Edital dificulta ampliação no Aeroporto de PG; Prefeitura se manifesta


Por Cícero Goytacaz

Foto de arquivo/Divulgação

Foto de arquivo/Divulgação

O debate em torno das obras de ampliação da pista do Aeroporto de Ponta Grossa ganhou novos desdobramentos nesta semana. O regulamento do edital da concessão do Aeroporto de Brasília, na qual PG está inserida, pode dificultar avanços no projeto, incluindo a ampliação da pista.

O edital insere o Aeroporto de PG como uma exceção entre os classificados como Aeródromo Faixa 3, cujo cumprimento mínimo de pista previsto é de 1.799 m. Sendo uma exceção, PG fica limitada aos atuais 1.280 m de pista, fazendo com que a concessionária não tenha obrigação de ampliar a pista.

O Diário dos Campos apurou que uma solução proposta para esse entrave foi adotar um valor mínimo intermediário, que possibilite pouso e decolagem de aeronaves da Categoria 3C (Boeing 737, Airbus A320 e Embraer E2), que aumentaria a pista do Aeroporto de Ponta Grossa para uma dimensão entre 1.400 e 1.500 m.

O que diz a Prefeitura de Ponta Grossa

Em resposta aos questionamentos do DC, a Prefeitura detalhou o que prevê o edital e as melhorias no Aeroporto. Os detalhes foram informados pela Secretaria Municipal de Infraestrutura e Planejamento, por meio da assessoria de imprensa da Prefeitura de PG. Confira:

Sobre o problema técnico identificado

O Aeroporto de Ponta Grossa está classificado, na proposta de edital, como Aeródromo Faixa 3, categoria que exige comprimento mínimo de pista de 1.799 metros, conforme a Tabela 4 (Parte II do PEA-Regional). Ocorre que o próprio item 4.2.1.1.1 da minuta do edital estabelece uma exceção para Ponta Grossa, limitando o teto de exigência ao comprimento atual da pista (1.280 m). Na prática, isso significa que a futura concessionária não teria obrigação contratual de ampliar a pista, mesmo classificando o aeroporto como Faixa 3.

Esse ponto chama atenção porque o município já vem recebendo investimentos federais, via Secretaria de Aviação Civil (SAC), para construção de novo terminal de passageiros, pátio de aeronaves e taxiway dimensionados para o Código 3C (categoria que inclui aeronaves como Boeing 737, Airbus A320 e Embraer E2). Sem a ampliação da pista, esses investimentos perdem parte de sua utilidade prática, já que a operação comercial destas aeronaves depende de pista compatível.

Posicionamento da Prefeitura

A Prefeitura de Ponta Grossa considera que a não inclusão da ampliação de pista como obrigação de CAPEX da concessão representa um risco de subaproveitamento dos recursos públicos já investidos na infraestrutura aeroportuária do município. O Executivo entende que a repactuação do Aeroporto de Brasília é a oportunidade adequada para corrigir essa lacuna, uma vez que os dez aeroportos regionais — incluindo Ponta Grossa — estão sendo incorporados ao mesmo contrato, dentro do Programa AmpliAR.

Próximos passos

O município está formalizando contribuição técnica junto à Consulta Pública nº 10/2026 (ANAC), aberta até 7 de agosto, propondo a fixação de um comprimento mínimo intermediário de pista  suficiente para viabilizar a operação regular de aeronaves Código 3C, a ser incluído como obrigação de investimento (CAPEX) da concessionária. Paralelamente, a Prefeitura articula apoio junto à bancada federal e estadual da região dos Campos Gerais e deve participar da Audiência Pública Virtual marcada para 29 de julho.

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