
O acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia (UE), assinado no sábado (17) em Assunção, no Paraguai, criou uma das maiores zonas de livre comércio no mundo. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que mais de 5 mil produtos terão imposto zero na UE.
Leia também: Guarda Municipal de PG recebe novas armas
Cerca de 4,4 mil itens europeus também devem passar a ter imposto reduzido ao longo dos próximos 10 anos no Mercosul, de acordo com o levantamento. E como isso interfere nos negócios em Ponta Grossa? Consultado pelo Diário dos Campos, o diretor de Comércio da Associação Comercial, Industrial e Empresarial de Ponta Grossa (ACIPG), Heraldo Luz, demonstra otimismo quanto ao cenário.
Visão da ACIPG
“O acordo Mercosul–União Europeia é visto pela ACIPG como uma oportunidade estratégica para ampliar mercados, reduzir tarifas e dar mais previsibilidade às relações comerciais. A integração tende a fortalecer exportações, atrair investimentos e aumentar a competitividade das empresas, além de ampliar o acesso a insumos e tecnologia”, afirma.
Contudo, acrescenta, as oportunidades não vêm sem desafios. “Há riscos que exigem cautela, como a maior concorrência para setores menos preparados e o impacto sobre pequenos produtores e comerciantes. Também pesam as exigências ambientais e sanitárias rigorosas da União Europeia. Por tudo isso, a ACIPG está preparada para orientar seus associados a esse novo cenário que está por vir. O entendimento da Associação é que o acordo será positivo, se vier acompanhado de políticas de adaptação, inovação e apoio à competitividade”, adiciona.
Indústria e Comércio
A secretária de Indústria, Comércio e Qualificação Profissional, Faynara Merege, também considera que o acordo pode trazer benefícios ao Município.
Segundo ela, a cidade já tem uma vocação muito clara: exporta principalmente alimentos e bebidas e importa máquinas e equipamentos, especialmente da Europa, que ajudam a modernizar as indústrias locais.
“Se esse acordo avançar, a expectativa é positiva. Ele pode abrir mais mercado para os produtos feitos aqui, aumentar a competitividade das nossas empresas e facilitar o acesso a novas tecnologias. Isso significa mais produtividade, mais inovação e mais capacidade de competir fora do Brasil”, diz.
Ela acredita que não deve haver uma mudança radical de imediato no perfil das exportações e importações, mas sim um processo gradual de diversificação. “As oportunidades são grandes, principalmente para quem investe em qualidade, inovação e qualificação da mão de obra. O desafio é se adaptar às exigências do mercado europeu, e é exatamente aí que o poder público precisa atuar, preparando as empresas e os trabalhadores para esse novo cenário”.
Balança comercial PG-UE
Segundo dados oficiais do Comex Stat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), em 2025, Ponta Grossa exportou quase US$ 543 milhões para a UE. No mesmo período, importou quase US$ 269 milhões. Os produtos negociados, contudo, são diferentes.
No âmbito da exportação, PG exportou majoritariamente “Produtos das indústrias alimentares; Bebidas, líquidos alcoólicos e vinagres; Tabaco e seus sucedâneos manufaturados”, com US$ 530.662.585 em negócios no ano passado. No lado da importação, a UE enviou a Ponta Grossa US$ 124.342.993 em “Máquinas e aparelhos, material elétrico e suas partes; Aparelhos de gravação ou reprodução de som, aparelhos de gravação ou reprodução de imagens e de som em televisão, e suas partes e acessórios” ao longo de 2025, seguidos de “Material de Transporte”, com US$ 63.539.714 em vendas para Ponta Grossa.
