant’Ana, enquanto que municípios de porte semelhante possuem mais opções de destinos e companhias aéreas disponíveis.
Ponta Grossa, indiscutivelmente um polo econômico fortíssimo, sendo um dos maiores PIBs da região Sul do país, um centro de grandes companhias nacionais e multinacionais, além de se firmar cada vez mais como um polo turístico em franco desenvolvimento, necessita de uma variedade maior de voos.
DCmais: Aqui em PG já se tornou prática comum a retirada de estacionamentos em vias públicas para dar vazão ao fluxo de veículos. Mas isso aumenta a permanência do veículo em trânsito, além de trazer um prejuízo a comerciantes que “perdem” vagas que ficavam próximas do estabelecimento. Como solucionar a questão?
Giorgia: A ACIPG defende o diálogo e a união de diferentes setores para avançarmos. Recentemente reunimos comerciantes e a equipe de tráfego da Autarquia Municipal de Trânsito para discutirmos esta questão da retirada de vagas. Entendemos que a cidade está crescendo e com um número cada vez maior de veículos nas ruas, ao mesmo tempo que a retirada de vagas prejudica os comerciantes. Entendemos que com diálogo entre as partes podem ser encontradas soluções inteligentes para a cidade, que permitam que o trânsito flua sem que o comércio seja prejudicado.
DCmais: A ACIPG tem como uma de suas metas ampliar a adesão de associados. Isso está sendo possível? Quais são, hoje, as vantagens de ser um associado?
Giorgia: Em 2023 a ACIPG atingiu a marca histórica de mais de 2,1 mil empresas associadas, número jamais alcançado ao longo de seus mais de 100 anos. Ultrapassamos esses números e queremos crescer cada vez mais. Mas quando falamos em aumentar o número de associados não é simplesmente trazer estas empresas para se associar e não participar. Queremos uma efetiva e verdadeira participação deste associado. Por isso trabalhamos em vários projetos, como as câmaras de desenvolvimento e estamos abrindo cada vez mais, para que as pessoas possam estar lá dentro.
Hoje são 12 câmaras de desenvolvimento em atuação, contemplando diferentes segmentos como estética, moda, artesanato, construção, mobilidade urbana, entre outros. Além de comitê temáticos, clube de benefícios, cursos, eventos, sempre pensando no crescimento do empreendedor. Temos uma diretoria dedicada, fazendo vários eventos e projetos, e prometemos muito mais em 2024. Temos que trazer soluções, fomentar negócios e a economia da nossa cidade, esse é o maior propósito da associação.
