Especialista comenta impactos de possível tarifa dos EUA a empresas de PG


Por Matheus Dias
Máquina de transporte de madeira, setor afetado pelo tarifaço EUA

Foto: José Aldinan/Arquivo DC.

Máquina de transporte de madeira, setor afetado pelo tarifaço EUA
Foto: José Aldinan/Arquivo DC.

Se não houver avanços nas negociações entre o Brasil e os Estados Unidos, a partir de 1º de agosto os EUA vão taxar em 50% os produtos que os americanos importam do Brasil. A medida promete impactar diversos empreendimentos brasileiros. Mas como ficam as empresas de Ponta Grossa? 

Exportações de PG para os EUA 

Segundo a professora Adriana Fabrini, do Departamento de Comércio Exterior da UEPG, o impacto sobre as exportações de Ponta Grossa é relativamente pequeno. “Em 2024, os EUA foi o 15º país que mais importou produtos de Ponta Grossa, com um montante de aproximadamente US$ 31 milhões, ou seja, apenas 2% do total de nossas exportações. Em 2025 esse padrão se mantém, diz a pesquisadora.

Exportações de Ponta Grossa em 2024. Fonte: Comexstat.
Exportações de Ponta Grossa em 2025. Fonte: Comexstat.

Contudo, alguns setores sentem as perdas de forma mais intensa. É o caso do setor da madeira, por exemplo. “A indústria da madeira será diretamente afetada pois Ponta Grossa e região exporta principalmente madeira e papel para os EUA. Porém, essa indústria em 2025 representou 1,5% das exportação municipais, acrescenta Adriana. “Para o município de forma geral, o tarifaço terá um impacto pequeno, porém significativo para a indústria madeireira do município e da região”, afirma.

Um exemplo disso é o caso da BrasPine, que anunciou férias coletivas para 1.500 colaboradores de suas unidades de Jaguariaíva e Telêmaco Borba. Estas empresas comercializam madeira e derivados para os EUA, materiais muito utilizados na construção civil daquele país.

“O Brasil exporta muito papel para países da América Latina como: Argentina, Colômbia, Chile, Equador, Paraguai, entre outros. E madeira para o México, Arábia Saudita, China, Vietnã, Espanha, entre outros. Ou seja, as empresas da indústria madeireira precisarão buscar a ampliação de mercado e expansão internacional para outros países caso o Governo Brasileiro não obtenha sucesso na negociação dessa tarifa”, sugere a professora.

Setor florestal se mobiliza

A Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal (APRE Florestas) publicou na terça (22) um manifesto público pedindo que o governo federal atue com urgência para reverter a decisão dos Estados Unidos de aplicar tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros, incluindo os de origem florestal.

No manifesto, o presidente da APRE Florestas, Fabio Brun, aponta para a necessidade de uma solução diplomática urgente para evitar prejuízos irreversíveis. “A taxação a esse patamar praticamente inviabiliza os nossos negócios e, como consequência, milhares de empregos e famílias estão ameaçados”, alerta. Para ele, mais do que uma decisão econômica, trata-se de uma medida política, o que exige uma resposta articulada, diplomática e imediata por parte do governo brasileiro.

Dentre os produtos do agronegócio mais vendidos aos EUA, os produtos florestais aparecem em primeiro lugar, com US$ 3,7 bilhões, seguido de cafés (US$ 2 bilhões), carnes (US$ 1,4 bilhão), sucos (US$ 1,1 bilhão) e complexo sucroalcooleiro (US$ 791 milhões). Os Estados Unidos são o maior importador de serrado de pinus do Brasil (37,15%), e o segundo maior importador do Paraná do mesmo produto (30,79%), diz a APRE.

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